Todos os olhos, ouvidos e pés dedicados ao samba do Recôncavo, em mais um dia de celebração a este patrimônio cultural da Bahia. Dessa vez, representado pelo Samba de Roda da Dona Dalva, de Cachoeira. No palco do Largo Quincas Berro D'água, nesta segunda-feira (16), a vocalista Ana Olga, 65 anos, convocou o público pra dançar e foi atendida imediatamente, com um verdadeiro balé de sambistas formados pelo público que lotava a plateia. “Nós viemos aqui pra sambar e pra colocar o povo pra sambar”. Ordem dada e acatada: Todos caíram no samba!
O clima de festa tomou conta do lugar marcado com a cadência dos passos miúdos e o balançar das cadeiras, ornados com os sorrisos característicos dos cachoeirenses, orgulhosos de suas raízes.
Ana reconhece que a festa momesca na capital baiana é mais uma vitrine para ampliar a tradição do samba de roda: “É muito gratificante trazer esse samba de raiz da cidade de Cachoeira para abrilhantar o Carnaval de Salvador, mostrar as raízes, deixadas pela nossa ancestralidade e a gente só faz dar continuidade, fortalecer e agradecer, primeiramente a Deus, e a eles, porque, se nós estamos aqui, agradecemos a Deus e a nossa ancestralidade”.
Ainda pensando na propagação do Carnaval na cidade, a artista convidou ao público para participar do Samba de Roda Filhos de Nagô, o Samba de Roda de Dona Dalva e da apresentação do Samba de Roda Suerdick no próximo dia 21, em Cachoeira.
Dona Dalva Damiana de Freitas, nascida em 1927, é uma sambadeira, compositora e ativista cultural brasileira, reconhecida como uma das maiores guardiãs do Samba de Roda do Recôncavo da Bahia. Fundadora do Grupo de Samba de Roda Suerdieck, ela teve papel fundamental no reconhecimento desta expressão cultural como patrimônio imaterial da UNESCO.
Carnaval do Pelô
O Carnaval do Pelô integra a programação oficial do Governo da Bahia, com o tema “Carnaval da Bahia: Um Estado de Alegria”, reunindo ações do edital público da Secretaria de Cultura da Bahia (Secult-BA), que contemplou 81 propostas artísticas, além da participação da Secretaria de Turismo (Setur), por meio da Superintendência de Fomento ao Turismo (Sufotur), fortalecendo o calendário cultural do território. No Largo do Pelourinho, parte da grade de atrações é viabilizada pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).