
Dia 11 de novembro é marcado na história mundial como aniversário da Independência de Angola, concretizada em 1975 e proclamada pelo poeta angolano, Agostinho Neto - o primeiro presidente da república do país. Deste então, a relação cultural entre Brasil e Angola, mais precisamente, com a Bahia, vem se estreitando, inclusive no campo do livro, leitura e literatura. Um dos sinais deste estreitamento é o Centro Cultural Casa de Angola na Bahia, localizada na Baixa dos Sapateiros (Salvador) e guarda a história e a tradição do país africano.
O Centro Cultural Casa de Angola na Bahia foi criado em 5 de novembro de 1999 e consolida os laços culturais entre Brasil e Angola. O Centro é composto por biblioteca, museu e espaço aberto para atividades culturais e vem aproximando autores brasileiros e angolanos, fortalecendo as escritas das comunidades lusófonas. Um dos resultados mais recentes foi à participação do escritor angolano, Gociante Patissa, na segunda edição da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), realizada em 2018.
Na ocasião, Gociante participou de duas atividades na Flipelô e dividiu mesa com Sérgio Túlio Caldas e o diretor geral da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo; e com carioca Geovani Martins e João Jorge Rodrigues, presidente do Olodum. E para ilustrar como esta relação é sólida e produtiva, o diretor da Casa de Angola na Bahia Benjamim Sabby, participou do #FPCComunica sobre a independência de Angola e sobre a relação entre os países.

FPC - Qual a importância de comemoração dos 46 anos de independência de Angola?
Benjamim - A independência de Angola, conquistada ou proclamada é uma das maiores conquistas do povo angolano, que viveu sob dominação colonial portuguesa por cerca de cinco séculos, apesar de sempre fazer resistência. Esta dominação foi finalizada em 11 de novembro, quando foi proclamado pelo então presidente Augustinho Neto, a Independência de Angola. Por isto, é uma das datas mais importantes de Angola, celebrada com festa, com reflexão e com muito júbilo.
É comemorado com muita alegria. Uma data muito importante e estando aqui no Brasil, vivendo aqui no Brasil, estando com a comunidade angolana na Bahia o significado é ainda maior, sobretudo porque estamos na diáspora. Não estamos no nosso país, mas a importância é dobrada Brasil foi o primeiro país a reconhecer a independência de Angola. Antes das Nações Unidas, antes de outros países do mundo. O Brasil reconheceu a independência da Angola e isso foi um ato político muito importante que levou a outros países também a seguirem este caminho de conhecimento. Nós vivemos há quarenta e seis anos independentes, donos do nosso próprio destino. Somos um país soberano e essa é a importância da independência para o povo angolano.
FPC - Você pode falar um pouco mais sobre a relação estabelecida entre Brasil e Angola, através da Casa de Angola – Bahia?
Benjamim - Existe uma relação especial entre os dois povos. Sentimos que os angolanos são muito queridos no Brasil e com certeza, os brasileiros também são muito queridos em Angola. Estou falando da relação dos povos, a relação entre as pessoas. Mas as relações de Estado também são boas e já são bem desenvolvidas e estreitas. Desde a nossa independência, o Brasil é para Angola um país de classe A, então há uma atenção especial.
Além da história que nós temos os laços históricos e culturais que existem entre Angola e o Brasil. Sabemos que uma parte importante da população brasileira é descendente de Angola. Só para termos uma ideia, século XVIII mais de 78% dos homens, mulheres e crianças escravizadas que aportaram nos vários portos do Brasil eram de origem angolana.

Foto: Centro Cultural Casa de Angola
FPC – Como a Casa de Angola na Bahia fortaleceu esta relação?
Benjamim - Aqui na Casa de Angola atuação é mais na área da cultura e temos muitos pontos em comuns entre as duas culturas. Desenvolvemos um trabalho envolvido com a visibilização, a promoção e a divulgação da cultura angolana aqui no Brasil. Também, desenvolvemos intercâmbio entre artistas e agentes culturais dos dois países; contribuímos com instituições e pessoas que individualmente queiram conhecer Angola. Dispomos de uma biblioteca que tem servido de base para muitos especialistas, estudantes universitários e até investigadores.
Então nós trabalhamos com esta cooperação e com esta vontade de criar cada vez mais parcerias entre artistas, agentes culturais e especialistas de Brasil e de Angola. Temos uma programação que ficou um pouco abalada com a pandemia, onde ficámos mais de um ano parado, mas agora estamos retomando aos poucos e pensamos que no próximo ano vai ser muito melhor. Vamos poder ter mais arte e cultura angolana na Casa de Angola na Bahia e em espaços que pertence a nossos parceiros.
A Casa de Angola se disponibiliza a ajudar brasileiros que queiram conhecer Angola e que queiram mostrar arte e cultura em Angola. Então o nosso trabalho está, sobretudo no estreitamento cada vez mais dos laços e na divulgação da arte e da cultura angolana em Salvador na Bahia e no Brasil em geral.