A nação regueira tomou conta da Carlos Gomes no contrafluxo do circuito Osmar, apresentando batidas e melodias do ritmo jamaicano nas ruas do centro de Salvador, na noite desta segunda-feira (16). Em seu 18º desfile no Campo Grande, cerca de 800 pessoas percorreram 7km de caminhada, reafirmando a importância da agremiação, que é dedicada a fortalecer o gênero musical.
Com o tema Reggae Resistência, "pra gente é uma felicidade enorme tocar na maior festa aberta do mundo e o maior carnaval do Brasil, pois estamos cumprindo com nossa tarefa que é levar nossa cultura, ancestralidade, cores, jeitos, formas de falar e de dançar ao público. Fizemos o mapa da África e colocamos todas as inquietações e também felicidades, que não é só inquietações, não é só luta, é também celebração", avaliou o vocalista da Aspiral do Reggae, Kamaphew Tawá.
A música foi celebrada como ferramenta de luta através dos elementos do reggae como justiça social, protesto, paz, vibrações positivas. Canções já conhecidas do folião regueiro que acompanha o bloco, como Roots Reggae e Rock Stead, fizeram parte do repertório -, assim como grandes clássicos de Bob Marley e Peter Tosh, além de canções autorais de novos artistas da cena jamaicana.
A discotagem ficou por conta do DJ Ras Péu e seus convidados Makonnem Tafari, Kelly Matos e Jô Kallado. Das 18 edições do bloco, a cantora Jô Kallado esteve presente em 16, mostrando a força feminina no segmento. "É muito importante que a gente tenha a chance de tocar no carnaval de Salvador. Buscamos levar a paz pra Avenida, por que quando o reggae passa todo mundo dança".
Em família, Makonnem Tafari disse ser "um prazer e uma honra dividir o palco com meu pai, principalmente quando é trio no carnaval, pois sabemos a dificuldade que é pra conseguir colocar a música reggae e rap no circuito. Nós acreditamos e fazemos essa música durante o ano inteiro, então no carnaval também é necessário a gente ter essa representatividade".
Dando o tom com o som eletrônico, DJ Ras Péu relatou que "em 2013, quando saí pela primeira vez, um DJ levar a sua musicalidade pra cima do trio elétrico arrastando um bloco de carnaval, foi algo inédito na época. Pra mim, tocar na maior festa popular do planeta é gratificante. Gosto muito de lançar artistas e em uma festa desse porte é muito importante".
A produtora Jussara Santana destacou que "a gente só conseguiu sair nesse glamour todo graças ao Programa Ouro Negro. Esse ano, estamos celebrando reggae e resistência, porque temos o reggae não só como música, mas enquanto cultura. Esse governo vem fazendo a diferença, apoiando a cultura da diversidade, e estamos muito contentes. Eu só agradeço ao Ouro Negro, que veio fortalecer a nossa cultura reggae. Com esse apoio podemos pagar o trio, fantasia, equipe e investimos em nosso trabalho pra crescer cada dia mais".
Kamaphew Tawá completou que "o Ouro Negro é fundamental, por que acho que seria praticamente impossível nossa participação sem esse apoio".
Com investimento recorde de R$ 17 milhões, o Programa Ouro Negro 2026 fortalece blocos afros, afoxés, sambas, grupos de capoeira e outras manifestações que fazem da festa baiana uma referência mundial. A iniciativa integra as ações do Carnaval da Bahia: Um Estado de Alegria, reafirmando o protagonismo das tradições negras na maior festa popular do país.