Exposição “Ibejis: os gêmeos na Coleção Claudio Masella”

18/09/2020

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“Ibejis: os gêmeos na Coleção Claudio Masella” é o nome da nova exposição virtual que a Diretoria de Museus (Dimus) do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) inaugura em 24/09 como parte da programação da 14ª Primavera dos Museus – realizada em todo o Brasil de 21 a 27 de setembro. A mostra reúne 26 fotos das imagens dos ibejis que fazem parte da Coleção de Arte Africana Claudio Masella, no Centro Cultural Solar Ferrão (Pelourinho).


“Setembro, além da primavera, traz a alegria, a devoção e também a tradição da festa dos Ibejis – divindades gêmeas do panteão nagô cultuadas nos terreiros de candomblé. Para celebrá-los, não deve faltar o tradicional caruru, doces variados e brinquedos. A Coleção Claudio Masella possui um número expressivo de esculturas que representam os orixás crianças. Algumas foram selecionadas para compor essa mostra virtual e todas pertencem à tradição iorubá (Nigéria). Elas expressam a crença, a arte, a criatividade e diversidade de uma das mais significativas culturas que são parte indissociável da história do continente africano e que foram disseminadas na diáspora para a América e, principalmente, o Brasil”, explica Fátima Soledade, coordenadora do Solar Ferrão

 
Segundo Soledade, várias são as narrativas míticas (itans) que contam sobre o nascimento e vida dos orixás gêmeos e com base na obra “Mitologia dos Orixás” de Reginaldo Prandi eles são: ora nascidos de Oyá e Oxóssi, criados por Oxum; ora filhos de Oxum e Xangô que conseguiram enganar a morte e salvar os homens de um fim prematuro. Conta-se também que eram crianças travessas que viviam a pôr fogo na casa e um terceiro irmão precisou ser gerado para apaziguá-los. Um outro itan narra que teriam nascido como abicus (espíritos que nascem para morrer e nascer de novo e morrer, ciclicamente) mandados pelos macacos por vingança a um fazendeiro. A tradição lembra também que podem ser filhos de Yemanjá. Nessa narrativa, um dos gêmeos morre afogado na cachoeira e Orunmilá transforma ambos em imagens de madeira, ordenando que jamais crescessem e brincassem eternamente, unidos, para todo o sempre crianças.

 
A Coleção Claudio Masella de Arte Africana é formada por objetos que representam grupos étnicos localizados em cerca de 15 países da África, como máscaras, estatuetas, instrumentos e utensílios, confeccionados em materiais que variam entre terracota, madeira, metal e marfim. A coleção é composta por mais de 1000 peças. Caracterizam a riqueza e a diversidade da produção cultural africana do século XX, expressada em objetos, sobretudo máscaras, escultura de diversas etnias e localidades da África. O industrial italiano Claudio Masella (1935-2007) morou durante 35 anos na Nigéria e Senegal, onde montou fábricas de móveis. A sua paixão pelas artes e tradições africanas o fez colecionador. Casado com a pernambucana Conceição Ramos, em viagem ao Brasil, conheceu a cidade de Salvador e se encantou com a presença do legado africano em nossa cultura. Em 2004 doou sua coleção ao Governo do Estado.


A Primavera dos Museus, este ano, será excepcionalmente nas redes sociais dos museus IPAC, acompanhado a proposta do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) que une instituições museológicas em torno de atividades para todos os públicos. O tema definido para a edição de 2020 é “Mundo Digital: Museus em Transformação” e, visto o momento de pandemia causada pelo Covid-19, os museus estarão participando com atividades em ambiente virtual.


Solar Ferrão - Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o casarão construído entre o fim do século XVII e início do XVIII possui seis andares e abriga a Galeria Solar Ferrão, o Museu Abelardo Rodrigues e quatro coleções: a coleção de Arte Popular (ampliada pela arquiteta Lina Bo Bardi) que reúne peças representativas da cultura popular do Nordeste coletadas entre as décadas de 50 e 60; a Coleção de Arte Africana Claudio Masella, que mostra a riqueza estética e a diversidade da produção cultural africana do século XX; a Coleção de Instrumentos Musicais Walter Smetak, suíço que marcou a história da música brasileira, influenciando movimentos como a Tropicália; e a Coleção de Instrumentos Musicais Tradicionais Emília Biancardi (com Centro de Referência para pesquisas). O Solar Ferrão integra os espaços administrados pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA).