Foliões brincam o carnaval nas ruas do Pelô

25/02/2020
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Escola de Samba Unidos de Itapuã / Foto: Lucas Rosário


As ruas do Centro Histórico de Salvador ganharam mais vida, cores, confetes, performances, personagens, adereços e serpentinas nestes dias de carnaval, quando uma multidão se concentrou nas ladeiras e vielas do Pelô só “pra ver a banda passar ... cantando coisas de amor”. As músicas que relembraram os antigos carnavais, marca já registrada no Carnaval Pipoca do Pelô, levaram também os foliões a sambar e brincar no ritmo da folia. Toda essa diversão foi proporcionada pelas bandinhas de percussão, bandões, performances e até Escola de Samba, mostrando toda força, criatividade e originalidade do Carnaval do Pelô.

O festival de brincadeiras e também muito samba foi levado aos foliões por atrações como a Escola de Samba Unidos de Itapuã, o Bandão Turma do Bassa e pelos grupos de performance Folia Mamulengo e Filó Brincante, que reuniram a beleza e encanto típico das apresentações de rua do Pelô, levaram o público ao delírio.

E o samba no pé estava mesmo com o Mestre-sala da Escola de Samba Unidos de Itapuã, Taylon Sousa, 16, que desfila pela escola há 5 anos e não troca o samba por nenhum outro gênero da folia. “É muito bom dançar aqui e poder mostrar o meu talento. É importante, sobretudo, porque a Escola nos oferece oportunidades e, se muitas vezes não há emprego nem estudo, podemos contar com importantes projetos sociais como esse aqui”.Já a Porta-bandeira Kathleen Marta Sousa,17,também estava esfuziante desfilando pelas ruas. “Estou há quatro anos desfilando pela escola e para mim essa participação no carnaval do Pelourinho representa alegria, diversão,aprendizagem e sabedoria. Amo esse carnaval”, disse.

Tambores e lindas dançarinas fizeram bonito no Largo do Cruzeiro de São Francisco, onde uma grande roda foi aberta, oferecendo ao público a oportunidade de desfrutar de um verdadeiro sambódromo a céu aberto. Maria Vitória Santos,13, que veio pela primeira vez com a família, de Vila de Abrantes,acompanhava o ritmo da Unidos de Itapuã e não queria mais parar. “Estou gostando demais porque o carnaval daqui é animado demais. É o melhor que tem”.

Nailton Raia,40,um dos diretores da Unidos de Itapuã, Informou que este ano a Escola levou para as ruas o tema "O Real Valor da Vida". “Essa é uma provocação que fazemos com a sociedade e estamos nas ruas no Carnaval do Pelô mostrando que em Salvador tem sim Escola de Samba e este circuito faz com que Unidos de Itapuã seja vista e mostre que faz samba”.

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Turma do Bassa / Foto: Lucas Rosário

Os foliões emendaram o samba com o Bandão Turma do Bassa que entoava “Diga espelho meu se há na avenida alguém mais feliz que eu...”Dona Nair Silva,63,não deixava de dançar. “Isso aqui é muito bom, melhor estraga.Aqui, tudo é alegria.Não troco o Pelourinho por nenhum outro circuito”, disse, seguindo os músicos.

Val Rubens Bassa, o idealizador da Turma do Bassa, também não escondeu a alegria em fazer parte da magia e tradição do Carnaval do Pelô.“Participar do Carnaval de Rua no Pelourinho é para nós, da Turma do Bassa, motivo de muito orgulho e alegria pela importância de ajudar a manter a tradição do Carnaval dos Bandões de sopro e percussão tão essenciais para divertimento do público que faz a opção de visitar o Pelourinho durante a festa momesca”.

Grupos de Performance - E no circuito do samba e dos bandões, teve também muita brincadeira com os grupos Filó Brincante e Folia Mamulengo, que levaram para ruas bonecões e personagens representativos da cultura brasileira.

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Filó Brincante / Foto: Lucas Rosário

O Filó Brincante este ano trouxe para as ruas os 70 anos do Trio Elétrico. “O grupo Filó existe há 35 anos e temos essa característica de trabalhar com conteúdos brincantes, das culturas popular e brasileira, enfatizando sempre temas que valorizem a nossa cultura”, informou a consultora do grupo e pesquisadora da Cultura Brincante, Teresa Oliveira.

Para ela,o Carnaval do Pelourinho se torna importante porque é uma oportunidade direta de interagir com a população.“O Pelourinho oportuniza trabalho para bailarinos e isso faz com muita maestria. A Cultura Brincante é importante para todos e devemos evidenciá-la para termos um Brasil com cara de Brasil e uma Bahia com cara de Bahia”. Esse ano a coordenação do Filó Brincante é de Clóvis Soares,dançarino,bailarino e coreógrafo,de muitos grupos tradicionais e que tem um trabalho interessante na periferia, preparando bailarinos,e de Ricardo Hollywood que toca percussão e dança.

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Folia Mamulengo / Foto: Rebeca Thaís

A brincadeira dos foliões continuou pelas ruas com os bonecões do Folia Mamulengo. O diretor do grupo Mamulengo da Bahia, Elias Bonfim dos Santos, destacou que o Carnaval do Pelô é de fundamental para mostrar e divulgar o trabalho dos grupos culturais. “O público vibra, vai ao delírio, dá risada com os bonecos, tira foto e é altamente gratificante a energia que a gente sente e que o público emana. Os bonecões do Pelourinho não podem faltar no Carnaval de Salvador”, disse.

O carnavalesco lembra que não faz apresentações só no Pelourinho, mas também na Barra, Ondina, Santo Antonio, Ribeira,sempre com um número menor de bonecos. “A dimensão do nosso trabalho é bem mais ampla e, hoje, estamos no último dia de carnaval. A saudade já está começando a bater, porque é muito lindo ver esses bonecos na rua e ver,como agora, o povo sorrindo e curtindo com eles”.

Carnaval do Pelô – Realizado pelo Governo do Estado, o Carnaval do Pelô traz cinco dias de folia para o Centro Histórico de Salvador, com atrações que contemplam os diversos ritmos e tribos. O Largo do Pelourinho será palco dos principais shows da festa, promovendo encontros musicais variados para marcar a memória de cada folião. Nos largos Pedro Archanjo, Tereza Batista e Quincas Berro D’Água a mistura traz axé, samba, orquestra, antigos carnavais, rap, afro, guitarra baiana, arrocha e reggae, além de bailes infantis para unir toda a família. As ruas do Pelô mantêm a tradição dos desfiles dos grupos e bandas, sempre em clima de animação e muita paz. Tudo isso torna o Pelourinho o circuito mais diversificado e democrático da folia.

Carnaval da Cultura – Fundamentado nas matrizes que construíram a nossa história, expressadas através das danças e musicalidade dos blocos afro e dos afoxés, na alegria e no gingado do samba, na força e balanço do reggae, que integram o Carnaval Ouro Negro em 2020. Com a diversidade de gerações e de ritmos que ocupam os palcos do Carnaval do Pelô, e que ainda toma conta das ruas mantendo a tradição que une os foliões no Centro Histórico. Por meio destes projetos de grande participação comunitária e popular, o Carnaval da Cultura, que integra o Carnaval da Bahia, do Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura, dá continuidade às políticas de preservação e democratização na maior folia do mundo, que segue colorida, diversa e com o espírito folião que contagia todo baiano.

Repórter: Guta Barros