Nesta sexta-feira (13), o Bloco Filhos de Marujo levou para a avenida um desfile marcado por fé, ancestralidade e resistência. O samba que ecoa no bloco nasceu dentro de um terreiro de Candomblé, a partir do pedido da entidade de um marujo que desejava ouvir uma batucada, e transformou espiritualidade em tradição no Carnaval.
Aos 68 anos, Érico Abade, um dos responsáveis pela agremiação, relembra essa origem com orgulho. “O bloco Filhos de Marujo saiu de um terreiro de Candomblé. Foi criado a pedido da entidade de um marujo que queria uma batucada. A partir daí, criamos o bloco”, afirma. Do nascimento do bloco também surgiu a banda Viola de Marujos, que hoje é o principal destaque do desfile e responsável por conduzir o público.
Com o tema Samba é Vida, o Filhos de Marujo levou para a avenida uma mensagem direta: em meio às dificuldades do dia a dia, o Carnaval é respiro. “A vida está muito difícil. O mínimo que podemos fazer é esquecer um pouco a tristeza e viver esse momento”, resume Érico.
O desfile começou com uma roda de capoeira, emocionando o público logo nos primeiros minutos. Em seguida, as baianas tomaram a avenida com muita dança e maestria. Há três anos no bloco, a baiana Valquíria dos Anjos descreve a experiência como algo quase divino. “É uma luz que vem do céu. Eu me sinto maravilhada. É gostosa demais a sensação de sair no Filhos de Marujo”, conta.
Mais do que um cortejo, o Filhos de Marujo reafirma que o samba atravessa todos os momentos da vida, na alegria e na dificuldade. Construído com luta, fé e resistência, o bloco mantém viva a mensagem que carrega desde a sua origem: o samba é força, é esperança e, acima de tudo, é vida.