18/12/2015

Foto: Rosilda Cruz
Para o governador, quem conhece a história evita repetir erros de discriminação. “Como a história sempre é escrita pelos dominadores, lideranças expressivas que lutaram pela liberdade e pela igualdade entre homens e mulheres, ficaram esquecidos e não tiveram relevância nos livros de história ao longo de séculos. Estamos reescrevendo a história para que o povo conheça de onde nós viemos, o que nós somos e o que nós queremos construir a partir do que nossos ancestrais fizeram no passado”.
O secretário de Cultura do Estado da Bahia, Jorge Portugal, destacou o protagonismo dos heróis na história do Brasil. "A grande importância desse momento é que essa foi a primeira proposta de luta por liberdade e cidadania do país. Ela foi protagonizada por quatro homens negros, que hoje recebem esse reconhecimento do estado, tão importante e simbólico. As lutas do movimento negro e as lutas por cidadania já eram pensadas por eles desde o século 18".
A instalação da réplica da bandeira do movimento, também conhecido como Revolta dos Alfaiates ou Conjuração Baiana, é resultado de uma articulação das secretarias estaduais de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), de Comunicação (Secom) e da Cultura (Secult), com apoio das organizações sociais do Olodum e do Ilê Ayiê.
O governador disse que as homenagens vão continuar. “Eu tenho conversado com algumas pessoas que constroem o movimento negro e nós vamos batizar algumas estações do metrô com o nome de pessoas da luta pela liberdade do povo negro”.
O movimento e seus mártires
O termo Revolta dos Alfaiates se deve ao grande número desses profissionais que participaram do movimento e ao fato de dois dos quatro executados como líderes da conspiração exercer a profissão. A designação Revolta dos Búzios foi atribuída porque alguns revoltosos usavam um búzio (concha de molusco em forma de espiral) preso a uma pulseira, para facilitar a identificação entre si.
O grande marco do movimento foi a articulação de grupos mais pobres da população baiana para defender propostas que realmente os representassem. Trata-se de uma das maiores manifestações populares comandadas por negros, mulatos e mestiços em prol da democracia, dos direitos humanos e igualdade de raça e de gênero para todos os brasileiros.
Além de ser emancipacionista, a Revolta dos Búzios defendeu importantes mudanças sociais e políticas na sociedade. Os quatro líderes negros foram mortos, no dia 8 de novembro de 1799, por terem promovido o movimento que, após muitas lutas, avançou e contribuiu para a abolição da escravatura. Em 2011, após decreto presidencial, eles passaram a ser considerados oficialmente heróis nacionais.
Os heróis nacionais Manuel Faustino, Lucas Dantas, João de Deus e Luís Gonzaga, negros, foram enforcados e esquartejados, na Praça da Piedade, onde se encontram hoje seus bustos em reconhecimento à importância da luta que empreenderam em prol da liberdade e da cidadania.