#Parte II - Escritoras e escritores reforçam a pluralização de narrativas em celebração ao Dia do Orgulho LGBTQIA+

28/06/2021

O projeto Antologia Terra, por meio de uma chamada aberta, reuniu artistas racionalizados e LGBTQIA+ com objetivo de refletir sobre a espécie humana e sua necessidade de habitar o espaço, entendendo as necessidades biológicas que nos excluem do espaço aéreo e marítimo enquanto locais possíveis de sobrevivência. Entre os autores contemplados, destacamos Josiane Alves como poema Ahosi e Gustavo Reis, com Verdades.


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Josiane (25) é poeta, educadora, graduanda em Letras de Língua Portuguesa. Mulher taurina, lésbica, criada no interior da Bahia, filha de vênus (como ela mesmo diz) “o amor é uma ferramenta importante na minha vida, seja para o autocuidado, para catalisar reflexões pessoais, ou funcionando como um lugar de potência”. 

 

A leitura e a escrita sempre estiveram presentes em sua vida. Josiane conta que iniciou sua relação com a poesia quando começou a se relacionar com a sua companheira, em 2017. “Escrevi muitos poemas para ela, e líamos muitos poemas também”. Desde então, participa de algumas antologias poéticas e suas elucidações acerca do amor, são visíveis nas escritas. Para ela, “refletem uma trajetória trilhada de autoconhecimento, além de estratégias empenhadas para sobreviver nessa sociedade homofóbica e racista”, comenta.

 

Em suas referências literárias, elenca nomes como Audre Lorde, Stella do Patrocinio, Beatriz do Nascimento, Conceição Evaristo, Tatiana Nascimento, Hilda Hilst e Maya Angelou. Escritoras ativista e referência nas lutas feministas, LGBT, do movimento negro e pelos direitos civis.


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Gustavo (25) é tatuador e conta que se considera um multi artista. Gosta de se envolver com tudo ligado à arte. Homem trans, nascido em Salvador, viu com a premiação a oportunidade de uma grande representatividade para sua comunidade. “Poucos são reconhecidos e não tem o reconhecimento que merece”, pontua.

 

Para ele, a representatividade proporcionada pela literatura tem importância fundamental por ajudar e inspirar cada vez mais outros garotos. “A arte é algo que salva a gente em meio a tantas coisas ruins que ocorrem”. Gustavo traz como referência autores como Clarice Lispector e Monteiro Lobato e indica a leitura de Antologia poética e inéditos  de Florisvaldo Mattos, jornalista e poeta baiano.

 

Para Armando Almeida, diretor estadual do Livro e Leitura da FPC, é muito importante estimular a diversidade cultural, a pluralidade e a polifonia. “Apoiar a pluralidade de expressões socioculturais passou a ser não apenas uma questão de justiça social, ela passou a ser um compromisso de todos aqueles que defendem a democracia e o Estado de direito”.

 


Programa Aldir Blanc Bahia – Criado para a efetivação das ações emergenciais de apoio ao setor cultural, o Programa Aldir Blanc Bahia (PABB) visa cumprir os incisos I e III da Lei Aldir Blanc (Lei Federal nº 14.017, de 29 de junho de 2020) e suas regulamentações federal e estadual. As ações são a transferência da renda emergencial para os trabalhadores e trabalhadoras da cultura, e a realização de chamadas públicas e concessão de prêmios. O PABB tem execução pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, geridas por meio da Superintendência de Desenvolvimento Territorial da Cultura e do Centro de Culturas Populares e Idenitárias; e as suas unidades vinculadas: Fundação Cultural do Estado da Bahia, Fundação Pedro Calmon, Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural.