Circuito Batatinha reafirma tradição, ancestralidade e resistência no Carnaval de Salvador

16/02/2026
O Afoxé reforçou a potência e a presença das mulheres no Carnaval
Olga Leiria

No coração do Centro Histórico, o Circuito Batatinha se consolida como um dos espaços mais simbólicos do Carnaval de Salvador, reunindo blocos afro, afoxés e agremiações culturais que transformam as ruas em território de fé, identidade e resistência. Longe dos grandes trios elétricos, o circuito pulsa no ritmo dos tambores e celebra a força da cultura de matriz africana.

Entre os destaques, o Baba Afoman levou para a avenida uma homenagem inspirada no orixá Logun-Edé, após uma mudança de planos motivada por um sonho da presidente do bloco. O cortejo começou com o tradicional banho de pipoca, acompanhado por baianas, rei e rainha, reforçando a espiritualidade e a mensagem de paz que marca a trajetória da agremiação.

O Ki Beleza também animou o circuito com sua banda vibrante e foliões empolgados. Com forte valorização das raízes populares, o bloco celebrou a cultura baiana por meio de um desfile cheio de identidade e orgulho.

Já o Afoxé Insaba Maza, que se define como um quilombo urbano, levou para as ruas a força feminina e a valorização da cultura Bantu. Com baianas à frente e percussão marcante, o grupo apresentou o tema “Andrika: a tinta da memória e a estampa da luta”, colorindo o circuito com tons do arco-íris.

A Arca do Axé uniu presença forte e compromisso social. Com camisas em tons avermelhados e desfile vibrante, o bloco reafirmou sua atuação comunitária e cultural, mantendo viva a tradição das manifestações afro-brasileiras.

Representando a força feminina, as Filhas de Gandhy ocuparam a avenida com fé, tradição e protagonismo. Com alfazema no ar e os tambores ecoando sob as bênçãos de Òrìṣà Àyàn, o afoxé reforçou a potência e a presença das mulheres no Carnaval.

Fechando os desfiles, o Filhos de Omolu levou para o Circuito Batatinha o candomblé como expressão cultural e política, destacando a importância das ações afirmativas e da valorização da cultura afro-baiana.

No Circuito Batatinha, cada passo é memória, cada toque de tambor é afirmação. Mais do que festa, o espaço se mantém como palco de consciência, pertencimento e celebração das raízes que sustentam o Carnaval de Salvador.

Fonte
Ascom SecultBA
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