A Sala de Cinema Walter da Silveira, equipamento cultural gerido pela Secretaria Estadual de Cultura da Bahia (SecultBA), em Salvador, recebeu, na noite desta quarta-feira (12), uma sessão de Malês (2025), longa-metragem dirigido por Antônio Pitanga. O evento faz parte da programação do Novembro Negro e do Novembro das Artes Negras do Governo da Bahia, em celebração ao Dia da Consciência Negra, e contou com as presenças do governador Jerônimo Rodrigues, do secretário de Cultura Bruno Monteiro e do ator e diretor Antônio Pitanga.
O filme retrata a Revolta dos Malês, o maior levante organizado por pessoas escravizadas do Brasil, ocorrido na capital baiana em 1835 e liderado por africanos muçulmanos conhecidos como malês. Filmada nas cidades de Salvador e Cachoeira, no recôncavo baiano, a obra contou com recursos do Governo do Estado, por meio da SecultBA, por meio da Lei Paulo Gustavo Bahia (LPGBA), no valor de R$ 350 mil, além da embasa e da BahiaGás, que destinaram R$ 350 mil e R$ 70 mil, respectivamente.
O apoio na realização do filme reforça o compromisso do Governo do Estado com o fortalecimento do audiovisual baiano e incentivo às produções que retratam a história e a resistência do povo negro. O momento também marca uma fase de expansão do setor na Bahia, que ganha um novo impulso com a criação da Bahia Filmes, empresa estadual voltada ao fomento do audiovisual.
“Esse filme é um importante instrumento para as escolas e para as salas de cinema. Ele nos inspira a ter ainda mais coragem de seguir junto ao povo que precisa de uma ação forte e articulada dos governos municipais, estaduais e federal — para que possamos construir um mesmo caminho de valorização e igualdade. Viva os Malês!”, destacou o governador Jerônimo Rodrigues.
O Secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, ressaltou a importância da obra como ferramenta histórica e política. “Estamos em um momento importante de resgate da cultura como poderosíssimo instrumento de contar a história, sem apagar ou excluir as outras narrativas. Devolvemos o protagonismo dos fatos históricos para o nosso povo", declarou.
A Secretária de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais, Ângela Guimarães, ressaltou a importância do diretor Antônio Pitanga como referência na luta antirracista e celebrou ensinamentos dele que servem de inspiração às futuras gerações. “É emocionante ouvir esse grande griô. É um rei do cinema, das artes e da militância antirracista. Antônio Pitanga é verdadeiramente uma inspiração”, disse.
A TRAMA - Malês acompanha dois jovens africanos muçulmanos separados pela escravidão e reunidos pela resistência, explorando temas como racismo estrutural, identidade religiosa, união entre povos e luta por liberdade. O filme tem roteiro assinado por Manuela Dias e o elenco conta com nomes como Rocco Pitanga, Camila Pitanga, Edvana Carvalho, Heraldo de Deus e Patrícia Pillar.
Além de dirigir a obra, Antonio Pitanga interpreta Pacífico Licutan, um dos líderes da revolta, que reforçava a união entre diferentes tribos e religiões na luta pelo fim da escravidão. Ele considera que o filme leva luz à um episódio que, infelizmente, é desconhecido por parte da população brasileira. “Revelar a história brasileira feita pelos povos originários e negros é sempre importante”, assinalou.
Para a diretora da Fundação Cultura do Estado (Funceb), Sara Prado, um filme como Malês mostra como a política pública é importante para consolidar obras do audiovisual. “Estamos em celebração coletiva diante de um filme que é fruto de política pública, de incentivo e de investimento do governo para o audiovisual, setor que movimenta a economia e gera empregos”, completou.
Participaram do evento os cantores e compositores Lazzo Matumbi, integrantes do elenco, o coordenador-geral de Políticas para a Juventude, Nivaldo Millet, autoridades estaduais, representantes de religiões de matriz africana, blocos afros e da sociedade civil.
SOBRE O ESPAÇO - A Sala Walter da Silveira é uma sala pública de cinema não comercial gerida pela Diretoria de Audiovisual da Funceb, com capacidade para 192 lugares. O espaço opera com programação híbrida, combinando curadoria interna e cessão de pauta a mostras e festivais, além de promover estreias e pré-estreias de produções baianas.
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