O Carnaval do Pelourinho é um espaço plural, que acolhe pessoas de todas as idades, gêneros e cores. No Largo Quincas Berro D’Água, a Casa do Idoso está nos ajustes finais para os três desfiles que vão levar às ruas do Centro Histórico, nestes dias de folia, uma turma cheia de vida, experiência e muitos carnavais. Neste sábado (14), o bloco desfilará com 240 pessoas, majoritariamente idosos, que levarão filhos, netos e amigos. A participante mais nova tem 60 anos, e a mais experiente, 96.
Aos 91 anos, a aposentada Leny Maria Gonçalves está superanimada com os desfiles. No sábado, ela sairá como Oxalá. “Quando o Carnaval chega, eu viro a cabeça, porque eu amo o carnaval”, comenta, lembrando que participa do grupo há 26 anos, sendo uma de suas criadoras. “Amanhã, vou sair no carro, com minha roupa branca, linda e maravilhosa, toda feliz. Oxalá vai ficar feliz”, afirma com alegria e energia que transbordam vitalidade. “A gente se renova, a gente é vivo. A gente tem vontade de viver, continuar vivendo. Para mim, eu não vejo essa minha idade. Vejo que a cada dia pareço mais nova.”
Do alto de seus 77 anos, outra foliã que celebra a chegada do Carnaval é Tarcileia Santos Bonfim. Ela sairá como Pombagira Dama da Noite; no domingo (15), será rainha eleita do bloco Quero Ver o Momo; e na segunda-feira (16), participará do Arrastão. Emocionada, ela compartilha a satisfação de viver essa festa depois de tantos anos casada: “A minha alegria de viver isso aqui é demais. Nessa idade, participar de algo assim, é maravilhoso, depois de superar tantos desafios pessoais.”
O desfile deste sábado começa com concentração às 17h, saindo às 17h30 do Largo Quincas Berro D’Água, seguindo pela Rua das Laranjeiras, Terreiro de Jesus, Praça da Sé, Rua Chile e retornando pela Rua da Ajuda.
À frente do grupo residente da Casa da Cultura do Idoso, o artista Joaquim Assis dos Santos, 60 anos, nascido e criado no Pelourinho, promove, junto aos idosos, a prática da alegria e da resistência, fortalecendo a autoestima coletiva e individual. Segundo ele, grande parte dos frequentadores do espaço passou ou passa por tratamentos de saúde, mas, ali, com uma palavra amiga e doses de solidariedade, voltam a buscar sentido.
Com a chegada do Carnaval, o espaço, que oferece de segunda a sexta-feira atividades como teatro, dança, artesanato, corte e costura, ginástica e terapia da mente, rende-se à alegria da folia. Nesses dias de Momo, o local se transforma em um grande barracão, tomado por fantasias, adereços, sapatos e roupas cheias de cores, brilhos e belos acabamentos. Tudo é feito com carinho, utilizando material sustentável ou matéria-prima descartada pelo mercado por pequenos defeitos, que nas mãos dos idosos se transformam e alegram quem frequenta o espaço.
“Nosso objetivo aqui é essa resistência, essa persistência em cuidar, em saber envelhecer com dignidade. Ajudar essas pessoas. Aqui ninguém larga a mão de ninguém, e esse é o objetivo. Viva o Carnaval!”, finaliza Joaquim.
Carnaval do Pelô
O Carnaval do Pelô integra a programação oficial do Governo da Bahia, com o tema “Carnaval da Bahia: Um Estado de Alegria”, reunindo ações do edital público da Secretaria de Cultura da Bahia (Secult-BA), que contemplou 81 propostas artísticas, além da participação da Secretaria de Turismo (Setur), por meio da Superintendência de Fomento ao Turismo (Sufotur), fortalecendo o calendário cultural do território. No Largo do Pelourinho, parte da grade de atrações é viabilizada pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).