#ConfecultBa - Discussões sobre Identidade, Patrimônio e Memória geram propostas de políticas públicas na VI Conferência Estadual de Cultura

07/12/2023



Segundo dia do encontro contou com seis eixos temáticos, sendo um deles focado na importância da memória e da identidade para a cultura baiana


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Nesta quinta, 7, segundo dia da VI Conferência Estadual de Cultura, seis eixos temáticos pautaram um debate amplo para a elaboração de propostas, que serão levadas para a Conferência Nacional em março e para a atualização do Plano Estadual de Cultura. Um desses eixos foi o Identidade, Patrimônio e Memória, cujo objetivo foi fortalecer o reconhecimento da importância da memória e da identidade como pilares fundamentais da cultura baiana. 


As discussões em torno desse tema foram divididas em quatro sub-eixos (Memória, Museus, Patrimônio Material e Patrimônio Imaterial) e serviram para fomentar a proposição de políticas públicas que garantam o direito dos indivíduos à preservação de sua identidade. 

No eixo Patrimônio Material, João Gustavo Andrade Silva, arquiteto do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), falou da necessidade de se garantir que os recursos cheguem nas bases e da criação de espaços descentralizados para que a educação patrimonial e as ações de patrimônio possam ser capilarizadas em todo os territórios de identidade do estado. “Patrimônio é conflito, disputa de narrativas. A prefeitura tem a sua narrativa, a oposição tem a sua, o comerciante tem a sua, a vizinhança… Precisamos ter espaços de formação e educação para equilibrar e conscientizar as pessoas nessa disputa”, disse. 

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No marco da celebração dos 200 anos da independência do Brasil na Bahia, o sub-eixo Patrimônio Imaterial fomentou a elaboração de questões relacionadas à preservação das diversas manifestações culturais presentes nas memórias do povo baiano que, por sua vez, se manifestam nas marcas latentes das identidades do estado. 

Tata Ricardo Tavares, presidente da Câmara de Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Natural (CPHAAN) e sacerdote do Terreiro de Lembá, em Camaçari, comunidade tombada como Patrimônio Cultural Material e Imaterial foi um dos convidados do sub-eixo. Em sua fala, lembrou que patrimônios imateriais não passam por processo de tombamento e que sua política de preservação, reconhecimento e valorização está baseada no registro especial. “Para apoiar o registro, precisamos garantir a construção de uma proposta que olhe para os instrumentos de salvaguarda de forma ampliada, para que possamos preservar as manifestações culturais de todos os territórios de identidade do estado”, disse. 

Uma das questões levantadas pelo sub-eixo Memória foi a estruturação de um processo de arquivamento de conhecimentos que são passados de forma oral. O grupo reforçou a importância de haver uma preocupação com o conhecimento oral, passado pelos mestres e mestras de cultura, por exemplo, no processo de arquivamento e preservação da memória. Uma das soluções apontadas foi pensar ações da cultura que atuem de forma interdisciplinar com a educação.

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Por fim, as discussões em torno do sub-eixo Museus abordaram temas relacionados à dinamização dos espaços de cultura. O questionamento sobre a imagem que uma pessoa periférica tem sobre o museu foi um dos questionamentos que norteou a conversa. Nessa reflexão, o grupo entendeu que um museu, em geral, é uma experiência exclusiva, que já começa com dois seguranças armados na porta. Dentro, há várias regras e impedimentos. A conclusão veio em uma nova pergunta: como democratizar essa experiência e pensar em museus mais inclusivos?