02/03/2018

Foto: Leto Carvalho
Com o propósito de restabelecer uma conexão do público e dos artistas com importantes palcos do estado, através de uma programação regular, que pudesse promover o diálogo entre as culturas locais e globais, diversos projetos já foram apresentados nos últimos cinco anos através do Edital de Dinamização de Espaços Culturais do Fundo de Cultura da Bahia.
Na última edição do edital, se destacam dois projetos em territórios de atuação diferentes, que apresentaram propostas de reativar espaços culturais que sempre tiveram grande importância local. Um voltado para o fortalecimento da cena da música independente e outro de resgate das memórias que dizem não só de uma pessoa, mas de todo um povo.

Durante sua trajetória, o Lálá se consolidou como um importante espaço cultural voltado para as artes, mas teve que encerrar suas atividades regulares por falta de apoio financeiro. “Eu já havia tomado a decisão de não reabrir mais o Lalá por não conseguir manter a programação da casa. Se a gente não tivesse conseguido esse projeto, o Lalá estaria fechado”, explica o seu gestor Luiz Ricardo Dantas.
O projeto surge após o diagnóstico de que as produções independentes não têm fôlego para bancar uma pauta de um espaço, especialmente naqueles que são menores e não geram um valor de bilheteria suficiente para cobrir os custos da produção. Foi a partir daí que o Lálá propôs subsidiar a primeira pauta para que os artistas pudessem pagar as demais através de seus próprios recursos. “A gente precisa desse cuidado. Os artistas precisam ter o cachê para sobreviver e, inclusive, investir em seus trabalhos”, ressalta o gestor cultural.
O impacto na cena pôde ser percebido rapidamento. Para Dantas, artistas e produtores já reverberam a reabertura do Lálá e celebram por ter de volta esse importante espaço para difusão de suas produções. “Existe uma felicidade coletiva pelo Lalá estar aberto, por esses artistas estarem aqui dentro fazendo shows, recebendo seus cachês sendo tratados com todo cuidado e respeito merecidos”, destaca.
O músico Thiago Trad realizou a oficina de criação coletiva a partir da improvisação musical “Bahia Experimental”, uma linguagem que ele próprio desenvolveu e tem ganhado relevância no meio. “Poder trabalhar com grupos distintos, experiências musiciais e de vida bastante diferentes é interessante e a experiência no Lalá pode reforçar isso, principalmente por ser um projeto de formação mais voltado para a área de educação no meio do verão”, avalia.
Para Trad, os espaços culturais são a mola mestra da cena independente e é a base para que tudo faça sentido. “O Lálá é um espaço abre mais num projeto como esse. Permite que outras pessoas que não estão com dinheiro para um curso pago participe, como foi minha oficina que não foi cobrado”, opina.

Maria Brandão presente! - Em Rio de Contas, cidade do território Chapada Diamantina, uma experiência de ocupação cultural demonstra como a articulação da sociedade civil pode trazer à vida espaços que possuem um grande significado para suas comunidades. O projeto “Espaço Cultural Maria Brandão” faz uma homenagem à mulher negra e militante das causas sociais, que na cidade sofreu perseguições de coronéis por conta de seu trabalho. Em reconhecimento ao seu legado, ela foi condecorada como “Campeã da Paz”, título emitido pelo governo de Moscou em 1950.
Para manter viva a memória de sua ilustre conterrânea, um grupo de produtores montou uma agenda cultural de ocupação da antiga Pensão Brandão entre janeiro e junho de 2017. Na programação, foram mobilizados mais de 30 grupos, que apresentaram encontros de terno de reis, sanfoneiros, marchinhas de carnaval, caretas, palestras, rodas de conversas, oficinas, shows e contação de histórias.
O local abriga atualmente a Secretaria Municipal de Turismo e Meio Ambiente. Quando o grupo iniciou o processo de ocupação, as poucas salas disponíveis recebiam raramente atividades culturais, mas esse cenário mudou. “O projeto foi de suma importância para dinamização não só do espaço como da cidade, porque todo mundo foi envolvido nas atividades culturais, que atraíram visitantes e moradores para os eventos e para a cidade em si”, conta a produtora do projeto, Rosa Griô.
Para que o projeto desse certo, escolas, estudantes universitários e grupos culturais de toda região da Chapada Diamantina se envolveram efetivamente em todas as atividades. O resultado desse esforço, foi um espaço dinamizado que conseguiu dialogar com sua comunidade. “A reconexão com o espaço foi importante por conta das memórias de Maria Brandão, da sua morada, da sua família e do protagonismo de sua vida”, acredita Rosa.
A educadora Flávia Pacheco ofereceu a oficina “Brincadeiras Indígenas” e acredita que o projeto teve relevância cultural e histórica, sobretudo pelo empoderamento proporcionado a toda a comunidade, principalmente a mulheres e crianças. “Fiquei encantada com a vida das mulheres ali representadas e suas histórias. A proposta me empoderou como mulher, artista e educadora”, expõe.
Compartilha do mesmo sentimento o estudante Robson Pierote, que descobriu a importância e força de Maria Brandão. “Foi um projeto que acabou informando para algumas pessoas não só sobre essa grande mulher, mas também nossas culturas populares”, avalia.
O Edital de Dinamização de Espaços Culturais – Criado em 2012, o Edital de Dinamização de Espaços Culturais já contemplou 42 propostas que tiveram como objetivo dinamizar espaços culturais públicos ou privados, através de uma programação regular durante um período mínimo de três meses e máximo de seis meses. Nesse processo, estão envolvidas atividades artístico-culturais para todos os públicos, que incluem ações de mobilização e/ou de mediação e outras visando o fortalecimento, ampliação de público e desenvolvimento sustentável das atividades culturais.
Os suplentes do Edital de Dinamização de Espaços Culturais 2016 foram convocados em setembro deste ano para assinatura de TACs, para realização em 2018. Das 11 propostas, 02 desistiram, 02 foram desclassificadas e 07 conveniaram.
O aporte financeiro do edital se traduz em uma programação potente e forte, que possibilita a esses espaços culturais se manterem como um importante ambiente para a difusão das produções artísticas de seus territórios, que ousam e experimentam na busca de novos sentidos e significados.
Na última edição do edital, se destacam dois projetos em territórios de atuação diferentes, que apresentaram propostas de reativar espaços culturais que sempre tiveram grande importância local. Um voltado para o fortalecimento da cena da música independente e outro de resgate das memórias que dizem não só de uma pessoa, mas de todo um povo.

Foto: Leto Carvalho
A cena musical independente de Salvador ganha força – Após quase um ano sem atividades, o Lálá Multiespaço - localizado no bairro do Rio Vermelho em Salvador - reabre suas portas após a aprovação do seu projeto “Pague Minha Pauta” no edital. Em sua proposta está garantida a realização de 40 shows de artistas da Bahia e de outros lugares do país, além da realização de quatro atividades formativas voltadas exclusivamente para músicos. O objetivo é garantir a promoção, circulação, divulgação e fruição da cena musical independente. Durante sua trajetória, o Lálá se consolidou como um importante espaço cultural voltado para as artes, mas teve que encerrar suas atividades regulares por falta de apoio financeiro. “Eu já havia tomado a decisão de não reabrir mais o Lalá por não conseguir manter a programação da casa. Se a gente não tivesse conseguido esse projeto, o Lalá estaria fechado”, explica o seu gestor Luiz Ricardo Dantas.
O projeto surge após o diagnóstico de que as produções independentes não têm fôlego para bancar uma pauta de um espaço, especialmente naqueles que são menores e não geram um valor de bilheteria suficiente para cobrir os custos da produção. Foi a partir daí que o Lálá propôs subsidiar a primeira pauta para que os artistas pudessem pagar as demais através de seus próprios recursos. “A gente precisa desse cuidado. Os artistas precisam ter o cachê para sobreviver e, inclusive, investir em seus trabalhos”, ressalta o gestor cultural.
O impacto na cena pôde ser percebido rapidamento. Para Dantas, artistas e produtores já reverberam a reabertura do Lálá e celebram por ter de volta esse importante espaço para difusão de suas produções. “Existe uma felicidade coletiva pelo Lalá estar aberto, por esses artistas estarem aqui dentro fazendo shows, recebendo seus cachês sendo tratados com todo cuidado e respeito merecidos”, destaca.
O músico Thiago Trad realizou a oficina de criação coletiva a partir da improvisação musical “Bahia Experimental”, uma linguagem que ele próprio desenvolveu e tem ganhado relevância no meio. “Poder trabalhar com grupos distintos, experiências musiciais e de vida bastante diferentes é interessante e a experiência no Lalá pode reforçar isso, principalmente por ser um projeto de formação mais voltado para a área de educação no meio do verão”, avalia.
Para Trad, os espaços culturais são a mola mestra da cena independente e é a base para que tudo faça sentido. “O Lálá é um espaço abre mais num projeto como esse. Permite que outras pessoas que não estão com dinheiro para um curso pago participe, como foi minha oficina que não foi cobrado”, opina.

Foto: Divulgação
Maria Brandão presente! - Em Rio de Contas, cidade do território Chapada Diamantina, uma experiência de ocupação cultural demonstra como a articulação da sociedade civil pode trazer à vida espaços que possuem um grande significado para suas comunidades. O projeto “Espaço Cultural Maria Brandão” faz uma homenagem à mulher negra e militante das causas sociais, que na cidade sofreu perseguições de coronéis por conta de seu trabalho. Em reconhecimento ao seu legado, ela foi condecorada como “Campeã da Paz”, título emitido pelo governo de Moscou em 1950.
Para manter viva a memória de sua ilustre conterrânea, um grupo de produtores montou uma agenda cultural de ocupação da antiga Pensão Brandão entre janeiro e junho de 2017. Na programação, foram mobilizados mais de 30 grupos, que apresentaram encontros de terno de reis, sanfoneiros, marchinhas de carnaval, caretas, palestras, rodas de conversas, oficinas, shows e contação de histórias.
O local abriga atualmente a Secretaria Municipal de Turismo e Meio Ambiente. Quando o grupo iniciou o processo de ocupação, as poucas salas disponíveis recebiam raramente atividades culturais, mas esse cenário mudou. “O projeto foi de suma importância para dinamização não só do espaço como da cidade, porque todo mundo foi envolvido nas atividades culturais, que atraíram visitantes e moradores para os eventos e para a cidade em si”, conta a produtora do projeto, Rosa Griô.
Para que o projeto desse certo, escolas, estudantes universitários e grupos culturais de toda região da Chapada Diamantina se envolveram efetivamente em todas as atividades. O resultado desse esforço, foi um espaço dinamizado que conseguiu dialogar com sua comunidade. “A reconexão com o espaço foi importante por conta das memórias de Maria Brandão, da sua morada, da sua família e do protagonismo de sua vida”, acredita Rosa.
A educadora Flávia Pacheco ofereceu a oficina “Brincadeiras Indígenas” e acredita que o projeto teve relevância cultural e histórica, sobretudo pelo empoderamento proporcionado a toda a comunidade, principalmente a mulheres e crianças. “Fiquei encantada com a vida das mulheres ali representadas e suas histórias. A proposta me empoderou como mulher, artista e educadora”, expõe.
Compartilha do mesmo sentimento o estudante Robson Pierote, que descobriu a importância e força de Maria Brandão. “Foi um projeto que acabou informando para algumas pessoas não só sobre essa grande mulher, mas também nossas culturas populares”, avalia.
O Edital de Dinamização de Espaços Culturais – Criado em 2012, o Edital de Dinamização de Espaços Culturais já contemplou 42 propostas que tiveram como objetivo dinamizar espaços culturais públicos ou privados, através de uma programação regular durante um período mínimo de três meses e máximo de seis meses. Nesse processo, estão envolvidas atividades artístico-culturais para todos os públicos, que incluem ações de mobilização e/ou de mediação e outras visando o fortalecimento, ampliação de público e desenvolvimento sustentável das atividades culturais.
Os suplentes do Edital de Dinamização de Espaços Culturais 2016 foram convocados em setembro deste ano para assinatura de TACs, para realização em 2018. Das 11 propostas, 02 desistiram, 02 foram desclassificadas e 07 conveniaram.
O aporte financeiro do edital se traduz em uma programação potente e forte, que possibilita a esses espaços culturais se manterem como um importante ambiente para a difusão das produções artísticas de seus territórios, que ousam e experimentam na busca de novos sentidos e significados.