Da Alegria, do Mar e de Outras Consciências discute mercado de trabalho para transgênero, em sua terceira edição

12/01/2016
LGBT

Em mais um ano de atividades que propiciam visibilidade ao universo transgênero, o evento Da Alegria, do Mar e de Outras Consciênciaschega à sua terceira edição, firmando-se no calendário LGBT. Com o tema Universo Trans e o Mercado de Trabalho, o evento, que ocorre de29 a 31 de janeiro, celebra o Dia Nacional da Visibilidade Travesti e Trans – comemorado em 29 de janeiro. Também traz para discussão a inclusão social e o acesso a oportunidades para esta comunidade.         

A terceira edição do evento, realizado pela Obá Cacauê Produções, por meio do edital Arte Todo Dia (Fundação Gregório de Matos/Prefeitura de Salvador), apresenta, durante três dias, mesas-redondas, performances, lançamento de livro, espetáculos teatrais e mostra de filmes, para abordar, por meio da arte, a temática trans. Em 2016, a programação muda de lugar, transferindo suas atividades para o Teatro Gregório de Mattos, no Centro Histórico de Salvador, sempre das 18h às 21h. Todas as atividades são gratuitas e abertas ao público.        

Para a idealizadora do evento, a cineasta Ceci Alves, jornalista e sócia-diretora da Oba Cacauê Produções, o Da Alegria – Ano III entra definitivamente no calendário local e nacional de eventos LGBT. “Propomos nesse encontro, temático e anual, a reflexão e o entretenimento para celebrar o dia da Visibilidade Travesti e Trans. Nossa intenção é trazer para a Bahia o que de mais novo está sendo discutido no Brasil sobre questões direcionadas às travestis e transgêneros, pessoas estigmatizadas, invisíveis na sociedade e no debate pelos direitos da diversidade”, destaca.           

De acordo com Ceci Alves, o tema reforça a urgência de trazer à luz as questões trans e transfóbicas. “A invisibilidade e a violência que permeia o universo trans sempre me incomodou. Essa invisibilidade amplifica a violência, principalmente por não sabermos, muitas vezes, o que acontece com esta comunidade. Criar estereótipos, a partir do desconhecimento e do preconceito, também é uma forma de estimular a violência”, avalia.      

O evento – Da Alegria – Ano III pode ser considerado uma continuidade afirmativa do curta-metragem Da Alegria, do Mar e de Outras Coisas,premiado filme da cineasta Ceci Alves. O filme recria a história de um crime homofóbico que chocou Salvador no ano de 1998. “Questões como violência e invisibilidade, tão comuns neste universo, são temas que não podem ser esgotados nem esquecidos. Devemos discutir e estimular a cultura da não-violência, além de buscar formas de combater qualquer tipo de discriminação”.    

Além de ser uma atividade multidisciplinar com vocação à expressão artística, o evento há três anos – dois deles realizados no Cine-teatro Solar Boa Vista – serve como fórum para amplificar a discussão do universo trans, suas nuances e peculiaridades. Sempre com um recorte temático, o Da Alegria visa trazer para a ordem do dia questões como inclusão social e acesso a oportunidades para esta comunidade, que busca avançar em ações de visibilidade e permanência social.    

Programação – Na abertura, haverá a apresentação do documentário Atrás dos Olhos, dirigido por Fábio Fernandes, pesquisador do Grupo de Pesquisa em Cultura e Sexualidade (CuS), da Universidade Federal da Bahia (Ufba); e André Araujo, que integra a equipe do coletivo de audiovisual do Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Cult), também da Ufba. A mesa de debates Empoderamento e Mercado de Trabalho Trans tratará das dificuldades enfrentadas e os caminhos trilhados por travestis e transgêneros na busca por colocação no mercado de trabalho.          

Estarão presentes na discussão a coordenadora do Núcleo de Defesa dos Direitos da População LGBT, da Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Estado, Paulette Furacão; a transfeminista, ativista e intelectual pelos direitos Trans, Viviane Vegueiro; e o consultor do Sebrae, Fernando Amaral. Para finalizar o dia, a performance À Flor da Pele, com o artista Fernando Lopes.          

No dia 30, após a exibição do curta-metragem Transophia, de Ivan Ribeiro, o tema Travesti: entre a arte e a rua norteará os debates, com participação da ativista do coletivo Cena Queer, Adriana Prates; do secretário de Cultura de Madre de Deus, que coordena o CuS e o Gênero, Narrativas e Políticas Masculinas (Geni), ligados ao Cult/Ufba, Djalma Thürler; e a presidenta da Associação de Travestis e Transexuais de Salvador (Atras) e representante da Secretaria de Política para as Mulheres do Estado, Millena Passos. Para finalizar, apresentação especial doCabaré Drag King.

Para fechar a programação do Da Alegria – Ano III, no domingo (31), haverá o lançamento do livro O Nascimento de Joicy, da jornalista pernambucana Fabiana Moraes; a estreia, em Salvador, do espetáculo teatral Uma Flor de Dama, com o ator cearense Silvero Pereira; e o debate Ser Transgênero – Uma Ontologia, com as presenças de Silvero Pereira e Fabiana Moraes.      

Trans e Mercado de Trabalho – Durante todo do evento, estão previstas ações voltadas à qualificação, formação de mão-de-obra, acesso e inclusão no mercado de trabalho para a comunidade trans de Salvador. As ações serão organizadas em conjunto com o Núcleo LGBT, da Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH), Núcleo de Políticas Públicas de Cidadania e Direitos LGBT, da Secretaria Municipal da Reparação (Semur) e Sebrae.            

Histórico – O Dia da Visibilidade Trans surgiu em 29 de janeiro de 2004, durante o lançamento da Campanha Nacional Travesti e Respeito, do Ministério da Saúde. Nesse dia, representantes da Articulação Nacional das Travestis, Trasexuais e Transgêneros do Brasil (Antra) entraram no Congresso Nacional, em Brasília, para tornar a campanha conhecida nacionalmente. As 52 organizações afiliadas à Antra, em todo o país, foram convidadas a sair às ruas reivindicar seus direitos.        

Serviço
O Que:
 Da Alegria, do Mar e de Outras Consciências – Ano III               
Quando: de 29 a 31 de janeiro, das 18h às 21h                   
Onde: Teatro Gregório de Mattos (Praça Castro Alves, s/n – Centro Histórico, Salvador/Bahia) 
Entrada gratuita!