Filhos de Korin Efan homenageia os afoxés da Bahia em desfile pelo Centro Histórico

14/02/2026
O cortejo reuniu cerca de 900 integrantes, distribuídos em diversas alas
Ascom SecultBA

O Afoxé Filhos de Korin Efan desfilou na tarde deste sábado (14) pelas ruas do Centro Histórico de Salvador, com saída do Pelourinho em direção ao Campo Grande. Integrando a programação do Carnaval 2026, o cortejo levou para a avenida uma homenagem aos afoxés da Bahia, destacando a contribuição dessas manifestações para o Carnaval da capital baiana.

Fundado em 1992 como Afoxé Korin-Efan, expressão em iorubá que significa “Cântico da Terra de Ijexá”, o grupo foi refundado em 25 de maio de 2002 por Erenilton Bispo dos Santos, um dos mais antigos alabês de Salvador. Ogã da Casa de Oxumarê e referência nos cânticos sagrados das nações ketu, ijexá, jêje e angola, Erenilton estruturou o projeto com a proposta de fortalecer a cultura afro-brasileira durante todo o ano, para além do período carnavalesco.

À frente da direção artística do afoxé, Rodrigo Santos destacou que o tema deste ano buscou reforçar o legado dos afoxés na avenida. “A gente traz como tema principal a ancestralidade dos afoxés. Nossa intenção foi fazer esse resgate, trazer de volta tradições que fazem parte da nossa história. Resgatamos o balotins, que vinha à frente dos blocos antigamente, além da ala de cabaceiras, ala de Ogãs, ala de dança e a ala de baianas, entre outras. É um desfile que reafirma nossas raízes”, destacou.

O cortejo reuniu cerca de 900 integrantes, distribuídos em diversas alas. A presença das baianas e das cabaceiras reforçou a tradição, enquanto as crianças deram vida aos balotins. A ala de dança incorporou coreografias ao percurso, ampliando a dimensão simbólica do desfile. A trilha sonora ficou por conta das bandas Filhos de Korin Efan e do grupo Omó Obá, que acompanharam o bloco até o Campo Grande, retornando em seguida à Praça da Sé.

Rodrigo também ressaltou a importância do apoio institucional para a permanência dos afoxés no Carnaval. O Afoxé Filhos de Korin Efan foi um dos contemplados pelo Projeto Ouro Negro, iniciativa do Governo do Estado que assegura suporte financeiro a entidades de matriz africana. “O Ouro Negro é fundamental.

 Muitos blocos não conseguem sair por falta de recursos. Esse incentivo garante que os blocos menores também estejam na rua. Nós somos um bloco que realiza ações sociais o ano inteiro e contamos com editais e apoios como esse para dar continuidade ao trabalho que desenvolvemos desde 1992”, explicou o diretor.

Entre o público, a auxiliar administrativa Angela Cristina, 38 anos, acompanhou o desfile do início ao fim. Ela contou que foi ao Centro Histórico motivada pela participação do grupo Omó Obá, mas acabou se surpreendendo com o conjunto do cortejo. “Eu vim porque amo a banda Omó Obá, já acompanho o trabalho deles. Mas fiquei encantada com a energia e a beleza do bloco. É emocionante ver tanta tradição reunida na avenida”, afirmou. 

Fonte
Ascom SecultBA
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