Na rua, o Carnaval oficial do Pelourinho dura seis dias intensos, com 150 atrações no “Palcão” e nos largos, somando mais de 250 horas de música. Blocos e afoxés percorrem ladeiras e ruas, trazendo força e ancestralidade a uma festa que ultrapassa Salvador e a Bahia. Para uma celebração assim, a Secult começa a preparação muito antes. Nos bastidores, é comum ouvir: quando termina um carnaval, começa a preparação para o próximo. São mais de 400 trabalhadores envolvidos.
Fazer um carnaval assim é, mesmo para os mais experientes, como a primeira vez, aquele frisson. "Dá um desespero, porque são muitos detalhes que movimentam toda essa engrenagem. Quem está lá fora não imagina o trabalho. Quando se vê, passaram os seis dias e foi tudo maravilhoso. A gente comemora e respira aliviado", comenta a coordenadora de administrativo da Ascom/Secult, Dalise Figueiredo, 61 anos, que tem a base transferida para o CCPI, no Largo do Pelourinho.
Na sede da Secult, um time no gabinete acompanha as demandas do carnaval antes e durante o evento.
"Atuar aqui é como reger uma orquestra, em meio à maior festa de rua do mundo. Não é apenas sobre prazos ou fluxos, é sobre alinhamento e sintonia fina, garantindo que cada peça se encaixe para que o resultado final chegue perfeito à ponta", afirma a coordenadora de gabinete Jéssica Coelho, 34 anos. Apesar de anual, nenhum carnaval é igual ao outro nos bastidores. "É uma entrega de corpo e alma para que, na quarta-feira de cinzas, possamos nascer de novo. É a maior festa de rua do mundo, ciclo vivo de superação, de novos aprendizados, uma chance de superar o que fizemos no ano anterior."
No coração do Carnaval do Pelourinho
Todo esse empenho se traduz em recordes de público no “Palcão” e nos largos.
"A cada ano, a gente se supera na preparação que culmina nos seis dias oficiais. Em 2026, está sendo ainda mais prazeroso, porque é um ano ímpar. Temos novas atrações, novas oportunidades para o público, artistas e trabalhadores dessa festa que encanta o Brasil e o mundo, atraindo gente de todos os cantos", ressalta a assessora de gabinete Larissa Cerqueira, 35, que coordena o Casarão 12, o CCPI.
A diretora de Economia Criativa da Secult, Carol Pereira, destaca o diálogo constante com todos os envolvidos. "É um trabalho de meses, que exige atenção e cuidado diante de tantas esferas envolvidas. A preparação envolve reuniões com a comunidade, comerciantes do Pelourinho e a classe artística, sempre com foco em acertar, ser assertivo e entregar um evento de excelência."
Fora do carnaval, a servidora da Fundação Pedro Calmon, Shirlei de Brito, 39 anos, atua no RH do órgão. Em seu quinto carnaval pela Secult, coordena os fiscais de bloco do Ouro Negro, no circuito Batatinha. "A cada carnaval é diferente. Mas a satisfação em participar, estar presente e atuar como servidora é gratificante. É muito trabalho, mas é um trabalho que dá alegria."
Texto: Jefferson Barbosa Lorentz
Fotos: Lucas Rosário/Ascom SecultBA