Palestra sobre cultura e religiões abre o período de aulas dos "Terreiros Criativos"

14/05/2018
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Sede da Fundação Hansen / Foto: Divulgação

A palestra ‘Cultura e religiões de matriz africana’, do historiador e professor doutor em Estudos Étnicos e Africanos pelo CEAO/UFBA, Cacau Nascimento, abre oficialmente hoje (14), às 18:30h, no Museu Hansen Bahia (Rua Treze de Maio, n°197-373), em Cachoeira, o período de aulas do projeto ‘Terreiros Criativos’. Integrado por capacitações, cursos e visitas dirigidas voltadas para profissionais da área do turismo cultural e étnico, o projeto é a primeira ação que beneficia de forma integrada e continuada os terreiros de candomblé tombados pelo Estado como Patrimônios da Bahia, em Cachoeira e São Félix.

A iniciativa teve inscrição gratuita, conta com patrocínio da Secretaria de Turismo do Estado (Setur), apoio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) e da Secretaria de Cultura (SecultBA), contando com a realização da Associação dos Guias e Condutores de Turismo do Vale do Paraguaçu (ACTUP).

O projeto conta ainda com cerca de 20 outros palestrantes, dentre professores das redes estadual e federal de ensino, turismólogos, guias, especialistas e técnicos estaduais, além de mestres de saberes populares e até babalorixás. “Na palestra de hoje, já abordo a história dos terreiros de candomblé na Bahia e nas próximas aulas, grupos étnicos e nações, aspectos ritualísticos e míticos, espaços sagrados, territórios religiosos, a relação dos ambientes rurais e urbanos, dentre outros temas”, adianta o professor Cacau Nascimento.

Bens culturais – O projeto integra o Programa de Fomento e Valorização dos Terreiros Patrimonializados e trabalha com três eixos: educação (capacitação), turismo (sinalização) e comunicação (informação e impressos), com foco na Economia Criativa voltada à cultura. “O projeto é inédito e inovador na Bahia, já que ainda não se tinha implantado programa de política pública continuada para beneficiar terreiros protegidos pelo Estado”, diz o diretor do IPAC, João Carlos de Oliveira. O Instituto foi responsável pela pesquisa e parecer que tornaram os terreiros bens culturais da Bahia.

Segundo Lara Silveira, coordenadora técnica do projeto, a programação tem excelência no corpo docente e na programação. “Podemos destacar as oficinas de educação patrimonial, de elaboração de projetos, de criação de produtos criativos, de gastronomia étnica, empreendedorismo, comunicação e mídias sociais”, relata. Além disso, ela adianta que no decorrer dos três meses previstos, acontecerá uma noite cultural com oficinas abertas ao público, cantorias étnico-religiosas e música de terreiros. Visitas técnicas à Salvador, monumentos, equipamentos e terreiros, complementam o roteiro previsto.

A carga horária de 80 horas terá módulos sobre Histórias do Brasil e da África, Turismo e Patrimônio, Vivência e Roteirização. Os 10 terreiros participantes são o ‘Aganjú Didê’ (conhecido como ‘Ici Mimó’), ‘Viva Deus’, ‘Lobanekum’, ‘Lobanekum Filha’, ‘Ogodó Dey’, ‘Ilê Axé Itayle’, ‘Humpame Ayono Huntóloji’ e ‘Dendezeiro Incossi Mukumbi’, em Cachoeira, além de ‘Raiz de Ayrá’ e ‘Ile Axé Ogunjá’ em São Félix.