Afoxé Korin Nagô leva a energia ancestral da cura para as ruas de Itapuã

16/02/2026
O Afoxé Korin Nagô ocupou as ruas de Itapuã
Ascom SecultBA

Com o tema “Deburu: semente da cura”, o Afoxé Korin Nagô ocupou as ruas de Itapuã, no novo Circuito das Águas, nesta segunda-feira de Carnaval, reforçando a força da espiritualidade, da música e da memória afro-brasileira. O desfile, realizado no fim da tarde, trouxe referências ao orixá Obaluaê, associado à cura, à renovação e à transformação, e marcou a presença do grupo no percurso que estreia este ano com foco na valorização das manifestações culturais negras.

Com 16 anos de trajetória, o afoxé foi fundado em 12 de agosto de 2011 pelo mestre Ulisses dos Santos, que construiu sua caminhada em diferentes blocos afros, como o Ilê Aiyê. Antes da criação do grupo, a iniciativa surgiu como um coletivo de dança voltado à valorização das tradições de matriz africana.

“Antes do bloco, éramos um grupo de dança. Hoje, as fantasias são doadas, e realizo oficinas de percussão para crianças, ensinando também a confeccionar instrumentos sustentáveis”, explica Ulisses. Segundo ele, o Korin Nagô reúne atualmente cerca de 400 integrantes, mas desfila com número reduzido devido à falta de recursos.

O cortejo deste ano levou à avenida uma escultura de Obaluaê e um cavalo-marinho, símbolo relacionado a Logun Edé, divindade com a qual o fundador tem ligação espiritual como alabê. As peças reforçaram o caráter visual, ritualístico e pedagógico do desfile, traduzindo a ancestralidade por meio da arte.

Para a comerciante Marília Pereira Isaac, 40 anos, moradora de Itapuã, a participação teve um significado especial. “Fui para a Lavagem de Itapuã e é a primeira vez que vou sair em um bloco de Carnaval. Escolhi o Korin Nagô porque ele tem muita história. Minha vizinha é uma das fundadoras das As Ganhadeiras de Itapuã, e o esposo dela, Ulisses, é quem está à frente do bloco”, contou.

O artista Zenza, também morador do bairro, destacou o impacto comunitário do afoxé. “As portas se abriram a partir das movimentações do mestre Ulisses, que fortalece a nossa ancestralidade e desenvolve várias atividades. Em um Carnaval recente, muitos atabaques foram confeccionados com papelão, pensando na sustentabilidade e no cuidado com o meio ambiente. A maioria das pessoas que compõe o grupo é de religiões de matriz africana, e isso também é preservar a natureza. Hoje, a escultura de Obaluaê, feita pelo multiartista Piu Filho, representa essa conexão”, afirmou.

Rainha do afoxé, Raimunda dos Santos, 58 anos, celebrou a trajetória no grupo e o protagonismo feminino. “Já dancei na Lavagem de Itapuã e hoje participo do Carnaval daqui. Estou há quatro anos no bloco e, este ano, saio como rainha. Já fui rainha em vários blocos afros de Salvador, passei pelo Ojuobá, pela Deusa do Ébano e pelo Muzenza, entre outras iniciativas. Essas são as minhas origens. Eu amo representar”, destacou.
 

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Ascom SecultBA
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