Microtrio de Ivan Huol defende preservação das águas em desfile no Pelourinho

24/02/2020
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Foto: Rebeca Thaís


Depois de desfilar na Mudança do Garcia, tradicional movimento carnavalesco de Salvador que leva para a avenida, de forma bem-humorada e irreverente, protestos políticos e críticas sociais, o microtrio de Ivan Huol seguiu para o Pelourinho, onde desfilou no circuito Batatinha, na tarde desta segunda-feira (24). Com o tema “Em Águas”, o microtrio chamou atenção pela decoração inspirada no fundo do mar, e despertou os foliões para a importância da valorização hídrica e da preservação das águas dos mares, oceanos e rios.

Conchas, algas e peixes estampavam o microtrio, que levava à frente uma manequim dessas usadas em loja, equipada com acessórios de mergulho e frases pintadas no corpo como “meu corpo, minhas regras” e “não é não!”, uma referência à campanha Respeita as Mina, realizada pelo Governo do Estado.

“O tema surge como resposta ao descaso com o meio ambiente presenciado no Brasil nos últimos anos, que contamina nossos mananciais hídricos, o descaso com o óleo nas praias do nordeste”, explicou o ator Beto Mettig, que é responsável também pela comunicação do microtrio.

O microtrio de Ivan Huol, comandado pela banda formada por Cinho Damatta (voz e violão), Ivan Bastos (baixo e vocal), Ivan Huol (bateria e voz) e Sérgio Albuquerque (guitarra baiana), é conhecido por seu repertório repleto de releituras de músicas produzidas na Bahia nos últimos 50 anos, indo desde a guitarra baiana de Moraes, Armandinho e Pepeu até os primórdios do axé.

“O microtrio faz um Carnaval diferente, no qual os músicos e a música estão mais perto dos foliões, além disso, as pessoas estão redescobrindo a força do início do axé com Gerônimo e Luiz Caldas, e tudo isso faz com que tanta gente vá atrás do microtrio”, argumentou Beto.

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Foto: Rebeca Thaís


Pelô Bossa Reggae –Também desfilou no Pelourinho na tarde desta segunda-feira o nanotrio Pelô Bossa Reggae, conduzido pela banda Estylo Candeal e sua percussão. Como já era de se esperar, no repertório muitos sucessos da Timbalada, além de canções do baiano Edson Gomes e de outros cantores nordestinos como Alceu Valença e Geraldo Azevedo.

Com o corpo pintado de tinta branca como os timbaleiros, Carolina Nunes é de Niterói, no Rio de Janeiro, e aprovou o som da banda Estylo Candeal. “O ritmo deles é muito forte, a batucada é empolgante e o som de muita qualidade, apesar de ser um trio pequeno”, disse ela. Esta é a terceira vez que ela vem ao Carnaval de Salvador e trouxe um grupo de 14 amigos, que se encantaram com o Carnaval do Pelô. “A gente gosta muito do Pelourinho, primeiro por ser tranqüilo, organizado, e seguro para as crianças, mas também pelas nossas raízes africanas que são muito presentes aqui”, destacou Carolina

Carnaval do Pelô – Realizado pelo Governo do Estado, o Carnaval do Pelô traz cinco dias de folia para o Centro Histórico de Salvador, com atrações que contemplam os diversos ritmos e tribos. O Largo do Pelourinho será palco dos principais shows da festa, promovendo encontros musicais variados para marcar a memória de cada folião. Nos largos Pedro Archanjo, Tereza Batista e Quincas Berro D’Água a mistura traz axé, samba, orquestra, antigos carnavais, rap, afro, guitarra baiana, arrocha e reggae, além de bailes infantis para unir toda a família. As ruas do Pelô mantêm a tradição dos desfiles dos grupos e bandas, sempre em clima de animação e muita paz. Tudo isso torna o Pelourinho o circuito mais diversificado e democrático da folia.

Carnaval da Cultura – Fundamentado nas matrizes que construíram a nossa história, expressadas através das danças e musicalidade dos blocos afro e dos afoxés, na alegria e no gingado do samba, na força e balanço do reggae, que integram o Carnaval Ouro Negro em 2020. Com a diversidade de gerações e de ritmos que ocupam os palcos do Carnaval do Pelô, e que ainda toma conta das ruas mantendo a tradição que une os foliões no Centro Histórico. Por meio destes projetos de grande participação comunitária e popular, o Carnaval da Cultura, que integra o Carnaval da Bahia, do Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura, dá continuidade às políticas de preservação e democratização na maior folia do mundo, que segue colorida, diversa e com o espírito folião que contagia todo baiano.

Repórter: Gabriela Fonseca