25/04/2018

Foto: Gabriel Martins
Uma família não tradicional formada em pleno sertão baiano protagoniza “A Cidade do Futuro”, de Cláudio Marques e Marília Hughes, que estreia dia 26 de abril nos cinemas de Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre e Curitiba. Milla, Gilmar e Igor apostam no amor para vencer os preconceitos e lutam para ficar em Serra do Ramalho, cidade onde nasceram.O longa-metragem venceu as categorias Melhor Filme Latino Americano do BAFICI (Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires) e Melhor Filme Internacional do Newfest (New York LGBT Film Festival's), além de ser o escolhido do público no festival Olhar de Cinema (Curitiba) e ganhador dos prêmios de Melhor Filme Brasileiro e Melhor Direção do 10º For Rainbow (Rio de Janeiro).
“Fomos a Serra do Ramalho para conhecer a tal ‘cidade do futuro’ prometida pelos militares nos anos 70”, conta Marques, que assina o roteiro. Localizado na região Oeste, o município foi criado durante a Ditadura Militar para abrigar parte das cerca de 73 mil pessoas deslocadas dos seus lares, no Norte baiano, para dar lugar à represa de Sobradinho.
Segundo os diretores, ao chegar à cidade, eles rapidamente se empolgaram pela inteligência e carisma de Igor Santos, Milla Suzart e Gilmar Araújo. Entusiasmo que logo se estendeu a toda a pequena comunidade de jovens que buscava quebrar com os padrões pré-estabelecidos de uma sociedade machista e homofóbica.
De volta a Salvador, Marques e Marília começaram a pensar em uma história com aquele trio, mas tudo se definiu quando souberam da gravidez de Milla. “A partir daí, entendemos que o roteiro de ‘A Cidade do Futuro’ seria uma ficção criada com base no real, no que eles estavam vivendo”, completa o diretor.
Em “A Cidade do Futuro”, Milla é professora de teatro e Gilmar é professor de história. Em suas aulas, ambos buscam resgatar as marcas que a remoção forçada deixou em seus pais e avós, assim como nos do vaqueiro Igor. Seus parentes não tiveram opção, mas eles estão determinados a resistir à opressão conservadora e sexista. “Estamos falando sobre direitos civis de uma população considerada, muitas vezes, de segunda classe”, diz Marques, explicando essa ligação histórico-temporal.
O filme foi financiado pelo edital IRDEB/FSA, programa Brasil de Todas as Telas de 2014. “A Cidade do Futuro” foi exibido em 14 países, passando por mais de 30 festivais nas Américas, Europa, Ásia e Oceania. A distribuição comercial do Brasil é viabilizada com apoio do Governo do Estado, por meio do Fundo de Cultura.
Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) – Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Artística e Cultural e Editais Setoriais. Para mais informações, acesse: www.cultura.ba.gov.br
Ficha Técnica
Direção e Produção: Cláudio Marques e Marília Hughes
Roteiro: Cláudio Marques
Fotografia: Gabriel Martins
Direção de Arte: Carol Tanajura
Direção de Produção: Michele Perroni
Som: Edson Secco
Montagem: Cláudio Marques e Joana Collier
Assistente de Direção: Clara Linhart e Sofia Corral
Elenco: Igor Santos, Milla Suzart e Gilmar Araújo.
Vencedor do Edital IRDEB/ FSA (Brasil de Todas as Telas) - 2014
Trailer: