21/10/2021
A cultura, a agricultura e a arte estão ocupando o mesmo espaço e atraindo visitantes de vários lugares para a Feira Agroecológica do Museu de Arte da Bahia (MAB), no Corredor da Vitória, em Salvador. A iniciativa, que vem ofertando produtos agroecológicos frescos e saudáveis para a comunidade, cumpre a dupla missão de apoiar os agricultores familiares com a venda da produção, antes parada devido à pandemia, e ainda ajudar famílias carentes de bairros de Salvador, que ganham cestas com alimentos dos agricultores.
A agricultora Maria de Lourdes Rocha, 65, se deslocou do Quilombo de Corduaria, no município de Camaçari, Região Metropolitana de Salvador (RMS), para vender beiju nos sabores açafrão, beterraba, goiabada e tradicional, além de bolo de carimã, feijão verde, pamonha, bolo na palha de carimã assado, tapioca, goma de beiju e biscoitinhos de goma. "Essa feira é muito importante porque temos alimento puro e sem agrotóxico. Gosto de participar porque tiro meu alimento do que faço", revelou a agricultora.
Para Edio Gomes Silva, 52, que veio de Monte Gordo, a venda de mel, tomate, abóbora, beiju e saborosas cocadas de coco, maracujá, tamarindo e gengibre, entre outras iguarias, representa renascimento. "Para a gente como agricultor, estamos renascendo, voltando a plantar, a colher, e, o principal, a vender. A feira é muito importante porque daqui tiramos nosso alimento, nosso sustento, depois de mais de um ano sem comercializar devido à pandemia", disse, mostrando o Certificado de Conformidade Orgânica, emitido pela Rede de Agroecologia Povos da Mata e Ministério da Agricultura.
Elza Monteiro, 43, da comunidade de Tiririca, em Barra de Pojuca, levou para a barraca hortaliças, verduras, frutas e legumes. "É muito importante vendermos nossos próprios alimentos e termos nossa renda. Estou muito feliz em participar desta feira".
A coordenadora da feira, Arlene Guimarães, informou que a Feira Agroecológica do MAB já existia e funcionou por dois anos, mas que com a pandemia houve uma parada de mais de um ano, o que levou muitos agricultores familiares a passarem por uma situação muito difícil, lutando para sobreviver. "A feira era da RedeMoinho, Rede de Cooperativas, de Comércio Justo e Solidário. Agora, ampliamos mais para atender as necessidades dos agricultores e da comunidade. O CESE apoiou e hoje, junto com a RedeMoinho, compra as cestas dos agricultores que, por sua vez, são entregues a catadores de lixo".
Ela destacou que os agricultores não tinham dinheiro para escoar a mercadoria e não tinham mais como sobreviver, nem pagar água e luz, com a pandemia. "Eles agora vêm de outros municípios, mas sabem que a venda de seus produtos já é certa, pois o CESE fornece o transporte dando 150,00. Desse modo, são feitas 3 cestas com os produtos agroecológicos, que são doadas pelo agricultores a cooperativas de materiais recicláveis de Salvador, ajudando famílias em situação de vulnerabilidade", explicou.
Já Eduardo Guimarães, que também coordena a Feira Agroecológica do MAB, ressalta que a iniciativa é importante porque une agricultura, cultura e arte. "É uma oportunidade para estes agricultores que, em sua maioria, vieram da Feira da UFBA e estavam sem ter onde comercializar com a pandemia", informou.
O casal alemão Ediane do Monte, 66, e Diete R, 82, moradores da Avenida Princesa Isabel, destacaram que a ideia da Feira Agroecológica é magnífica. "Estou até emocionada por ter a oportunidade de adquirir produtos nesta feira porque são orgânicos e somos vegetarianos. Essa proposta é um exemplo de inclusão no Brasil. Aqui, os agricultores podem ter autonomia e a produção é de alta qualidade. Toda quinta estou aqui e é muito lindo essa troca com eles, de carinho e solidariedade", comentou Ediane.
Museu de Arte da Bahia - O Museu de Arte da Bahia integra os espaços administrados pela Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (DIMUS/IPAC), da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA). É o mais antigo museu do Estado, criado em 1918 no prédio anexo ao Arquivo Público e transferido em 1982 para sua atual sede, no Corredor da Vitória. O seu acervo é constituído por 13.686 peças adquiridas ao longo do tempo, através da compra pelo Estado da Bahia de obras de grandes coleções particulares.