Colorido, forte e contagiante. Assim o Bloco Cultural brilhou na folia momesca, na noite desta quinta-feira (12), na abertura oficial do Carnaval de Salvador. A agremiação iniciou o desfile na Praça Castro Alves e seguiu em direção à Rua Carlos Gomes, levando uma mensagem de valorização das raízes africanas.
Com a presença marcante dos tambores, a banda Yayá Muxima não deixou ninguém parado. Centenas de foliões, com sorriso no rosto, dançaram e celebraram cada instante da maior festa de rua do mundo ao som do samba-reggae pulsante.
A artista soteropolitana Vivian Carolina, integrante da banda, encerrou o desfile feliz e realizada com tudo o que foi celebrado nas três horas de apresentação. “Estar no cenário do Carnaval, gerando trabalho, renda, respeito e dignidade para a cultura, realizando também o nosso sonho de ser artista. O Carnaval é isso: é desafiador e é encantamento. Para a gente, é uma alegria imensa, uma honra. O Bloco Cultural foi maravilhoso”, declarou.
Há oito anos desfilando com o Bloco Cultural, Elenildes Pereira, moradora do bairro da Liberdade, compartilhou o sentimento presente na agremiação. “O Bloco Cultural é tudo. A mensagem é de paz, amor e amizade. É perpetuar um Carnaval de solidariedade, de paz e de amor.”
Valorização das raízes
Vivian enalteceu o protagonismo de uma banda formada exclusivamente por mulheres negras. Também destacou a importância de políticas públicas como o Programa Ouro Negro, promovido pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA), que incentiva blocos de matriz africana.
“O Ouro Negro é fundamental. Sem isso, não há como desfilar. O bloco é resultado de um trabalho comunitário. É o desdobramento de um investimento diário da comunidade na sua juventude, nas suas mulheres, na sua ocupação e na sua segurança”, afirmou.
“Pensando na história do Brasil, na trajetória de Salvador e no papel central da população negra na sustentação da cultura, a gente agradece, louva e continua estimulando para que essas políticas se aprimorem gradativamente, para que, lá na frente, outras gerações possam desfrutar de ainda mais respeito”, completou a artista.