“Foi um resgate de peças antigas que fazem parte da nossa história”, diz juíza da Irmandade do Pilar

09/12/2015
Igreja de Santa Luzia e Pilar / Foto: Jefferson Vieira
Foto: Jefferson Vieira

“Estou muito feliz! Essas peças restauradas pelo IPAC ficaram quase duas décadas na igreja fechada. Elas são antigas e fazem parte da nossa história. Graças a Deus estão voltando inteiramente restauradas!”. Com essas palavras a juíza da Irmandade do Santíssimo Sacramento Nossa Senhora do Pilar, Josete Batista, comemorou hoje (9) pela manhã a chegada de bens móveis da Igreja do Pilar, originária do século XVII e localizada no bairro do Comércio, em Salvador.

As peças foram entregues pelo diretor geral do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), João Carlos de Oliveira, que representou o secretário estadual de Cultura (SecultBA), Jorge Portugal. “O IPAC já tinha restaurado e entregue outro lote de peças artísticas da igreja em 2012, como objetos litúrgicos da nave principal e este lustre de cristal”, ressaltou Josete Batista, apontando para o teto com pintura religiosa do século XVIII de onde pendia o lustre.

FESTA DE SANTA LUZIA
– Segundo o diretor do IPAC, hoje (9) foram entregues confessionários em madeira, banquetas para apoio de objetos litúrgicos (sagrados) e tocheiros esculpidos na madeira. “Algumas das peças têm 300 anos, como os confessionários do século XVII que são raros no Brasil”, disse João Carlos. A entrega aconteceu antes da Festa de Santa Luzia que ocorre no domingo (13) com missas e visitas à fonte de água considerada milagrosa por curar muitos devotos com problemas de visão. A SecultBA apoia o evento via Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI).

Para o procurador geral da Irmandade, Roberto Santana, a ação tem importância não só pelo restauro, como por seus desdobramentos. “Igrejas como a do Pilar fazem parte do chamado turismo religioso, e é muito bom termos o nosso acervo recuperado para mostrar as pessoas que nos visitam, sejam baianos ou turistas nacionais e estrangeiros”, ressaltou Santana.

O complexo arquitetônico do Pilar foi construído a partir de meados do século XVII, na base da falha geológica de 70 metros de altura que divide as cidades Alta e Baixa. Participaram do movimento para construção, importantes comerciantes espanhóis que dedicaram o templo à Nossa Senhora do Pilar, a padroeira católica da Espanha. A igreja ficava às margens da Baía de Todos os Santos, cujas águas chegavam na época até a Rua do Pilar.

PAC/CIDADES HISTÓRICAS – As edificações do complexo têm elementos do barroco, rococó e neoclássico, este último no cemitério e ossuário. Tombado pelo IPHAN desde 1938 como Monumento Nacional, o conjunto é fiscalizado e tutelado por esse órgão federal do Ministério da Cultura. É o IPHAN que fará a segunda etapa da restauração do cemitério, contíguo à igreja, integrando o PAC/Cidades Históricas. A primeira etapa foi realizada pelo IPAC/SecultBA e entregue em 2012.

“Este foi mais um passo importante para que a Igreja do Pilar volte a ser o que ela foi antigamente. Cada peça que recebemos restaurada pelo IPAC é um orgulho!”, comemorou o secretário da Irmandade, Vagner Prandi. Sobre horários de visitas à Igreja do Pilar via telefone (71) 3323-0219, que também informa da Festa de Santa Luzia, no domingo (13).