No primeiro carnaval sem Moraes Moreira, Juliana Ribeiro homenageia o cantor no Largo do Pelourinho

20/02/2023
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Foto: Ulisses Dumas

Cantando sucessos de Moraes Moreira, ícone da música baiana e brasileira, mas em especial, dos carnavais de Salvador, Juliana Ribeiro se apresentou no Largo do Pelourinho neste domingo (19). Intitulado “Na Moral, Moraes!”, o show reuniu olhares curiosos do público que mesmo com uma chuva torrencial do meio para o fim, não dispersou da frente do palco.

Juliana, sempre deslumbrante, vestia vermelho e além de cantar músicas de Moraes Moreira, que faleceu em 2020, também cantou “Mulher do Fim do Mundo”, de Elza Soares. Ela, que sempre fala nos palcos sobre o empoderamento da mulher, da mulher negra, dos povos indígenas e da comunidade LGBTQIA+, agradeceu ao Governo do Estado pela participação no carnaval de Salvador. Para a artista, já era hora de um governador autodeclarado indígena ocupar o poder. “A causa indígena é minha, a causa gay é minha, a gente quer um Brasil melhor ou não quer?”, questionou a cantora ao se apresentar.

“Eu sou uma mulher preta que não consigo tolerar na minha alma, violências, puxões de cabelo, agressões, não consigo! Não é porque é carnaval que temos que tolerar isso”, explicou Juliana. “É muito importante a música nesse aspecto porque a melodia chega às pessoas e leva a mensagem mais do que um discurso, muitas vezes mais até do que um texto”, completou.

Juliana alertou que Moraes Moreira já falava sobre o respeito à mulher há muito tempo. “Eu era menina e ele dizendo que os homens não deveriam puxar o cabelo das mulheres”, disse a sambista. “Estou fazendo essa homenagem a Moraes por vários motivos, mas em especial por isso: ele foi um cara sensível que conseguiu ler a alma das mulheres de uma forma bacana e muito positiva”, explicou Ribeiro.

Outros largos – No Largo Quincas Berro D’água, logo após Aloísio Menezes subir ao palco e também homenagear diversos artistas, a Banda Pagodão estremeceu o público ao cantar o clássico “Gererê” na abertura do show. Sob o comando de Richard Lima, considerado pelo produtor do grupo Matheus Assis, como um prodígio do gênero musical, a Banda Pagodão fez homens, mulheres e crianças cairem no swing do samba e do pagode baiano.

Um pouco mais tarde, às 22h30, subiu ao palco o cantor oriundo da Cidade Baixa, Diego Moraes. Ele que interpreta músicas majoritariamente do ritmo arrocha traz para o carnaval de 2023 elementos que fazem parte da história do gênero, e também, fez homenagem a cantores consagrados do estilo, como Pablo, Silvanno Salles, Nara Costa, Tayrone e mais.

Carnaval da Cultura – É o carnaval dos blocos afro, de samba, de reggae e dos afoxés, apoiados por meio do Edital Ouro Negro para desfilar nos três principais circuitos da folia: Batatinha, Dodô e Osmar. É a folia animada, diversa e democrática do Carnaval do Pelô, que abraça o carnaval de rua, microtrios e nanotrios, além de promover nos palcos grandes encontros musicais e variados ritmos numa ampla programação. Tem Afro, Reggae, Arrocha, Axé, Antigos Carnavais, Samba, Hip-hop e Guitarra Baiana, além de Orquestras e Bailes Infantis. E é também a preservação do patrimônio cultural, com o apoio ao carnaval tradicional dos mascarados de Maragojipe. O Carnaval da Cultura é promovido pelo Governo do Estado, Carnaval 2023 – “Um Carnaval em Cada Esquina”.