Ruas do Pelourinho viram grande encontro cultural em pleno Carnaval

11/02/2018
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Bloco literocarnavalesco Boca de Brasa/Foto: Alexandra Martins Costa

Poesia, teatro e música. Esse grande sarau cultural tomou conta das Ruas do Pelourinho no terceiro dia de folia momesca. Entre serpentinas, confetes e muita animação, crianças, jovens, adultos e idosos elegeram as ruas do Centro Histórico para vivenciar essa expressão multicultural que é o Carnaval.

Antes mesmo de chegar ao Largo Pelourinho, passando pelo Cruzeiro de São Francisco já se via ao longe Castro Alves, Gregório de Matos, Carolina de Jesus e Luiz Gama. Mas, peraê! Não se tratava de uma miragem, era o bloco literocarnavalesco Boca de Brasa, que há 22 anos leva a atmosfera poética para a folia, através de jogral e caracterização de grandes poetas e poetisas da Bahia e do Brasil.

“Nossa proposta é fazer valer essa tradição da oralidade tão característica do povo baiano”, ressalta o poeta Marcos Peralta caracterizado de Castro Alves. O bloco é formado por diversos coletivos de poesia e utiliza a arte para chamar a atenção do público. “Parece algo inusitado a princípio, porém esse é nosso objetivo, despertar o interesse das pessoas que circulam pelo Pelô”, explica o também poeta, Douglas de Almeida.

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Cia Baiana de Teatro/Foto: Alexandra Martins Costa
Quem também desperta encanto é a Cia Gente Teatro da Bahia que de maneira performática anuncia para o público seu tema: homenagem à família brasileira. “Sem distinção, sem regras, sendo homem, mulher, heterossexual, homossexual, todos pode ter uma família”, destaca Daniela Vieira, uma das integrantes da companhia, que há 16 anos participa do Carnaval do Pelourinho.

As reações diante das performances são diversas e inusitadas. Pode ser uma dança, um sorriso, uma gargalhada, mas com certeza a participação conjunta ganha em primeiro lugar. Foi o caso da pequena Janine da Conceição, de apenas 08 anos. Bastou ela ver a roda que os Pierrots Tradição de Plataforma fizeram, para se juntar a eles e cair na folia. “Eles são muito divertidos. As pessoas chamam de palhaços da morte, mas para mim são só palhaços”, diz ela convicta do que seus olhinhos enxergam.

O que dizer então das dezenas de grupos musicais que percorrem as ruas do Pelô entoando cantigas de antigos e atuais carnavais? No Terreiro de Jesus, a diversidade é geral. De um lado, os veteranos das rodas de samba de Salvador, arrastando o grupo Samba Folia. “O lema aqui é animar o folião e com samba é isso aí, a animação é contagiante”, disse o idealizador, Edvaldo Costa. Do outro lado, está o grupo Xarangool, que foi criado há quatro anos durante os festejos pela Copa do Mundo, realizada no Brasil. O grupo é formado por músicos oriundos de filarmônicas do Recôncavo Baiano e a cada ano cresce mais o número de integrantes. “Hoje somos 20, mas se eu pudesse seríamos 60 aqui”, brinca o maestro Hebert Pacífico.

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Paraoano Sai Milhó/Foto: Almir Santos
Se destacando com um repertório diversificado, a alegria, o colorido e a musicalidade do Paroano Sai Milhó também se fizeram presentes neste sábado. Atração constante no Carnaval do Pelô, o grupo, com mais de 50 anos de história, se destaca trajados de palhaços, como se fossem o “Incrível Exército de Brancaleone”, com violões e cavaquinhos em punho, acompanhados de percussões diversas e do canto dos integrantes do grupo.

A programação das ruas do Pelô continua todos os dias, e neste domingo, retorna com Varal de Cordel das 10h às 13h30 e com Edd Bala e a Fanfarra Mágica das 14h às 17h. No período das 15h às 18h, saem às ruas os Tambores do Mundo, a Cia Gente de Teatro da Bahia, Bandinha Samba Folia, Escola de Samba Unidos de Itapuã, Pierrot Tradição de Plataforma, Folia de Erê, Xarangool, Maracatu Ventos de Ouro e Afro Bandão. No último horário, das 19h às 22h, será a vez de Orquestra Os Franciscanos, Filó Brincante, Turma do Bassa, Oficina de Frevos e Dobrados, Paió de Rua, Bandão do Farias e o grupo de percussão AFROKATA, da Bélgica.

CARNAVAL DA CULTURA - O Carnaval da Cultura é o carnaval da democracia e da diversidade e do folião pipoca, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura – uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) – está organizado a partir de quatro programas: Carnaval do Pelô, Carnaval Pipoca e Carnaval Ouro Negro. A programação completa de nossa festa está disponível nos sites www.cultura.ba.gov.br e www.carnaval.bahia.com.br