O grupo Ganhadeiras de Itapuã, criado com o objetivo de resgatar as antigas tradições do bairro de Itapuã e a história das antigas ganhadeiras da época em que o bairro ainda era uma pequena aldeia de pescadores, lotou o Largo Quincas Berro D'Água na tarde deste domingo (2). O show do grupo incluiu cirandas, coco, maracatu, samba de roda e clássicos da MPB para soteropolitanos e turistas que decidiram curtir o Carnaval no Centro Histórico.
“Sempre ficamos muito felizes, porque o Centro Histórico é também o nosso lugar. É onde mãos pretas construíram este lugar. Então, estar aqui cantando a nossa música, falando a nossa história, dessas mulheres do ganho, dessas mulheres históricas, é um reforço para o nosso movimento”, declara a sambadeira e diretora de patrimônio do grupo, Verônica Mucúna.
Canções praieiras, cantigas e cirandas, fruto do coro de vozes femininas, resgatam memórias e dão ritmo às saias de chita dessas mulheres que, movidas pela força de suas raízes, impressionam nos palcos e que hoje já perpassam três gerações. Considerado o melhor Grupo Regional do país em 2015 (26º Prêmio da Música Brasileira), As Ganhadeiras de Itapuã reforçam, em forma de música, dança e teatro, a cultura tradicional em um trabalho carregado de originalidade, alegria e brasilidade.
“O espetáculo é caracterizado pela força do trabalho coletivo e tem na beleza e talento dessas mulheres o ponto central que traduz toda a sua riqueza, com seu canto ancestral, com uma musicalidade potente que faz ressoar os batuques que atravessam gerações desde tempos imemoriais até as harmonias refinadas que caracterizam a musicalidade brasileira como das mais poderosas do mundo”, afirma Amadeu Alves, diretor musical do grupo.
A todo instante, crianças, adultos e também idosos estavam com o olhar atento a cada detalhe da apresentação. Sem passar despercebidos, alguns grupos de amigos mostravam que quem não gosta de samba não é um bom sujeito e se jogaram no ritmo, com a proposta de ir a Maracangalha, fazendo também o convite ao público.
Moradora de Santo Amaro, a estudante Carol Gonçalves, 22 anos, integrava um desses grupos de amigos e parabenizou o repertório. “Estou me sentindo no Recôncavo com esta apresentação. Muito samba de roda e este ritmo genuinamente nosso perpassa o axé music”.
E por falar em axé music, Verônica Mucúna foi bem incisiva ao falar da relação do movimento musical e cultural com as Ganhadeiras de Itapuã. “O axé music permeou a vida de muitos de nós. Eu estou com 40 anos hoje, então eu lembro muito do Carnaval, das bandas, dos grupos de pagode, de Neguinho do Samba. E o axé music também interfere no som das Ganhadeiras. É a raiz, é a batida do tambor, é essa célula que permeia tudo, que é o início de tudo, que é a batida do tambor. E de onde vem o Axé Music, senão da batida do tambor, a mão preta no tambor? Então, com certeza, a gente bebeu e ainda continua bebendo aí no nosso repertório, na formação do nosso repertório”, finaliza a sambadeira.