Da Praça Municipal até o Campo Grande, o bloco Kambalagwanze encantou o público por onde passou com suas sete alas. O tema Ajeum estava representado na ala das baianas, com um cesto simbolizando a comida.
Os membros da agremiação imprimiram expressividade, beleza e alegria com cantos e coreografias, como fazem desde 2003. A história começou quando familiares e amigos do bairro da Liberdade e adjacências sentiram falta de atividades culturais na região para fomentar as expressões do povo de origem africana.
No desfile de ontem, na descida da Ladeira de São Bento, nem mesmo a interrupção do serviço de energia elétrica tirou a animação da auxiliar administrativa Estefani Vitória, de 21 anos, que desfilou na ala da juventude pela terceira vez. “Sou candomblecista e, aqui, posso transmitir para o mundo a beleza da cultura que sigo, que é a negra, a do afoxé e a do axé. Espero que todos reconheçam a magia do desfile”, finalizou.
“Fundamos esse bloco por uma questão cultural e para conservar a tradição. A escolha de uma diretoria exclusivamente feminina se deu porque percebemos o autoritarismo masculino”, pontuou a presidente do bloco, a produtora cultural Iracema Mendes Neves.
“A ala da capoeira, que é formada por jovens, engrandece o desfile, porque é uma cultura fortalecendo a outra. Por isso, buscamos agregar os mais novos, pois eles também ensinam”, contou. “Nos reunimos durante o ano para, além de outras atividades, planejar a saída do nosso bloco durante o Carnaval”, finalizou a gestora da agremiação, que tem sede na Rua do Bispo, n.º 30, no Pelourinho.
Outro integrante que emprestou seu talento ao bloco foi Celso Henrique, de 30 anos, que veio representando o orixá Exu. Essa foi sua quarta participação na agremiação. “Esse grupo é importante porque dá visibilidade para todos. Já a comunidade representa Xangô, o deus da Justiça. Estou muito honrado e feliz”, finalizou o bailarino.
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