“Epa Babá!” Bloco Malê Debalê pede bençãos a Oxalá em desfile na Avenida

14/02/2026
Para homenagear o orixá da paz, os integrantes do bloco vieram vestindo roupas e adereços brancos
Ascom SecultBA

“Sempre haverá um pai que não nos abandona”. Essa é a mensagem trazida pelo tradicional bloco afro Malê Debalê para o carnaval deste ano, em desfile realizado neste sábado (14) no circuito Osmar. O tema do bloco este ano foi “Malê na Corte de Oxalá”, uma homenagem ao orixá da paz e da criação.

O desfile deste ano foi uma espécie de continuidade do tema de 2025, quando o bloco homenageou Exu, orixá da comunicação e da abertura dos caminhos, como explica Cláudio Araújo, Presidente do Malê Debalê desde 2014. “Nós aproveitamos que falamos sobre Exu no ano passado e estamos dando continuidade à exaltação aos orixás, trazendo agora não apenas Oxalá, mas também um grupo de orixás que compõe a sua corte”.

Para homenagear o orixá da paz, os integrantes do bloco vieram vestindo roupas e adereços predominantemente de cor branca. E é justamente o discurso de paz que o bloco deseja espalhar não apenas durante o carnaval, mas durante o ano inteiro: “atualmente vivemos um período com muitos casos inadmissíveis de violência, como a intolerância religiosa e a violência contra a mulher. A sociedade precisa combater esses absurdos, e nós estamos aqui fazendo a nossa parte através do nosso trabalho”, disse Cláudio.

De Itapuã para o mundo - O papel social do bloco, inclusive, vem de longe. Fundado em 1979, no bairro de Itapuã, o Malê Debalê é um dos mais importantes blocos afro do Brasil, reconhecido nacional e internacionalmente como o “maior balé afro do mundo”. Tornou-se um dos maiores símbolos da cultura negra na comunidade, carregando em sua trajetória a força da arte, da ancestralidade e da resistência.

Criado por moradores do bairro em meio à efervescência do movimento negro, o nome do bloco presta homenagem à Revolta dos Malês, ocorrida em 1835 e liderada por malês escravizados que lutaram bravamente por liberdade. “Malê” é um nome que deriva do iorubá "imale" e se refere aos africanos adeptos do islamismo.

Desde a sua fundação, o bloco tem íntima ligação com a comunidade do bairro de origem, atuando também como um veículo para reivindicação de melhorias das condições de vida por parte de moradores de Itapuã, como explica Miguel Arcanjo, 70 anos, um dos fundadores do Malê Debalê:

“Na época da fundação do bloco, nós tínhamos uma grande dificuldade que era o acesso ao bairro de Itapuã, devido à distância do Centro de Salvador. Foi então que fundamos o Malê e ousamos sair de Itapuã até o carnaval da Avenida, por mais cansado que a gente chegasse. Essa ousadia deu visibilidade ao nosso bloco, de modo que nós nos tornamos praticamente guardiões da comunidade do nosso entorno, dando visibilidade aos pleitos do nosso povo, como a necessidade de transporte público para acessarmos o bairro”, disse Miguel, que continua atuando como um dos diretores do bloco.

Programa Ouro Negro - Em 2026, o Malê Debalê está entre os grupos contemplados pelo Programa Ouro Negro, iniciativa do Governo do Estado da Bahia executada pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, que apoia blocos afro, afoxés e outras entidades de matrizes africanas no Carnaval. Criado em 2008, o programa fortalece a participação dessas agremiações nos circuitos oficiais da festa e contribui para a preservação e difusão da cultura afro-brasileira.

Em 2026, o desfile do Malê Debalê contou com 23 alas de dança, e cada uma delas representou um orixá, reforçando a riqueza e a diversidade da tradição afro-religiosa celebrada pelo bloco.

“Eu estou muito feliz com o Governo da Bahia, e agradeço ao Governador Jerônimo Rodrigues e ao Secretário de Cultura Bruno Monteiro, porque além de podermos realizar um desfile desse tamanho, graças ao Programa Ouro Negro, a atuação do Governo vem viabilizando a realização de ações continuadas na nossa sede, como as oficinas de percussão, dança e letramento racial para as nossas crianças. Isso é fundamental para darmos continuidade ao nosso trabalho”, disse Cláudio Araújo.

Fonte
Ascom SecultBA
Tags
Ouro Negro
Carnaval 2026
circuito osmar
Galeria: