Bloco Muzembela exalta Iemanjá e cultura afro no Circuito Pérola Negra da Micareta de Feira

02/05/2025
Bloco Muzembela exalta Iemanjá e cultura afro no Circuito Pérola Negra da Micareta de Feira

A sexta-feira (2) da Micareta de Feira de Santana foi marcada pela força dos tambores e pela beleza do balé do Bloco Afro Muzembela, que desfilou no Circuito Pérola Negra, espaço dedicado à valorização da cultura afro dentro da festa.

Com saída no cruzamento das avenidas Presidente Dutra e Maria Quitéria, o bloco levou à avenida o tema “Iemanjá”, em um fim de tarde chuvoso que, segundo o presidente do grupo, Jorge Santana, trouxe a presença simbólica da rainha das águas para abençoar o cortejo.

O Muzembela é uma das 14 agremiações que participam da Micareta de Feira deste ano por meio do Programa Ouro Negro, iniciativa do Governo do Estado, realizada pelas Secretarias de Cultura (SecultBA) e de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi), que promove o fortalecimento de entidades culturais de matrizes africanas, como blocos afros, afoxés, blocos de samba, reggae e indígena.

“O projeto Ouro Negro veio para somar. A gente sofria muito, e sofre ainda. Se não fosse ele, talvez a gente não estivesse aqui hoje”, ressaltou Jorge.

Criado há 35 anos no bairro da Rua Nova, o Muzembela é hoje o maior bloco afro em número de títulos consecutivos em Feira de Santana. A agremiação reúne cerca de 140 integrantes, entre músicos e bailarinos, provenientes dos bairros Rua Nova, Tomba e até mesmo de Salvador.

Muito além da beleza e da musicalidade, o bloco desenvolve um projeto de forte impacto social, voltado para a inclusão e educação de crianças em situação de vulnerabilidade. “A gente quer que os foliões vejam a nossa cultura, a cultura negra de Feira de Santana”, destacou Jorge.

A emoção também foi compartilhada pelos artistas do bloco, como a cantora Leka Sanfer, que participou do Muzembela pela primeira vez: “É uma tradição da cidade. Fiquei bastante ansiosa e honrada de poder fazer parte dessa história.”

Já o cantor e compositor Arlécio Martos, que integra o Muzembela há cerca de 25 anos, relembrou com carinho a figura de dona Preta, fundadora do bloco e mãe de Jorge, já falecida.

“Compus a música ‘Venha Negona’ em homenagem a ela. Foi premiada na Micareta, e nomeei minha banda de ‘Pretos de Preta’ por causa dela”, contou. No desfile deste ano, Arlécio levou à avenida canções autorais como “Iemanjá”, “África” e “Odoiá”, celebrando a força ancestral africana.

Para o jovem percussionista Levy Samuel, integrar o bloco é um orgulho: “Faço percussão há seis anos e estar aqui é uma paixão. Ser convocado para isso não é para qualquer um.”

O som do Muzembela ecoou tão forte que nem a ambulante Rhayssa Rodrigues resistiu. Ao ouvir os tambores, deixou sua barraca sob os cuidados de outra pessoa e correu para ver o desfile: “Eu danço, me jogo, sambo. Já vi várias apresentações deles na Micareta. São maravilhosos.”

Além do Muzembela, também desfilaram nesta sexta-feira, com apoio do Ouro Negro, os afoxés Filhos de Oxalá, Filhos de Ogum e Filhos de Nanã.

PROGRAMA OURO NEGRO — O Programa Ouro Negro 2025 consolida o compromisso do Governo do Estado da Bahia com a valorização das expressões afro-brasileiras. Mais do que apoio financeiro, o Ouro Negro reconhece e estimula o protagonismo dessas organizações, que mantêm viva a ancestralidade africana, promovendo arte, educação e inclusão social em suas comunidades de origem.

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