03/07/2019

No dia 5 de julho, a partir das 19h, Vik Muniz abre uma nova mostra no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), localizado no Solar do Unhão, no bairro Contorno, em Salvador. A entrada é gratuita e a exposição permanece até 31 de agosto. Sob o título Imaginária, os trabalhos revisitam a arte sacra, sendo criados a partir de milhares de recortes de catálogos de exposições. Vik Muniz é um artista plástico, fotógrafo e pintor, conhecido internacionalmente por usar materiais inusitados em suas obras, como lixo, açúcar e chocolate.
A mostra Imaginária parte do pressuposto de que toda questão humana sempre teve algo a ver com a maneira como as pessoas interpretam a realidade. Para Vik Muniz, “a nossa relação com os acontecimentos que nos cercam é produto de uma evolução contínua através da arte, da ciência e da religião. Neste processo, a arte sempre tratou de negociar uma visão do mundo que miscigenasse a lógica física da ciência com o dogmatismo espiritual da religião a fim de aproximar estas duas noções absolutas à experiência humana. O artista dá espírito à matéria inane e forma física à essência sobrenatural da fé. A arte mistura elementos fundamentais, ambos da crença e da experiência, para promover um consenso sobre a realidade, que, embora desuniforme, tem sido à base de todo o desenvolvimento da nossa espécie desde os primórdios da civilização”.
“A vida nada mais é do que a matéria impregnada de consciência e conhecimento. Assim sendo, toda a matéria viva é sapiente, tudo o que é vivo possui algum tipo de conhecimento. Porém, entre todos os seres vivos, a raça humana é a única capaz de acreditar e ter fé em coisas além do alcance de seus sentidos imediatos. A fé é uma particularidade exclusiva de nossa espécie que tem sido desenvolvida através de milênios por religiosos, cientistas e artistas. Acreditar significa se relacionar com o mundo além da mente, além dos limites dos sentidos do tempo, da presença física, e da própria vida. A fé faz do homem um animal único no sentido em que o habilita a transcender a sua existência física e temporal e se relacionar com o seu universo como um todo. Se a fé é o que nos faz mais humanos, faz também exemplos de humanidade aqueles que melhor a exercitam,” complementa Vik Muniz.
Ao se fixar na imagem dos santos, os trabalhos de Vik mostram exemplos de pessoas que colocaram a sua fé acima da própria vida, e que sempre exerceram um enorme fascínio nas mentes artísticas. Não é por coincidência que a história da arte esteja tão relacionada à história da fé. “Grande parte do que admiramos na história da arte está objetivamente relacionada à arte sacra e, subjetivamente, ao ato de acreditar. Eu, como artista contemporâneo, sempre ansiei compartilhar os temas que tanto colaboraram para o desenvolvimento da cultura das imagens. Porém, a minha relação com a imagem sacra sempre foi cerceada, de forma ambivalente, por normas contextuais contrárias à prática ou à ilustração de formas religiosas. É neste contexto único e não ortodoxo que eu encontrei a devida liberdade de trabalhar com estes temas tão próximos da minha vida pessoal e tão distantes da arte atual. Eu que sempre trabalhei com o ato de acreditar, finalmente ilustro aqui, através da confusa lente do olhar contemporâneo, imagens dos que ousaram acreditar mais do que todos. A arte se assemelha mais à vida na forma em que a sua apoteose é a fé nela investida. Os santos, exemplos de fé e transcendência, continuam a nos ensinar a acreditar e a viver como verdadeiros seres humanos”.
Vik Muniz – Nascido em São Paulo em 1961, vive e trabalha em Nova Iorque e Rio de Janeiro. Seu trabalho está presente nas coleções dos grandes museus internacionais como: Art Institute of Chicago, J. Paul Getty Museum, Metropolitan Museum of Art, Museum of Modern Art (New York), Museu de Arte Moderna de São Paulo, e Victoria and Albert Museum em Londres. Além da sua atividade artística, está envolvido em projetos sociais e educacionais no Brasil e nos Estados Unidos. Seu documentário “Lixo Extraordinário” foi indicado ao Oscar de melhor documentário e ganhou o prêmio do público no Festival de Sundance de melhor filme. Em 2011 foi nomeado Embaixador da Boa Vontade pela Unesco. Em janeiro de 2013 recebeu o Crystal Award do World Economic Forum. Em 2014 iniciou a construção da Escola Vidigal, uma escola de arte e tecnologia para crianças da comunidade do Vidigal no Rio de Janeiro. Em 2015 foi convidado pela Gates Foundation para fazer parte do projeto global “A Arte de Salvar Vidas” com a série “Colonies”. Vik tem sido também palestrante convidado em grandes universidades, museu, e eventos como: Oxford, Harvard, Yale, TED Talks, the World Economic Forum, the Museum of Modern Art, New York, Museum of Fine Arts em Boston, entre outros, e programas de residência no MIT e na Skowhegan School of Painting and Sculputure.
Museu de Arte Moderna da Bahia – O Museu de Arte Moderna da Bahia é vinculado ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultura, autarquia da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA). Possui importante acervo de obras e de documentação sobre momentos da cultura baiana e brasileira. Está instalado no Solar do Unhão, um sítio histórico tombado e banhado pela Baía de Todos os Santos. As relações deste sítio com a comunidade, com a cidade e seus contextos históricos, urbanísticos, sociais, políticos e econômicos, influenciaram diretamente o projeto da italiana Lina Bo Bardi para implantação do MAM, resultando em uma proposta de abertura ampla do espaço, marcada pela expressão artística como instrumento crítico para compreensão do mundo.
Serviço
Vik Muniz – Imaginária
Museu de Arte Moderna da Bahia
Abertura da exposição: 05 de julho, às 19h
Permanência: julho a 31 de agosto de 2019
A mostra Imaginária parte do pressuposto de que toda questão humana sempre teve algo a ver com a maneira como as pessoas interpretam a realidade. Para Vik Muniz, “a nossa relação com os acontecimentos que nos cercam é produto de uma evolução contínua através da arte, da ciência e da religião. Neste processo, a arte sempre tratou de negociar uma visão do mundo que miscigenasse a lógica física da ciência com o dogmatismo espiritual da religião a fim de aproximar estas duas noções absolutas à experiência humana. O artista dá espírito à matéria inane e forma física à essência sobrenatural da fé. A arte mistura elementos fundamentais, ambos da crença e da experiência, para promover um consenso sobre a realidade, que, embora desuniforme, tem sido à base de todo o desenvolvimento da nossa espécie desde os primórdios da civilização”.
“A vida nada mais é do que a matéria impregnada de consciência e conhecimento. Assim sendo, toda a matéria viva é sapiente, tudo o que é vivo possui algum tipo de conhecimento. Porém, entre todos os seres vivos, a raça humana é a única capaz de acreditar e ter fé em coisas além do alcance de seus sentidos imediatos. A fé é uma particularidade exclusiva de nossa espécie que tem sido desenvolvida através de milênios por religiosos, cientistas e artistas. Acreditar significa se relacionar com o mundo além da mente, além dos limites dos sentidos do tempo, da presença física, e da própria vida. A fé faz do homem um animal único no sentido em que o habilita a transcender a sua existência física e temporal e se relacionar com o seu universo como um todo. Se a fé é o que nos faz mais humanos, faz também exemplos de humanidade aqueles que melhor a exercitam,” complementa Vik Muniz.
Ao se fixar na imagem dos santos, os trabalhos de Vik mostram exemplos de pessoas que colocaram a sua fé acima da própria vida, e que sempre exerceram um enorme fascínio nas mentes artísticas. Não é por coincidência que a história da arte esteja tão relacionada à história da fé. “Grande parte do que admiramos na história da arte está objetivamente relacionada à arte sacra e, subjetivamente, ao ato de acreditar. Eu, como artista contemporâneo, sempre ansiei compartilhar os temas que tanto colaboraram para o desenvolvimento da cultura das imagens. Porém, a minha relação com a imagem sacra sempre foi cerceada, de forma ambivalente, por normas contextuais contrárias à prática ou à ilustração de formas religiosas. É neste contexto único e não ortodoxo que eu encontrei a devida liberdade de trabalhar com estes temas tão próximos da minha vida pessoal e tão distantes da arte atual. Eu que sempre trabalhei com o ato de acreditar, finalmente ilustro aqui, através da confusa lente do olhar contemporâneo, imagens dos que ousaram acreditar mais do que todos. A arte se assemelha mais à vida na forma em que a sua apoteose é a fé nela investida. Os santos, exemplos de fé e transcendência, continuam a nos ensinar a acreditar e a viver como verdadeiros seres humanos”.
Vik Muniz – Nascido em São Paulo em 1961, vive e trabalha em Nova Iorque e Rio de Janeiro. Seu trabalho está presente nas coleções dos grandes museus internacionais como: Art Institute of Chicago, J. Paul Getty Museum, Metropolitan Museum of Art, Museum of Modern Art (New York), Museu de Arte Moderna de São Paulo, e Victoria and Albert Museum em Londres. Além da sua atividade artística, está envolvido em projetos sociais e educacionais no Brasil e nos Estados Unidos. Seu documentário “Lixo Extraordinário” foi indicado ao Oscar de melhor documentário e ganhou o prêmio do público no Festival de Sundance de melhor filme. Em 2011 foi nomeado Embaixador da Boa Vontade pela Unesco. Em janeiro de 2013 recebeu o Crystal Award do World Economic Forum. Em 2014 iniciou a construção da Escola Vidigal, uma escola de arte e tecnologia para crianças da comunidade do Vidigal no Rio de Janeiro. Em 2015 foi convidado pela Gates Foundation para fazer parte do projeto global “A Arte de Salvar Vidas” com a série “Colonies”. Vik tem sido também palestrante convidado em grandes universidades, museu, e eventos como: Oxford, Harvard, Yale, TED Talks, the World Economic Forum, the Museum of Modern Art, New York, Museum of Fine Arts em Boston, entre outros, e programas de residência no MIT e na Skowhegan School of Painting and Sculputure.
Museu de Arte Moderna da Bahia – O Museu de Arte Moderna da Bahia é vinculado ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultura, autarquia da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA). Possui importante acervo de obras e de documentação sobre momentos da cultura baiana e brasileira. Está instalado no Solar do Unhão, um sítio histórico tombado e banhado pela Baía de Todos os Santos. As relações deste sítio com a comunidade, com a cidade e seus contextos históricos, urbanísticos, sociais, políticos e econômicos, influenciaram diretamente o projeto da italiana Lina Bo Bardi para implantação do MAM, resultando em uma proposta de abertura ampla do espaço, marcada pela expressão artística como instrumento crítico para compreensão do mundo.
Serviço
Vik Muniz – Imaginária
Museu de Arte Moderna da Bahia
Abertura da exposição: 05 de julho, às 19h
Permanência: julho a 31 de agosto de 2019
Horário de Visitação: 13h às 18h (terça a sábado)