O Bloco Olodum subiu a ladeira do ‘Pelô’, chegou ao Campo Grande e encantou os foliões no Circuito Osmar, na noite desta sexta-feira (13). Com suas tradicionais cores, canções eternizadas na história e presença marcante dos tambores, não teve quem ficasse parado no segundo dia do Carnaval. Neste ano, a instituição fez uma viagem cultural e religiosa ao Benin com referências aos Egunguns.
Cumprindo a tradição de sair às sextas-feiras, uma multidão de apaixonados pelo bloco afro acompanhou o 46º desfile da agremiação, tanto no Centro Histórico, lotando todos os acessos ao Pelourinho, quanto no Campo Grande. Em volta do trio, coreografias e roupas coloridas embelezaram a Avenida.
Com o apoio do Ouro Negro, programa da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA) de incentivo aos blocos de matriz africana, a festa começou ainda no Centro Histórico de Salvador, em frente à Casa do Olodum, por volta das 17h. Os cantores Caetano Veloso e João Gomes foram algumas das celebridades que prestigiaram a saída do Olodum.
Na largada oficial, o momento também contou com a presença do Governador Jerônimo Rodrigues, do vice Geraldo Jr, do secretário da Secult, Bruno Monteiro, além de outras autoridades.
Beleza estonteante - Para além da música, o Olodum se apresentou para os foliões com uma ala de frente que remete aos Egunguns - espíritos ancestrais masculinos que retornam à terra para abençoar, aconselhar e proteger os vivos. O coreógrafo Wagner Santana, responsável pelo grupo de 40 dançarinos, desde 2024, disse que fez uma viagem cultural e religiosa ao Benin, a fim de mergulhar no conceito.
“A inspiração foi ter que viajar à África com o meu outro trabalho, o Balé Folclórico da Bahia. Eu assisti aos rituais de Bàbá Egún lá no Benin, o que trouxe para mim referências que eu jamais tinha conhecido. Esse ano está sendo um pouco mais importante porque fala muito da minha religião. Eu sou candomblecista, sou uma pessoa que sou preta, de Oxum. Falar de Egunguns, de máscaras africanas, de beleza, de magia, tudo isso é muito importante para mim”, compartilhou Wagner.
Representatividade - Criado em 1979, como uma forma de dar voz à comunidade do Pelourinho, o Olodum seguiu eternizado na história da cultura baiana e brasileira. O vocalista da banda Lucas Di Fiori, que iniciou na instituição com nove anos, na banda mirim, não escondeu a alegria e a emoção de estar na Avenida em mais um ano, cantando uma mensagem de resistência, que mudou a história do Carnaval.
“Botar o bloco na rua é sinônimo, realmente, de sucesso para a gente, de realização. Quando a gente faz coisas verdadeiras, a reciprocidade vem. O público sente isso, que isso é genuíno. O samba-reggae é nosso, criado aqui no Pelourinho, pelo mestre Neguinho do Samba. O ritmo mudou a estrutura do Carnaval da Bahia. A musicalidade está no mundo inteiro”, descreveu Di Fiori.
Esse sentimento de ligação com a verdade do Olodum reverbera em Paulo Cézar, de 45, morador do Garcia, que acompanha o bloco desde os 13 anos. Para ele, não há Carnaval sem os tambores marcantes que entoam a ancestralidade do samba-reggae.
“Se eu não estiver aqui, fico doente. Tem que estar aqui. Tem que estar curtindo isso aqui. Se a gente não tiver aqui, não é carnaval. Se for para curtir só o Olodum no Carnaval está ótimo. É a melhor coisa que tem. Estou acompanhado de minha filha e meus amigos. Passo de geração em geração. Essa vibe aqui é a melhor coisa que existe”, compartilhou Paulo, bastante emocionado.