Pelourinho sedia homenagem aos povos indígenas brasileiros

19/04/2018
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Foto: Isabelle Maia

Foram reunidos na manhã desta quinta-feira, 19 de abril, mais de 60 alunos do ensino fundamental do Colégio Estadual Severino Vieira e da Escola Municipal Vivaldo da Costa Lima no Solar Ferrão, prédio com mais de 300 anos, construído no coração do Pelourinho, para um evento educacional e artístico em homenagem aos povos indígenas brasileiros. A realização teve apoio da Diretoria de Museus (DIMUS/IPAC) da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA).

A homenagem contou com introdução sobre o projeto pela produtora cultural Thelma Chase, do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI/SecultBA). “Essas integrações entre jovens de grupos, bairros e colégios diversos é fundamental para troca de conhecimento, formação intelectual e reforço da identidade cultural”, disse ela. Além dos alunos dos colégios estaduais, estiveram presentes jovens da Escola de Percussão Membros da Rocinha, Escola de Percussão Tambores e Cores e da Banda Didá. “São grupos e ONG que atuam no Pelourinho, mesma área onde está também o Solar Ferrão”, completou Thelma.

Depois, a professora e etnomusicóloga, Emília Biancardi, iniciou explicação acerca dos instrumentos tradicionais e apresentou integrantes da Orquestra Museofônica, formada com servidores da DIMUS/IPAC. “Estamos propondo diálogo artístico-educacional de culturas indígenas com as culturas afro-brasileiras e, como atividade pedagógica e de formação, buscando despertar a consciência participativa de jovens para um exercício cidadão de amor e respeito mútuo”, finalizou. A fala da professora foi seguida da apresentação de oito alunos do Severino Vieira, com idade entre 11 e 12 anos, com instrumentos indígenas, em parceria com adolescentes dos grupos do Pelourinho, com instrumentos de matriz africana.

Pesquisadora reconhecida internacionalmente, compositora, escritora e colecionadora, Biancardi doou para o Estado a sua coleção de 227 instrumentos musicais produzidos por povos tradicionais de diversos países do mundo, como México, Colômbia, Suriname e Cordilheira dos Andes, Espanha, Gana, Senegal, Congo, Madagascar, Níger, Zaire, Etiópia, Arábia Saudita, Tailândia, Bahamas, Japão e Nepal, dentre outros. Além de estados brasileiros como Amazonas, Alagoas, Pernambuco, Espírito Santo, Bahia, Ceará e do Parque Nacional do Xingú. A coleção Emília Biancardi da DIMUS fica em exposição permanente no piso térreo do Solar Ferrão, com visitação gratuita de segunda a sábado, sempre das 13h às 17h. Contatos: (71) 3116-6743.

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Foto: Isabelle Maia


Nação Ticuna – Como convidada especial, o evento teve a presença de Weena Miguel, integrante da nação Ticuna, do Amazonas. Ela fez explanação sobre o seu povo. “Existem mais de 48 mil Ticunas nas regiões da fronteira do Brasil com o Peru e a Colômbia”, explicou. Em seguida, Weena tocou o instrumento indígena maracá e cantou músicas da sua nação. A coordenadora desse projeto cultural, a professora doutora Eleonor Correia, estava exultante com os resultados. “Já estamos desenvolvendo essa parceria com os museus da DIMUS há três anos e tem sido extremamente produtiva”, lembra ela. Já a diretora do Severino Vieira, Ana Paula Rodrigues, fez questão de comemorar. “Temos 403 alunos na escola e é visível a melhora social e educacional de jovens que participam de atividades como essas”, ressaltou Ana Paula.

Weena lembrou que o nome adequado não é ‘índio’. Essa nomenclatura foi inventada pelos europeus quando aportaram nas Américas ao errarem o caminho para a Índia. “É mais adequado sermos indicados por nossas nações, como a Ticuna que eu faço parte”. Ela destacou ainda que reside no Amazonas, é a primeira da sua tribo a se graduar em Nutrição e que se integrou ao evento depois de ter visitado a coleção Emília Biancardi, no Solar Ferrão.