Tambores do Ouro Negro encerram com chave de ouro a participação no Carnaval 2018

13/02/2018
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Foto: Fafá Araújo

A última noite do Ouro Negro no Carnaval de Salvador 2018 foi animada pelo rufar dos tambores dando toque aos blocos que desfilaram pelo Circuito Osmar (Campo Grande). A presença das entidades de matriz africana apoiadas pelo Programa Ouro Negro, da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA), abrilhantou o encerramento da Folia de Momo. As entidades carnavalescas Filhos de Gongo e Ilê Aiyê se despediram passando pelo percurso oficial do Campo Grande. Já os Filhos e Filhas de Gandhy e o Ókánbí chegaram ao Campo Grande vindos pelo contra fluxo (com saída da Praça da Sé).

O tapete azul e branco dos Filhos de Gandhy entrou na passarela às 19h com a presença ilustre do veterano Gilberto Gil e do cantor baiano Gerônimo. Gil deu uma canja e logo deixou o bloco ainda na passarela. Já os milhares de associados adentraram o circuito levando a mensagem de paz que é a filosofia do grupo. Com o tema “Do cais Do Porto para o Mundo”, o afoxé encerrou sua participação emocionando a todos que assistiram a passagem do bloco que completa 70 anos no próximo ano.

Para o funcionário público, Osvaldo Souza, 67 anos, que nesta Folia de Momo fez três décadas como associado do bloco, desfilar no Gandhy é uma verdadeira honra. Visivelmente emocionado, ele descreve o coletivo masculino como uma nação. 'Somos a Bahia no Brasil e do mundo', disse ele. Com inspiração na ideologia pacifista do ativista indiano Mahtama Gandhi, o bloco participou do Carnaval no domingo (saindo do Pelourinho), segunda-feira (Circuito Dodô) e encerrou a passagem pelo Carnaval de Salvador com o desfile no Circuito Osmar.

Logo em seguida estavam as Filhas de Gandhy. Puxadas pelas alas de índias e baianas, as cerca de 700 associadas do bloco afoxé de mulheres também mostraram todo seu encanto levando a mensagem de luta pelo empoderamento feminino na festa de Momo. Ao som dos Hinos de Dois de Julho e do Senhor do Bonfim, o bloco iniciou a passagem pela passarela oficial do circuito. 'Isso aqui é minha vida, espero ano todo', disse Marta Souza, 54 anos, e que há 15 não abre mão do bloco. As Filhas de Gnadhy desfilaram no sábado no Circuito Batatinha e também na segunda-feira (Circuito Dodô).

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Foto: Fafá Aaraújo

A noite do Ouro Negro não poderia ser finalizada de maneira mais exuberante. O 'mais belos dos belos', o Ilê Aiyê, também teve participação especial no último dia do desfile no Circuito Osmar. O Campo Grande parecia adormecido quando o bloco e seus três mil associados entraram na passarela e não deixaram ninguém parado. O vermelho, amarelo, preto e branco coloriram todo o percurso inspirando o tema 'Mandela. A Azânia celebra o centenário de seu Madiba'. Foliã há mais de 10 anos, a baiana Lúcia Lima, 34 anos, mora no exterior e não conseguiu participar do primeiro dia do bloco no Curuzu. 'Estava fora, só consegui chegar hoje, mas preciso disso aqui', revelou. O Ilê desfilou no sábado com saída do Curuzú e na segunda e terça fez o trajeto do Circuito Osmar. Passaram ainda pelo Campo Grande, na última noite do Ouro Negro, os blocos Filhos de Congo e Ókanbí. Os Filhos de Congo iniciou o carnaval do domingo com desfile no contra fluxo, da Praça da Sé ao Campo Grande, assim como ÓkánbÍ que se apresentou na segunda e terça-feira.

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Foto: Fafá Araújo

Sobre o projeto – Um dos projetos do Carnaval da Cultura, o Ouro Negro credenciou neste ano 91 entidades dentre blocos afro e de índio, afoxés e blocos de samba e reggae de Salvador, com objetivo de apoiar seus desfiles nos circuitos da folia. Atualmente gerido pelo Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) da Secretaria de Cultura, em 2018 o projeto comemora dez anos. Ao longo deste período vem apoiando e reconhecendo o legado e a importância da cultura negra para o carnaval, como forma de manter a plasticidade, beleza e identidade desses blocos na avenida, assim como a maior participação da juventude, transmitindo o legado para as novas gerações.

CARNAVAL DA CULTURA – O Carnaval da Cultura é o carnaval da democracia e da diversidade e do folião pipoca, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura – uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) – está organizado a partir de quatro programas: Carnaval do Pelô, Carnaval Pipoca e Carnaval Ouro Negro. A programação completa de nossa festa está disponível nos sites www.cultura.ba.gov.br e www.carnaval.bahia.com.br.