Ao som do ijexá, ritmo ritualístico de origem africana, o bloco Ijexá da Bahia desfilou na noite de segunda-feira (16), no Circuito Osmar (Campo Grande), dentro da programação do Carnaval Ouro Negro. Com alas vestidas com fantasias em tons vibrantes de amarelo, vermelho e verde, o bloco percorreu o caminho do contrafluxo, partindo do Centro Histórico para se apresentar na Passarela Nelson Maleiro.
Saindo este ano com o tema "Quem me protege não dorme", a agremiação reuniu centenas de pessoas, além dos associados, atraídos pela sonoridade contagiante e pela mensagem de resistência pela cultura afro-brasileira e pelo candomblé. Leques e outros objetos se misturaram a estandartes e a dança afro embalou os corpos dos componentes da agremiação, numa interação sagrada que envolvia som, formas e expressões.
O bloco Ijexá da Bahia tem origem na década de 80, quando o cantor e compositor Germano Cruz criou Afoxé Rum Py Lé, que desfilou durante alguns anos e acabou extinto em 1984. Os fundadores insistiram e seguiram com as apresentações da banda durante a década de 90, tocando ritmos como samba chula, samba da roça, puxada de rede, a dança dos orixás e os atabaques sagrados.
Em 2000, a banda lançou o CD "Ijexá da Bahia", fazendo shows em diversos lugares como Praia do Forte, Sauípe e Candeal. Após participar dos desfiles carnavalescos de outros blocos, em 2007, a agremiação fez seu primeiro desfile individual na folia.
Com investimento recorde de R$ 17 milhões, o Programa Ouro Negro 2026 fortalece blocos afros, afoxés, sambas, grupos de capoeira e outras manifestações que fazem da festa baiana uma referência mundial. A iniciativa integra as ações do Carnaval da Bahia: Um Estado de Alegria, reafirmando o protagonismo das tradições negras na maior festa popular do país.