Público lota o Largo do Pelourinho na celebração do Dia do Samba

03/12/2025
Público lota o Largo do Pelourinho na celebração do Dia do Samba
Erickson Araújo

A celebração do Dia Nacional do Samba levou milhares de pessoas ao Largo do Pelourinho na noite de terça-feira (2). O evento contou com o apoio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), e reafirmou a importância do Pelourinho como espaço de difusão e valorização das expressões artísticas do estado.

Com 40 atrações gratuitas, a programação reuniu sambistas consagrados, representantes da nova geração e grupos tradicionais, um reflexo da diversidade e da ancestralidade marcantes no ritmo reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil. A abertura do show aconteceu por volta das 19h40, ao som de Aquarela Brasileira, clássico de Silas de Oliveira, eternizado por Martinho da Vila.

Entre os destaques da noite, o cantor e compositor baiano Nelson Rufino se emocionou ao comentar a relação profunda entre o samba e a Bahia. “Sou do tempo da batucada, dos Apaches do Tororó, venho dos velhos tempos. Ver o samba finalmente se incorporando na Bahia me emociona. Hoje, vejo o branco sambando, a branca sambando, o nosso povo abraçando o samba. O ritmo está ganhando corpo na nossa terra, e isso me deixa emocionado”, afirmou.

Também se apresentaram artistas como Edil Pacheco, Roberto Mendes, Juliana Ribeiro, Ju Moraes e o grupo Batifun, diferentes gerações que reafirmam a vitalidade do samba. Para Juliana Ribeiro, cantora, pesquisadora e compositora, ocupar novamente o Pelourinho neste dia carrega um forte simbolismo. “Retomar esse espaço no Pelourinho é simbólico: aqui, onde tantos negros foram torturados, hoje celebramos a ancestralidade pelo samba. É um reencontro bonito entre compositores, cantores e novas composições. Viva o dia 02! Salve o Dia do Samba!”, celebrou.

A programação recebeu ainda a carioca Teresa Cristina, uma das vozes mais importantes do samba na atualidade . Para ela, cantar na Bahia é retornar às origens do ritmo. “Dizem que o samba nasceu no Rio ou na Bahia, mas sem Bahia não existiria o samba do Rio. Cantar aqui é como voltar para o umbigo da minha mãe. O samba vive desse encontro de gerações, dessa troca que mantém o ritmo vivo há dois séculos”, destacou.

Entre o público, moradores, turistas e admiradores do gênero acompanharam os shows até o fim. A assistente social Ana Paula França, 43 anos, ressaltou a emoção de vivenciar a festa no Centro Histórico: “Tenho uma relação muito afetiva com o samba. Quando soube da programação, vim direto do trabalho. Ver o Pelourinho cheio me emociona.”

Teresa Cristina é destaque no Dia do Samba
"Ver o Pelourinho cheio me emociona", diz Teresa Cristina
Fonte/Crédito
Erickson Araújo

HISTÓRICO – Instituído em 1972, o Dia Nacional do Samba tem na Bahia um de seus principais polos de celebração. O estado, berço do ritmo e lar de sambistas, blocos afro e grupos tradicionais, desempenhou papel fundamental na consolidação do samba como pilar da cultura brasileira. No Pelourinho, esse vínculo ganha mais força com artistas, mestres e comunidades que perpetuam a memória e a continuidade da tradição.

A movimentação intensa no entorno, especialmente no Terreiro de Jesus, reforçou também o impacto positivo da data para o turismo e o comércio local, segundo comerciantes da região. Com uma programação diversa que contemplou várias vertentes do gênero, o evento reforçou o samba como expressão da cultura do povo baiano. A celebração deste 2 de dezembro mostrou, mais uma vez, a centralidade do Pelourinho no calendário cultural da Bahia.

Repórter: Alexa Santa Rosa / Ascom IPAC

Clique aqui e acompanhe também o canal da SecultBA no WhatsApp

Tags
Dia do Samba
Galeria: