Micareta de Feira: desfile de grupos culturais contará com apoio da SecultBa

18/04/2023

Lançamento Micareta de Feira


A Secretaria de Cultura do Governo do Estado da Bahia (SecultBA) vai apoiar 16 entidades de matrizes africanas, entre blocos afro, de samba e afoxé, na Micareta de Feira de Santana 2023. Além de financiar as entidades locais, a Secretaria apoiará a apresentação de Negra Jhô e Corte Africana, Banda Didá, Afoxé Filhos de Gandhy e Malê De Balê nesta tradicional festa do calendário baiano, que acontecerá de 20 a 23 de abril.

Com forte presença de expressões da cultura popular ligadas aos seus territórios rurais e quilombolas, a Micareta de Feira de Santana será ainda mais representativa, com 70% de sua programação composta por artistas e grupos negros. "Seguindo as políticas públicas de fomento que garantem a igualdade de oportunidades, vamos valorizar e apoiar grupos que são responsáveis pela manutenção da riqueza cultural e da ancestralidade dos povos do território Portal do Sertão", destaca o secretário de Cultura, Bruno Monteiro.

Realizada desde 1937, a Micareta de Feira atrai foliões e folionas de diversos municípios baianos para esta que é a segunda cidade mais populosa do estado, com mais de 620 mil habitantes. Apelidada por Ruy Barbosa de "Princesa do Sertão", Feira mostra toda a sua diversidade cultural numa de suas avenidas mais importantes, a Avenida Presidente Dutra, que durante a festa vira o Circuito Maneca Ferreira, em homenagem ao criador dos famosos carros alegóricos das décadas de 40 e 50.

O Governo do Estado fortalece o desfile dos blocos de matrizes africanas, que têm na folia o ápice para as diversas atividades sociais que desenvolvem durante o ano. Indumentárias, toques percussivos, danças, performances e cantos fazem parte dos espetáculos, que trazem em si a força da ancestralidade e da tradição, na construção de uma cultura cidadã. Em 2010, o desfile dos afoxés, também chamados “Candomblés de Rua”, foi registrado como Patrimônio Imaterial da Bahia, uma data marcante na história do Carnaval de Feira de Santana.

Confira as entidades apoiadas pela SecultBa na Micareta de Feira 2023:

Associação Bloco Afro Flor de Ijexá - Um dos blocos afro mais antigos de Feira de Santana, o Flôr de Ijexá foi fundado em janeiro de 1980 como grupo de afoxé, mas, devido à discriminação e a intolerância religiosa na época, mudou de categoria e passou a ser um bloco afro. Oriundo de um centro de culto africano, o Flôr de Ijexá nunca deixou de se identificar com os seus orixás, através do seu canto e das suas indumentárias. Foi campeão da Micareta por cinco vezes seguidas, ganhando a admiração do público quando entrava na Avenida. O bloco mantém uma oficina de fabricação de instrumentos que são vendidos para as entidades locais, utilizando a mão de obra de jovens da comunidade que recebem uma bolsa mensal e cestas básicas.

Bloco Afro Cultural Nelson Mandella - Fundado em maio de 1990, o bloco tem como objetivo oferecer às crianças do bairro Rua Nova conhecimento sobre a cultura africana através de atividades e oficinas de dança, percussão e artes. Além de participar da tradicional Micareta, o bloco também marca presença no Folclore e Dia da Consciência Negra.
Bloco Afro Cultural Feira África Axé - Fundado de maio de 1991, o bloco estreou na Micareta de Feira com o tema “Tributo a Mahatma”, uma homenagem a Gandhi, sendo o grande vitorioso do desfile daquele ano. Durante o ano, o bloco oferece aulas de percussão para a comunidade.

Grêmio Recreativo Escola de Samba Brasil Meu Samba - Fundado em julho de 1991 com o objetivo de difundir o samba e a cultura negra em Feira de Santana, o grêmio participa de eventos e realiza programas comunitários na cidade. Assim como as tradicionais escolas de samba, a Brasil Meu Samba desfila com sua comissão de frente e alas de fantasias. Além da Micareta, a escola participa de desfiles do Dia do Folclore e do Dia da Consciência Negra.

Movimento Cultural Afoxé Filhos De Nanan - Fundado em 1994, o movimento criado no bairro de Baraunas é mais um exemplo de resistência na manutenção da cultura negra no território Portal do Sertão.

Bloco Afro Cultural e Social Sorriso Negro - Fundado em novembro de 2002, o bloco desfila com suas baianas e bombachas, além de realizar, durante todo o ano, aulas de dança afro e percussão voltada para crianças e adolescentes.

Grêmio Recreativo Afoxé Axé Filhos de Ogun - Foi fundado com o objetivo de desenvolver programas comunitários nas áreas de saúde e educação. Em seus desfiles, costuma homenagear religiões de matrizes africanas e seus orixás, tendo sido premiado nos concursos de 1993 (2º lugar), 2002 (2º lugar), 2004 (1º lugar), 2008 (3º lugar) e 2009 (3º lugar).
Afoxé Filhos D'Oguian - Fundado em 2004, o grupo tem sede no bairro de Calumbi, onde desenvolve atividades e eventos culturais e artísticos.

Grêmio Recreativo Escola Nativos de Santana - A escola surgiu em março de 2005, reunindo membros de diferentes escolas e blocos da cidade. Já em seu primeiro desfile, foi consagrado campeã do desfile. A escola desenvolve atividades durante todo o ano, como cursos de estética, dança e samba.

Movimento Cultural Afoxé Guian Filhos De Oxalá - Fundado em fevereiro de 2006, o movimento mantém e fortalece manifestações e expressões da cultura afro através de eventos e atividades realizadas durante todo o ano.

Associação Comunitária Cultural Bloco Carnavalesco Zumbi Dos Palmares - Criada em maio de 2006, o bloco afro Zumbi dos Palmares mantém um projeto social de inclusão para jovens e adultos na comunidade através da dança afro, percussão e capoeira. Em seu primeiro desfile na Micareta, em 2018, trabalhou o tema "Angola, África, Bahia".

Associação Cultural Coleirinho da Bahia - Valoriza e produz a manifestação cultural presente na expressão do povo da roça, com vestígios e marcas herdadas de quilombolas que ainda se expressam e se afirmam enquanto povo da "Matinha dos Pretos", do distrito da Martinha. A cultura do samba de roda está presente nos 17 municípios do território Portal do Sertão, e a associação realiza atividades de preservação e memória dessa cultura popular afro-brasileira, de modo a ser continuada pelas próximas gerações.

Associação Desportiva Social e Cultural Quilombo - Fundada em setembro de 2011, mantém em sua sede uma "Varanda Cultural", onde realiza oficinas de dança, gastronomia e música.

Associação Cultural Comunitária Afropop Pandeirada Tambores Urbanos - Fundada em novembro de 2012, a associação é fruto de um movimento cultural de Feira de Santana iniciado em meados dos anos 90, denominado “Pandeirada no bairro Olhos D'água". Desta iniciativa, surgiu o projeto “Tambores Urbanos” que resultou, em 2016, na banda de percussão AfroPop. Além dos shows e desfiles, o projeto realiza oficinas de percussão para jovens da cidade.

Bloco Afro Cultural Acadêmicos de Feira - Criado em 2007, no bairro de São João, o bloco é reconhecido como um dos melhores grupos de dança da região. Além dos desfiles, o bloco realiza aulas gratuitas de dança afro e percussão para jovens carentes do bairro.

Negra Jhô e Corte Africana - Natural de São Francisco do Conde, mais especificamente do Quilombo da Muribeca, Negra Jhô viveu em Feira de Santana, até se mudar para Salvador. Turbancista, trancista, dançarina, atriz e líder religiosa, Jhô é uma referência para mulheres negras baianas. Para o desfile da Micareta de Feira, ela preparou um desfile com a Corte Africana, um cortejo afro-cultural com bailarinos vestidos de orixás e outras entidades ancestrais que dançam ao som da percussão e de ritmos como o samba, kuduro, dança de rua, axé e ijexás.