#LeiAldirBlanc - Documentário baiano "A Viagem dos Búzios" foca na economia em torno do candomblé e da cultura afro-brasileira

22/03/2021

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Por trás de todo sincretismo e dos rituais do Candomblé, há um comércio forte, que movimenta a economia baiana e ajuda no sustento de várias famílias. Este é o principal foco do documentário “A Viagem dos Búzios”, desenvolvido pela roteirista Rubia de Oliveira. Essa é a primeira vez que um filme aborda o assunto, visando chamar a atenção sobre a importância econômica do candomblé para diversos municípios da Bahia e de outros estados brasileiros.

O projeto, selecionado pela Secretaria Estadual da Cultura, terá 72 minutos e está em fase de roteirização. O ineditismo do longa metragem também é essencial para chamar a atenção ao papel social da religião afro. Por meio desse mercado, muitas famílias conseguiram sustentar seus filhos, manter as contas da casa em dia e muitas outras conquistas. Isso é possível por meio da comercialização do acarajé, da coleta e venda de búzios, da confecção de roupas e fabricação de adereços, além da comercialização de objetos utilizados durante os rituais religiosos.

“A Viagem dos Búzios" vai trazer uma visão objetiva sobre os trabalhadores desta indústria que cresce vertiginosamente e que envolve contradições e questionamentos. Desconstruindo o mito da democracia racial brasileira, os objetos, adereços e roupas usados nas celebrações religiosas, antes fabricados em pequenos ateliers, passaram a ser produzidos em larga escala e ganharam as ruas”, explica Rubia de Oliveira.

Segundo a roteirista, a “A Viagem dos Búzios” vai investigar a origem, fabricação e distribuição dos produtos da religião de matriz africana e o seu destino final. O objetivo é pontuar sobre o quesito comportamental do mercado e a importância do aglomerado na renda, produtos e serviços por meio de entrevistas de antropólogos, historiadores, sociólogos, líderes religiosos, adeptos da religião, comerciantes e pessoas comuns. Além de religião, o Candomblé passou a ser uma atividade econômica rentável para centenas de famílias ao redor do mundo.

O documentário também quer mostrar que não são apenas os adeptos do culto do candomblé que se beneficiam financeiramente da religião ou que costumam adquirir objetos de decoração ou adereços da religião.

“Usaremos imagens de pessoas comuns, recém captadas nas ruas da cidade, comprando e comercializando objetos relacionados ao culto do Candomblé para decoração de ambientes ou para uso pessoal. Essas imagens serão apresentadas aos personagens principais, no intuito de provocar a reação mais espontânea do entrevistado, ao se dar conta da popularização do culto religioso”, ressalta a roteirista.

Ela explica que além de quantificar e calcular o peso financeiro dessa economia, o objetivo é também questionar como o modismo do mundo moderno e globalizado afeta as religiões de matriz africana.

O documentário ainda não tem data de lançamento, mas já está na fase de pesquisa e de roteiro.

O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultural do Ministério do Turismo, Governo Federal.

SERVIÇO


A Viagem dos Búzios
Acesse o projeto: Canal no Youtube - A viagem dos búzios
Quando: a partir de 19 de março, no Instagram