Bloco Sorriso Negro apresenta músicas de protesto e valorização da negritude na Micareta de Feira

03/05/2025
Bloco Sorriso Negro
Crédito: Marcella Figueiredo

Nos primeiros acordes, o público aplaudiu. Com o tema “Só lamento”, em alusão ao sofrimento do povo negro, o Bloco Afro Cultural e Social Sorriso Negro fez um desfile emocionante, neste sábado (3), na Micareta de Feira de Santana. 

Em um mini trio, os integrantes do bloco cantaram a resistência e as dificuldades enfrentadas para defender as pautas do povo negro, ressaltando a necessidade de manter viva a esperança para seguir firme na luta.

Apesar de jovem, Ayalla Venas, 17 anos, destacou que, por meio da festa, o bloco consegue dar visibilidade às reivindicações em prol do combate ao racismo, da defesa dos direitos, da busca por justiça social, da implementação de políticas afirmativas e de promoção da igualdade racial nas mais diversas diversas áreas da sociedade.

“Precisamos trazer nossa história para a avenida. A micareta é festa e também local para manifestação. Há  séculos somos invisibilizados. Precisamos ocupar todos os espaços”, comentou. Integrante do Bloco Afro Cultural e Social Sorriso Negro há cinco anos, Ayalla contribuiu para oferta das oficinas e cursos do grupo.

Bloco Sorriso Negro
Fonte/Crédito
Crédito: Marcella Figueiredo

Fundado em novembro de 2002, o bloco afro Sorriso Negro é um dos mais antigos do bairro Rua Nova. A localidade reúne a maioria das agremiações de matriz africana de Feira de Santana.

Atualmente, conta com 200 integrantes, entre músicos e contemplados pelas ações sócio-educativas desenvolvidas no bloco. Entre as atividades, aula de percussão, capoeira e futebol.

Gilberto Pinheiro dos Santos, presidente e fundador do bloco, relembra os títulos de vice-campeão, em 2017, e campeão, em 2018, da Micareta de Feira de Santana. A premiação é concedida por desempenho aos afoxés e blocos afro do município. Para ele, os títulos são um reconhecimento pelo árduo e importante  trabalho realizado.

Emocionado, pontuou a contribuição do Bloco Afro Cultural e Social Sorriso Negro no cotidiano das populações contempladas pelas ações sócio-educativas. “O trabalho que fazemos nas comunidades envolve a população carente. Além de garantirmos a socialização de muitas pessoas, evitamos que alguns jovens se envolvam com drogas ou com outros ilícitos”, informou Gilberto Pinheiro.

O Bloco faz parte do grupo de entidades que contam com o apoio do Programa Ouro Negro, iniciativa do Governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual de Cultura da Bahia (SecultBA), que concede apoio financeiro às entidades de matrizes africanas como blocos afro, afoxés, samba, reggae e blocos de índio, para a realização dos seus desfiles carnavalescos.

Além de incentivar o entretenimento, o Ouro Negro é uma política pública que mantém viva a memória e a identidade dos povos de matriz africana. “O apoio do governo fortalece a história do nosso povo, gera o sentimento de pertencimento e de representatividade. Se não fosse o Ouro Negro, não estaríamos no circuito”, disse Gilberto, ao relembrar que, após o Ouro Negro, foi possível aumentar o grupo e comprar instrumentos.

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