18/09/2020

Na próxima segunda-feira, 21/09, às 16h, Antônio Luiz Figueiredo (turismólogo e estudioso dos assuntos ligados à cultura africana) será o convidado para a live "Ibejis: os gêmeos na Coleção Claudio Masella" promovida pelo Centro Cultural Solar Ferrão no Instagram @museusdabahia. A live vai abordar a importância do culto aos ibejis na cultura iorubá (África) e também sua difusão através das religiões de matriz africana no Brasil e principalmente na Bahia. O bate-papo trará, também, reflexões sobre os ibejis a partir da Coleção de Arte Africana Claudio Masella que possui um número significativo de estatuetas (78) representativas das divindades gêmeas produzidas pelos iorubás. Dentro desta temática, uma exposição virtual de mesmo nome será inaugurada em 24/09 no Instagram e Facebook @museusdabahia e blog dimusbahia.wordpress.com.
“Setembro, além da primavera, traz a alegria, a devoção e também a tradição da festa dos Ibejis – divindades gêmeas do panteão nagô cultuadas nos terreiros de candomblé. Para celebrá-los, não deve faltar o tradicional caruru, doces variados e brinquedos. A Coleção Claudio Masella possui um número expressivo de esculturas que representam os orixás crianças. Algumas foram selecionadas para compor essa mostra virtual e todas pertencem à tradição iorubá (Nigéria). Elas expressam a crença, a arte, a criatividade e diversidade de uma das mais significativas culturas que são parte indissociável da história do continente africano e que foram disseminadas na diáspora para a América e, principalmente, o Brasil”, explica Fátima Soledade, coordenadora do Solar Ferrão
Segundo Soledade, várias são as narrativas míticas (itans) que contam sobre o nascimento e vida dos orixás gêmeos e com base na obra “Mitologia dos Orixás” de Reginaldo Prandi eles são: ora nascidos de Oyá e Oxóssi, criados por Oxum; ora filhos de Oxum e Xangô que conseguiram enganar a morte e salvar os homens de um fim prematuro. Conta-se também que eram crianças travessas que viviam a pôr fogo na casa e um terceiro irmão precisou ser gerado para apaziguá-los. Um outro itan narra que teriam nascido como abicus (espíritos que nascem para morrer e nascer de novo e morrer, ciclicamente) mandados pelos macacos por vingança a um fazendeiro. A tradição lembra também que podem ser filhos de Yemanjá. Nessa narrativa, um dos gêmeos morre afogado na cachoeira e Orunmilá transforma ambos em imagens de madeira, ordenando que jamais crescessem e brincassem eternamente, unidos, para todo o sempre crianças.
A Coleção Claudio Masella de Arte Africana é formada por objetos que representam grupos étnicos localizados em cerca de 15 países da África, como máscaras, estatuetas, instrumentos e utensílios, confeccionados em materiais que variam entre terracota, madeira, metal e marfim. A coleção é composta por mais de 1000 peças. Caracterizam a riqueza e a diversidade da produção cultural africana do século XX, expressada em objetos, sobretudo máscaras, escultura de diversas etnias e localidades da África. O industrial italiano Claudio Masella (1935-2007) morou durante 35 anos na Nigéria e Senegal, onde montou fábricas de móveis. A sua paixão pelas artes e tradições africanas o fez colecionador. Casado com a pernambucana Conceição Ramos, em viagem ao Brasil, conheceu a cidade de Salvador e se encantou com a presença do legado africano em nossa cultura. Em 2004 doou sua coleção ao Governo do Estado.
Primavera - As atividades fazem parte da14ª Primavera dos Museus, uma ação do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) que une instituições museológicas em torno de atividades para todos os públicos. O tema definido para a edição de 2020 é “Mundo Digital: Museus em Transformação” e, visto o momento de pandemia causada pelo Covid-19, os museus estarão participando com atividades em ambiente virtual de 21 a 27/09.