#LeiAldirBlanc - Davi Nunes estreia com romance "Um dia para Famílias Negras"

31/05/2021
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Neste romance de estreia, Um dia para Famílias Negras, Davi Nunes ensaia a história de duas famílias pretas de classe média na Cidade do Salvador. O livro se notabiliza pelo seu ineditismo, pois a realidade de uma família negra no Brasil pouco foi abordada englobando a polifonia e a multidimensionalidade da experiência negra em uma escrita de fôlego, o romance.  Todas as ações do livro enredadas pelas personagens ocorrem na dinâmica de um dia, mas esta temporalidade marcada é entrecruzada por diversos tempos, isto é, a história negra na diáspora com todas as suas opressões raciais, arte, beleza, derrotas e vitórias concentrada (como uma epopeia cotidiana) na convivialidade existencial das pessoas negras.

Um dia para famílias negras é um romance-ensaio sobre duas famílias afro-brasileiras: a primeira  possui uma formação epistemológica ligada a uma negritude tradicional, composta por Manu, artista plástico, com o trabalho reconhecido no mundo inteiro, tido, pela crítica de arte, como o Basquiat brasileiro; por Mariá, professora universitária, historiadora renomada e companheira do artista plástico. Os dois têm duas filhas – Amira e Areta – adolescentes que estudam no mais tradicional e sofisticado colégio da Cidade do Salvador. Elas têm as suas negritudes salientadas, devido à educação recebida dos pais e enfrentam, com muita ousadia, as asperezas da antipretitude na escola.

A segunda família, voltada desesperadamente à busca de uma certa brancura, é formada por Fernanda, mãe solteira, que teve um caso com o Belga milionário, Simon Company, originando, assim, o nascimento de Andreia. Simon Company deixou as duas numa ótima situação financeira em Salvador, através da manutenção de uma gorda mesada. Fernanda vive angustiada, buscando apagar a negritude de sua filha (colocando pregador em seu nariz, tentando eliminar os resquícios de negritude, que eram ela mesma na filha). Andreia estuda no mesmo colégio de Amira e Areta e as odeia por ver, nelas, o eu-negro que a personagem busca negar para adentrar o mundo dos brancos na escola. O romance possui um trato psicológico, faz uma radiografia da mente das personagens, demonstra as minudências da antipretitude brasileira, processadas, notadamente, na Cidade do Salvador.

O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal.