
Foto: Rosilda Cruz
A força da beleza, da cultura e da tradição como afirmação identitária. A 37ª Noite da Beleza Negra do Ilê Aiyê escolheu a Deusa do Ébano que irá reinar à frente do Mais Belo dos Belos do Carnaval 2016. A baiana Larissa Oliveira será a Rainha dos 3 mil associados do bloco afro, que desfilará com o tema “O Recôncavo Baiano é afrodescendente”. Daniele Nobre Nascimento e Cecília da Silva Santos ficaram, respectivamente, em segundo e terceiros lugares no concurso, realizado no sábado (16), que foi aberto pela Chegança dos Marujos, manifestação cultural centenária de Saubara.
Em meio ao ritmo e à beleza das 15 candidatas, a festa contou com apresentações de Nelson Rufino, ao lado das cantoras Ana Mametto e Carla Visi, Roberto Mendes, ao lado de Regina Casé, Raimundo Sodré, do ator Luís Miranda e de Lucas e Orelha, além da Band’Aiyê. O evento, realizado na Senzala do Barro Preto, no Curuzu, teve apoio do Governo do Estado por meio das Secretarias Estaduais de Cultura, Comunicação e Turismo (através da Bahiatursa), além da TVE Bahia.
“O Ilê é o começo de tudo. Fez a revolução na cabeça dos negros do Brasil sem dar um tiro. Ele utilizou as canções e a beleza do negro – coisa que não se falava naquele tempo – para que o afrodescendente compreendesse o seu lugar na sociedade brasileira, como um motor de transformação”, afirmou o secretário de Cultura da Bahia, Jorge Portugal, que foi um dos jurados do concurso, ao lado de Mirtes Santa Rosa, Osman Augusto, Gilmar Sampaio, Nadir Nóbrega, Amélia Conrado e Carla Lopes.
Vencedora entre as 139 inscritas e as 15 finalistas da Beleza Negra, Larissa Oliveira falou sobre a emoção de ser a Deusa do Ébano do Ilê. “É um momento de muito axé, de muita luz e brilho. Estar aqui foi o resultado de muita luta e força, e também de correria, expectativa e paciência”, afirmou Larissa, que foi também a preferida do público na Senzala do Barro Preto e recebeu o manto e a coroa das mãos da Deusa do Ébano de 2015, Alexandra Amorim. Para participar, as candidatas precisaram se reconhecer como mulheres negras, saber dançar ritmos como ijexá e samba, além de conhecer a história de luta do movimento negro em prol da igualdade de direitos e promoção da paz entre os povos.
Requisitos mais do que necessários para as três mulheres que guiarão, com beleza, dança e ritmo, os três mil “negões e negonas malassombrados do Ilê”, nas palavras da diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), órgão vinculado à SecultBA, Arany Santana, que é diretora do Ilê Aiyê e mestre de cerimônias da festa. “É fundamental que o poder público apoie eventos que valorizem as manifestações culturais baianas. O Governo do Estado da Bahia sempre se fez presente, através da Secretaria da Cultura, apoiando os eventos de matriz africana, por entender que esta é a nossa identidade. Vale ressaltar que fomos o primeiro Estado do Brasil a assinar o decreto que oficializou a adesão da Bahia à Década Internacional Afrodescendente, instituída pela ONU em 2015”.