06/06/2022
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O cantor Pedro Pondé celebrou os 20 anos de carreira | Foto: Ramon Lebre
Com filas de pessoas à espera de uma chance para entrar nos Largos Quincas Berro D’água e Tereza Batista, o Festival Panorama da Música da Bahia – PAMBA chegou ao fim na noite de ontem, sábado (04). Durante três dias, o festival reuniu uma mostra diversa e representativa da música contemporânea produzida na Bahia com shows gratuitos no Pelourinho. No último dia, subiram ao palco desde artistas com 20 anos ou mais de carreira e que seguem em intensa produção, como Pedro Pondé e Ronei Jorge; a artistas com até 15 anos de estrada como Roça Sound, Lívia Nery, Coral e a banda Dona Iracema; até nomes recém-chegados ao mercado musical baiano, como Melly e Laiô.

A cantora Laiô | Foto: Lucas Rosário
A cantora Laiô abriu a noite de shows no Largo Quincas Berro D’água com sua mistura rítmica de afrobeat, funkmusic, rock e MPB, e já durante a apresentação da segunda atração da noite, a banda Dona Iracema, o largo havia atingido a sua lotação máxima. Enquanto o rock pesado marcado por influências regionais da banda conquistense tomava conta do largo, uma fila já se formava do lado de fora. Lucas Barros, de 22 anos, conseguiu chegar cedo para garantir lugar no gargarejo de sua atração favorita. Fã de Dona Iracema desde 2018, ele disse que a banda não podia ficar de fora do PAMBA, pois seu som é único. “Eles têm um estilo próprio, misturam o baião com heavy metal e isso é incrível, uma mistura inédita”, disse ele explicando o estilo da banda denominado caanticore iracemático.

A cantora Melly | Foto: Ramon Lebre
Promessa da novíssima geração, a cantora Melly, de apenas 20anos, mostrou que já possui um público fiel e arrebatado por sua mistura de soul, R&B e trap. A cada nova canção puxada pela artista e sua banda, o público cantava junto com a letra na ponta da língua. E esse mesmo público permaneceu para conferir o show do veterano Pedro Pondé, que comemora 20 anos de carreira. Para quem conheceu o artista nas bandas O Círculo e Scambo, no início dos anos 2000, talvez estranhe um pouco vê-lo flertar com o arrocha e o pagode, e até mesmo as reações do público que agora acompanha com palmas a canção “Depois de ver”. O fato é que o artista se renova sem perder a sua personalidade, e continua se comunicando com uma juventude que se sente representada em suas letras e narrativas, ampliando o seu público que vai desde a geração dos 20 até os 40 anos de idade.
João Paulo Rodrigues, de 34 anos, foi ao Festival PAMBA para ver, especialmente, Pedro Pondé, artista que ele só ouviu pela primeira vez em 2018, mas garante que já conhece todo o repertório da carreira. Para ele, a conexão com Pondé vem desde o seu jeito “acessível de receber o público de braços abertos”, até as mensagens de suas letras. “’Vejam vocês’ foi uma música que me marcou, em 2018, que era aquela polarização, você ficava desacreditado com a política, e aí ouvir aquela mensagem abre uma esperança”, disse João Paulo. Já, Marcos Almeida, de 31 anos, diz que a “conexão de Pedro Pondé com a Bahia é diferente”, e que “quando se fala em música baiana tem que ter Pedro Pondé”. Os dois amigos comemoraram também a presença da banda Dona Iracema no festival: “o rock baiano continua vivo”, disseram.

A cantora Coral | Foto: Ramon Lebre
Já no Largo Tereza Batista, que também alcançou lotação máxima na noite de ontem, quem abriu foi a cantora e compositora jequieense Coral, com suas canções repletas de influências do universo do sertão. Quem subiu ao palco em seguida foi Ronei Jorge, ex-vocalista da banda Saci Tric, nos anos de 1990, mas que ganhou projeção a partir de 2003 com a banda Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta e sua mistura inteligente de rock, pop e MPB. Lívia Nery tocou em seguida, apresentando seu som experimental, e quem encerrou a noite foi a banda feirense Roça Sound, que mistura a sonoridade das culturas nordestinas e afro-americanas através de elementos do rap e reggae, dentre outras influências negras.
Sobre o Festival Panorama da Música da Bahia – PAMBA – O PAMBA é uma realização da SecultBA, através do Centro de Culturas Populares e Identitárias – CCPI e da Fundação Cultural do Estado, que selecionou 20 bandas baianas para representar a produção musical contemporânea no estado. Além da programação musical, o PAMBA também teve uma série de atividades formativas como palestra, workshop e mesas-redondas. Trata-se de uma iniciativa que visa a promoção e fomento da música baiana e das cenas contemporâneas autorais, por meio da promoção do encontro de seus artistas, produtores e agentes.
Sobre o Festival Panorama da Música da Bahia – PAMBA – O PAMBA é uma realização da SecultBA, através do Centro de Culturas Populares e Identitárias – CCPI e da Fundação Cultural do Estado, que selecionou 20 bandas baianas para representar a produção musical contemporânea no estado. Além da programação musical, o PAMBA também teve uma série de atividades formativas como palestra, workshop e mesas-redondas. Trata-se de uma iniciativa que visa a promoção e fomento da música baiana e das cenas contemporâneas autorais, por meio da promoção do encontro de seus artistas, produtores e agentes.