Antologia Rabiscos traz desenhos de sete artistas baianos

03/11/2015

Arte por Ana Verana

Entre as categorias das artes visuais, o desenho parece estar ocupando um lugar de destaque  na cena baiana contemporânea. Em sua segunda edição, a Antologia Rabiscos vem corroborar esta afirmação.

Com eventos de lançamento em Cachoeira (no dia 15 último), Feira de Santana (no dia 24) e Salvador (nesta sexta-feira, 30, às 19 horas, no Lalá Multiespaço), a publicação viabilizada com recursos do Fundo de Cultura da Bahia (FCBA), , mecanismo de patrocínio cultural das Secretarias de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) e da Fazenda (Sefaz), traz os trabalhos dos artistas baianos Ana Verana, Clara Domingas, Nila Carneiro, João Oliveira, Maristela Ribeiro, Juliana Moraes e Naara Nascimento.

Cada artista tem direito a oito páginas para mostrar sua arte na boa edição em papel pólen que ainda conta com artigo do premiado artista e professor Zé de Rocha, que contextualiza o lugar do desenho na contemporaneidade.

Patricia Martins, uma das idealizadoras da iniciativa, conta como surgiu a Antologia: “O projeto surgiu dentro do Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira (MAC), em Feira de Santana, onde livretos de desenho e poesia eram confeccionados artesanalmente e vendidos a preços populares com o objetivo de divulgar o trabalho de novos artistas”, relata.

“Pensando nisso, eu, Marcio Junqueira e Marcelo Lima tivemos a ideia de ampliar essa produção lançando uma revista onde atuamos, como editores e produtores”, conta.

Feira floresce

Com predominância de artistas mulheres (dos sete artistas apresentados, apenas João Oliveira  é homem), a edição busca mesmo dar visibilidade à uma estética mais feminina, segundo a organizadora.

“Temos estéticas e temas bastante distintos, mas que dialogam entre si. As questões levantadas pelos desenhos dizem sobre corpo, feminino, comunidade, memória, afetos, história, sonhos, poder, subjetivação, representação/ficção, entre outras coisas. Importante ressaltar que nessa edição quisemos dar visibilidade as artistas mulheres”, diz.

Além da temática feminina, outro critério  foi destacar artistas nascidos ou residentes no interior baiano, com destaque para Feira de Santana, que parece experimentar um renascer artístico recente: “A cena artística feirense tem crescido bastante nos últimos cinco anos, acredito”, afirma.

“Movimentos de ocupação de espaço vem acontecendo, como exemplo do Beco da Energia, por grafiteiros que revitalizaram o local e organizam eventos. Um outro exemplo é o coletivo Feira Noise, organizador do festival anual que,  além dos shows, traz exposições, oficinas e movimentos de ocupação”, relata Patrícia.

Com diversidade de temas e técnicas, a Antologia Rabiscos tem distribuição gratuita e ainda realiza oficinas.

Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) – Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Artística e Cultural e Editais Setoriais.