O agudo estridente das guitarras elétricas e a percussão bem marcada anunciam a passagem dos carrinhos coloridos e carregados de adereços para fazer a alegria dos foliões nas ruas do Centro Histórico. Apesar de pequenos, os micro ou nanotrios são invocados e carregam em suas estruturas a grandeza das raízes históricas da maior festa popular do mundo.
Na programação de atrações itinerantes do Carnaval do Pelô neste domingo (15), o Rixô Elétrico e o MicroTrio de Ivan Huol mostraram a resistência da cultura carnavalesca de chão, com artistas e foliões desfilando juntos. Os grupos são influenciados pela época de ouro do carnaval da Bahia, de Armandinho, Dodô e Osmar a Moraes Moreira.
Partindo do Largo Terreiro de Jesus, os cortejos percorreram os principais pontos do Pelourinho, encantando o público que lotou as praças e se divertiu como nos carnavais de outros tempos. Famílias, crianças, jovens, idosos e pessoas de todas as idades curtiram juntos, mantendo viva e fortalecendo as manifestações culturais da Bahia.
O MiniTrio de Ivan Huol, que desfila desde 1996, levou para as ruas um repertório versátil, que incluiu desde sambas, frevos e axés até adaptações de rock, reggae e MPB, entre outros ritmos de carnaval, samba reggae. Durante o trajeto, o grupo celebrou os 30 anos de microtrios na folia baiana, com direito a um bolo comemorativo no teto do carro.
Também focado no resgate histórico da festa, o Rixô Elétrico tem a proposta de ser um carrinho pequeno que leva música de qualidade para o folião que vem ao Pelourinho, principalmente na época festiva do carnaval. O veículo não tem motor e é movido à propulsão humana, com pedal de bicicleta e empurrado pelos foliões.
Com marchinhas, frevos e muito axé music, a banda levou os foliões em uma viagem sonora. “É muito importante porque ele proporciona ao público em geral o resgate de toda essa nação musical dos anos 40 e 50, daqueles carnavais antigos, para que a gente possa manter viva essa chama que foi criada por Dodô e Osmar”, explicou Fred Menendez, que é cantor, guitarrista e fundador do Rixô.
Bloco Evangélico
Outro destaque deste domingo de Carnaval, o bloco Sal da Terra reuniu centenas de pessoas que desfilaram usando a percussão, a dança e o canto como ferramentas para proclamar sua fé Cristã e evangelizar. A agremiação gospel da Igreja Batista Missionária da Independência (IBMI) já é presença tradicional na festa popular. São 20 edições de atividade dentro do percurso oficial no Circuito Batatinha, no Carnaval do Pelô.
Ubirajara Gomes, pastor e diretor do bloco carnavalesco evangélico, destacou a importância do evento para a organização. “O Carnaval é um espaço onde tem muita gente, não só do Brasil, mas do mundo inteiro, que precisam ouvir a mensagem de paz e de alegria verdadeira que Jesus deixou a milhares de anos atrás, mas que continua atual”, explicou.
Carnaval do Pelô
O Carnaval do Pelô integra a programação oficial do Governo da Bahia, com o tema “Carnaval da Bahia: Um Estado de Alegria”, reunindo ações do edital público da Secretaria de Cultura da Bahia (Secult-BA), que contemplou 81 propostas artísticas, além da participação da Secretaria de Turismo (Setur), por meio da Superintendência de Fomento ao Turismo (Sufotur), que fortalece o calendário cultural do território. No Largo do Pelourinho, parte da grade de atrações é viabilizada pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).