11/08/2021

Artistas visuais dos mais diversos campos da linguagem, pesquisadores, políticos e dirigentes da Fundação Cultural do Estado da Bahia se reuniram na terça-feira (10) para retomar os diálogos dos Salões de Artes Visuais da Bahia – edição 2022. Na ocasião, convidados e participantes da sociedade civil compartilharam suas expectativas acerca dos Salões que retornam 30 anos após a sua primeira edição. A transmissão aconteceu através do canal da Funceb no youtube e está disponível para visualização.
A diretora geral da Funceb, Renata Dias, destacou a importância dessa comunicação com os diversos públicos da instituição: “A gente vê o diálogo como ponte para o aprimoramento da palavra em benefício da classe artística. Estamos deflagrando uma etapa de escuta que vai nos orientar a respeito dessa modelagem para entendermos melhor as expectativas dos artistas do campo das artes visuais que pretendam fazer parte desta nova edição dos Salões de Artes Visuais”.
“Sabemos que a última edição dos Salões aconteceu há sete anos num contexto bastante distinto ao de hoje, principalmente no sentido do reconhecimento do fazer artístico. Os artistas correspondem a 4% do PIB brasileiro atualmente, e precisam ser reconhecidos como profissionais que são. Dar a continuidade, portanto, dos 30 anos de Salões, não pode ser um assunto intrínseco àqueles agentes imbricados na cadeia das artes, representa, sobretudo, um ato intransferível de cidadania e passa por apropriação do fazer artístico na esfera pública, no fazer político”, finalizou a diretora geral. O coordenador de Artes Visuais da Funceb, Marcelo Reis, apresentou um histórico dos Salões de Artes Visuais, o mais antigo projeto continuado da Funceb, lançado em 1992, no município de Alagoinhas, com o nome de Salões de Artes Plásticas da Bahia. Até o seu vigésimo ano, quando o nome do projeto foi alterado, os Salões não sofreram grandes alterações. “Essa nova terminologia vai ao encontro com as questões contemporâneas das artes visuais, que passa então a admitir obras de outras linguagens dentro do contexto de arte visual, como a performance, a arte de rua e diversas outras linguagens que não cabiam na concepção inicial das artes plásticas”, destacou o coordenador.
A artista visual soteropolitana Eneida Sanches participou do diálogo e revelou que ao longo desses 30 anos acompanhou os Salões e chegou a participar de algumas edições. Sobre sua expectativa para a próxima edição, revelou: “a gente precisa de um derramamento de produções dos lugares mais distantes, para que se tornem visíveis e cada vez mais ampliáveis. Projetos que saem do interior para a capital, e da capital para outras regiões, é o caminho natural dos artistas. A instituição pública tem o papel fundamental para que o artista possa fazer esse percurso profissional. É importante trazer debates, falas e questões que aprofundem a relação do artista com o seu processo artístico. Que a gente possa trazer linguagens diversas, senão a gente vai continuar simplesmente falando das belas artes, que no final das contas é uma fala colonial, então que a gente possa começar a institucionalizar o decolonial dentro dos Salões também”.
A deputada federal Lídice da Mata, participou como convidada e relatou: “tenho buscado ano a ano dedicar emendas orçamentárias para o fortalecimento da cultura baiana. Reconheço a importância da arte não só em seu papel de formação e afirmação das identidades do povo baiano, como também da importância e impacto que isso tem na cultura e sobrevivência do nosso povo. O nosso grande desafio é poder, nesse processo, garantir a democratização do acesso a essa arte pela população”.Expectativas para edição 2022
Após essa primeira etapa de escuta, será formada uma Rede de Pensamentos com a participação de pesquisadores e professores convidados das universidades federais da Bahia. Juliana Gontijo, curadora e professora da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), apresentou um panorama de projetos criados na universidade que ajudaram a ampliar o contexto local das artes visuais.
“Espero que os Salões, através de um amplo mapeamento da produção artística do estado para além da capital, possam abraçar com respeito e entusiasmo a diversidade e complexidade da produção artística baiana, incluindo, por exemplo, as artes indígenas contemporâneas aqui do sul da Bahia, e produções com influência de matriz africana, promovendo encontros e debates que favoreçam novas ideias, intercâmbios e aprendizados. Enquanto docente, afirmo meu interesse em continuar colaborando para as próximas edições dos Salões de Artes Visuais”, destacou a professora Juliana Gontijo.

O presidente do Conselho de Cultura do Estado da Bahia, Silvio Portugal, refletiu: “acredito que o cenário pandêmico irá influenciar muito nestas novas criações. Considero fundamental essa escuta com a sociedade civil, com os fazedores de cultura e com os artistas visuais de maneira geral para obter sugestões novas e demandas atualizadas dos territórios. Fico feliz com esse retorno, essa realização é fundamental para reacender essa chama perdida que havia com esses salões até 2014. A efervescência dos Salões de Artes Visuais da Bahia era imensurável, essa emoção, essas novas comunicações simbólicas provocadas por esses encontros eram fantásticos e só poderiam ser reproduzidas de novo com esses novos diálogos”.
Após a participação dos convidados, o público pôde fazer perguntas, comentários e dar sugestões para a nova edição dos Salões. Heitor de Santana Rodrigues perguntou se já existe um planejamento de quais cidades receberão os Salões e de que forma a Funceb pretende interiorizar ainda mais a arte e cultura na Bahia.
O coordenador de artes visuais e a diretora geral da Funceb explicaram que o momento é justamente de escuta, inclusive das sugestões de cidades que poderiam vir a receber as exposições. “Após a escuta da sociedade civil, pretendemos fazer uma ampla pesquisa de campo, no ano que vem haverá encontro de ateliês, seminários, oficinas, para enfim chegarmos à seleção e exposição”, explicou Marcelo Reis. Além disso, nos próximos dias estará disponível no site da Funceb um formulário online de Consulta Pública para receber sugestões acerca edição 2022 dos Salões de Artes Visuais da Bahia.