Grupo Pradarrum mistura ritmos do candomblé e jazz em show no Pelourinho

24/02/2020
f
Foto: Almir Santos

Já imaginou como seria fundir ritmos ancestrais das nações Ketu, Gêge e Angola, como Ilú, Ijexá, Alujá, Kabila, com o jazz? Pois quem esteve no Largo do Pelourinho na noite desta segunda-feira (24) pôde conferir o resultado dessa mistura feita pelo grupo PRADARRUM, capitaneado pelo percussionista Gabi Guedes, o griô senegalês Doudou Rose e a cantora e brasiliense Nãnan. Com o título “Saudação às Matriarcas”, o show prestou homenagens aIyalorixás e Alabês que lutaram pela manutenção das suas comunidades, história e espiritualidade.

“Essa é a nossa maneira de homenagear as nossas matriarcas que nos deixaram um legado, uma cartilha que devemos seguir para preservarmos a nossa cultura e a nossa ancestralidade”, disse Gabi Guedes, ao abrir o show com a canção-tema intitulada “Senhora Mãe”, uma homenagem à Mãe Menininha do Gantois, a mais famosa mãe-de-santo da Bahia.

O objetivo do grupo PRADARRUM é difundir e valorizar a musicalidade presente dentro dos terreiros, através de uma nova forma de apresentar as músicas ancestrais, mas sem ferir ou expor o sagrado. Por isso, como não poderia deixar de ser, a percussão foi o grande destaque do show, ocupando espaço especial no palco. Um grande set de percussão formado por diversos instrumentos, sobretudo aqueles utilizados nos terreiros de candomblé, tomou todo o centro do palco. Gabi Guedes, Doudou Rose e Nanãn, que além de cantora é percussionista, se revezavam entre os instrumentos numa profusão de toques e ritmos.

Os três foram acompanhados por Felipe Guedes (percussão), sobrinho de Gabi, além dos músicos Vinicius Freitas (sax), Juliano Oliveira (teclado), Lucas Maciel (bateria), Matias Traut (trombone) e Marcus Sampaio (baixo). Outros ritmos além do jazz fizeram parte dessa mistura sonora, como a salsa, o samba,e o funk.

A PRADARRUM foi uma das atrações que se apresentaram através do Projeto 3 Artistas, da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), que promoveu outros encontros musicais no palco do Largo do Pelourinho no Carnaval 2020.

Carnaval do Pelô – Realizado pelo Governo do Estado, o Carnaval do Pelô traz cinco dias de folia para o Centro Histórico de Salvador, com atrações que contemplam os diversos ritmos e tribos. O Largo do Pelourinho será palco dos principais shows da festa, promovendo encontros musicais variados para marcar a memória de cada folião. Nos largos Pedro Archanjo, Tereza Batista e Quincas Berro D’Água a mistura traz axé, samba, orquestra, antigos carnavais, rap, afro, guitarra baiana, arrocha e reggae, além de bailes infantis para unir toda a família. As ruas do Pelô mantêm a tradição dos desfiles dos grupos e bandas, sempre em clima de animação e muita paz. Tudo isso torna o Pelourinho o circuito mais diversificado e democrático da folia.

Carnaval da Cultura – Fundamentado nas matrizes que construíram a nossa história, expressadas através das danças e musicalidade dos blocos afro e dos afoxés, na alegria e no gingado do samba, na força e balanço do reggae, que integram o Carnaval Ouro Negro em 2020. Com a diversidade de gerações e de ritmos que ocupam os palcos do Carnaval do Pelô, e que ainda toma conta das ruas mantendo a tradição que une os foliões no Centro Histórico. Por meio destes projetos de grande participação comunitária e popular, o Carnaval da Cultura, que integra o Carnaval da Bahia, do Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura, dá continuidade às políticas de preservação e democratização na maior folia do mundo, que segue colorida, diversa e com o espírito folião que contagia todo baiano.

Repórter: Gabriela Fonseca