05/03/2019

Laroyê Arriba / Foto: Fafá Araújo
Rito e festa: traços comuns nos blocos afro da programação Ouro Negro, especialmente daqueles que desfilaram no Circuito Batatinha, nesta segunda-feira de Carnaval, dia 04 de março, como o Filhos do Korin Efan e afoxé Laroyê Arriba. A salvaguarda da cultura afrobrasileira também se expressou no Bloco da Capoeira que também marcou presença nas ruas do Centro Histórico de Salvador, abrilhantando a festa, trazendo a percussividade que passeia pelo samba de roda e o samba reggae.
De acordo com Soraia Cabral Gomes, presidente do afoxé Laroye Ariba e yalorixá do Ilê Axé Ofon D’Ewa, assim como a maioria dos afoxés, o Laroye nasceu dentro de terreiros de candomblé. A trajetória da agremiação começou por meio de orientações e consultas dentro do terreiro, identificando os caminhos a serem seguidos, a exemplo da escolha do nome, inclusive a musicalidade a ser adotada.
O bloco começou como um grupo de percussão e depois, por indicação da espiritualidade, se encaminhou para a vertente do afoxé, no ritmo do ijexá. “Todo o povo de axé ajuda nos preparativos do desfile e colabora nas várias etapas de construção da festa. A nossa intenção de colocar o afoxé na rua é preservar a nossa religiosidade e expressar para sociedade a nossa origem de matriz africana”, afirma a yalorixá.
“Nosso bloco leva a saudação de Exú, Laroyê. Para que ele nos dê caminho, é que nos fazemos este padê, pedindo para ele que abra nossos caminhos e proteja a nossa comunidade”, explica Soraia. O ritual para o orixá é praticado internamente ou publicamente de acordo com as orientações de cada casa ou bloco.

Filhos de Korin Efan / Foto: Fafá Araújo
Antes de sair em desfile, o afoxé Filhos do Korin Efan, por exemplo, realizou a oferenda na sede do grupo, também no Centro Histórico, pedindo permissão ao orixá para iniciar mais um dia de festa. A presidente do afoxé Elisângela Silva conta que “antes de sair já foi feito o ritual para pedir proteção e licença a Exú e Ogum para que possamos fazer um bom desfile, caminhos abertos e iluminados”.
O afoxé Filhos de Korin Efan desfilou este ano com o tema Oxossi, Rei das Matas e Rei de Ketu. O vocalista Nilton Gato do Filhos de Korin Efan conta que “o bloco é praticamente um terreiro voltado para o culto de Oxumaré e, neste carnaval, homenageamos ao rei de Ketu”.

Bloco da Capoeira / Foto: Fafá Araújo
Capoeira e Samba de Roda – Além dos afoxés, também desfilou no Circuito Batatinha o Bloco da Capoeira, que circulou pelas ruas do Centro Histórico com adolescentes e jovens na percussão e, sobretudo, crianças desfrutando do desfile. A sonoridade passeou pelo samba reggae, sob a orientação do mestre e criador do bloco Tonho Matéria.
Mãe e filha, Gilvanice Oliveira, supervisora de vendas, 33 anos, e Gabriela Oliveira Barbosa, estudante, 15 anos, saem todos os anos no bloco para se divertir e valorizar o trabalho realizado ao longo do ano. “Gosto do bloco porque ele mostra o mundo que a capoeira apresenta para muitos meninos e meninas”, diz a garota, que acompanha o bloco desde cedo.
E tem mais Ouro Negro
O carnaval está na reta final, mas ainda dá tempo de prestigiar os blocos afro da programação Ouro Negro, nesta terça-feira, dia 05 de março. No Circuito Osmar, logo no final da manhã sai o Bloco Vamos Nessa, com Samba do Pretinho e Convidados, às 11h30. Encerrando as comemorações dos seus 40 anos, o Olodum passa pelo Campo Grande, às 13h15, tocando sem cordas. O Ilê Aiyê faz sua última participação no carnaval, às 18h, no mesmo local.
O Circuito Batatinha recebe o Fogueirão, com Jorge Fogueirão, às 19h30, seguido do Afoxé Kambalagwanze, às 20h. No Circuito Dodô, às 17h, será a vez do Jaké Tchaco, com Samba Trator, Samba Jaké, Neivaldo do Tchaco e Jorge Fogueirão.
Carnaval da Cultura – É o carnaval dos blocos afro, de samba, de reggae e dos afoxés, apoiados por meio do Edital Ouro Negro para desfilar nos três principais circuitos da folia: Batatinha, Dodô e Osmar. É a folia animada, diversa e democrática do Carnaval do Pelô, que abraça o carnaval de rua, microtrios e nanotrios, além de promover nos palcos grandes encontros musicais e variados ritmos numa ampla programação. Tem Afro, Reggae, Arrocha, Axé, Antigos Carnavais, Samba, Hip-hop e Guitarra Baiana, além de Orquestras e Bailes Infantis. Promovido pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura (SecultBA), o Carnaval da Cultura é da Bahia. O Mundo se Une Aqui!
Por Monica Santana