25/02/2020

Tambores e Cores / Foto: Rebeca Thaís
Percussão, ala de dança, música e muita animação. Essas são algumas das principais características das entidades de matriz africana que desfilaram hoje (24), no circuito Batatinha. O destaque foi para os blocos contemplados pelo Carnaval Ouro Negro, gerenciado pelas secretarias de Cultura (SecultBA) e de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi).

Laroyê Arriba / Foto: Rebeca Thaís
O afoxé Laroyê Arriba é uma delas. A entidade desfilou dois dias neste carnaval - sexta (21), no contrafluxo do circuito Osmar e hoje, no Batatinha. Homenageando o orixá Xangô, o afoxé reuniu cerca de 400 pessoas e boa parte destas, religiosos do Terreiro Ilê Axé Ofan Tendewi, localizado no Pelourinho e liderado por Mãe Soraia, que também preside a entidade. “O afoxé leva para o carnaval nossa fé e a representatividade do candomblé, de forma acessível e coletiva”, comenta Soraia Gomes. Ela ainda ressalta que as fantasias são trocadas por 2kg de alimentos, que posteriormente, serão doadas alguma instituição. “Dessa forma, conseguimos assegurar a presença de muitos jovens da comunidade”.
O ator baiano Vinicius Nascimento é baiano e filho da casa. Esse ano fez sua estreia no Laroyê e explica que neste bloco só reforça a valorização pela ancestralidade e pelas referências. “Laroyê também valoriza a representatividade ao abordagem da temática sobre religiões de matriz africana”, reforça Vinicius que ficou conhecido em seu papel no filme O paí, Ó.

Rodopiô / Foto: Rebeca Thaís
Nesta mesma linha, Marcelo Araújo, diretor do bloco de samba Rodopiô apresenta o tema desse ano que busca respeitar a diversidade religiosa, de gênero e sexual. Para ele, os dados de números de violências são grandes pois não é feito um trabalho constante de conscientização. Rodopio também desfila dois dias: quinta-feira, no contrafluxo do circuito Osmar e hoje (24), no Batatinha. Outro ponto em comum é que ambos os blocos só contam com apoio do Ouro Negro para desfilar no carnaval.
Para Wagner Santos, diretor do Tambores das Cores, é a mesma coisa. Só Ouro Negro apoia essas entidades, o que possibilita que as mesmas doem ou façam valores mais acessíveis. “Nossas fantasias são doadas”, conclui o diretor da entidade que celebra 11 anos de existência nesse carnaval.
Carnaval Ouro Negro – O Governo do Estado segue fortalecendo o carnaval dos blocos de matrizes africanas através do edital Carnaval Ouro Negro, que completa 13 anos estimulando a participação de agremiações oriundas das diversas comunidades de Salvador, que tem na folia o ápice para as diversas atividades sociais que são desenvolvidas ao longo do ano. Indumentárias, toques percussivos, danças, performances e cantos fazem parte dos espetáculos, que trazem em si a força da ancestralidade e da tradição. 49 blocos, das categorias afro, afoxé, samba e reggae desfilam este ano com o apoio.
Carnaval da Cultura – Fundamentado nas matrizes que construíram a nossa história, expressadas através das danças e musicalidade dos blocos afro e dos afoxés, na alegria e no gingado do samba, na força e balanço do reggae, que integram o Carnaval Ouro Negro em 2020. Com a diversidade de gerações e de ritmos que ocupam os palcos do Carnaval do Pelô, e que ainda toma conta das ruas mantendo a tradição que une os foliões no Centro Histórico. Por meio destes projetos de grande participação comunitária e popular, o Carnaval da Cultura, que integra o Carnaval da Bahia, do Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura, dá continuidade às políticas de preservação e democratização na maior folia do mundo, que segue colorida, diversa e com o espírito folião que contagia todo baiano.