23/10/2010
A criação da Comissão Estadual de Sustentabilidade de Povos e Comunidades Tradicionais (CESPCT) marcou a abertura dos Encontros com as Culturas Populares e Identitárias, que foi iniciado ontem (22/10) e segue até o dia 29, na Praça das Artes e ruas do Pelourinho. A solenidade contou com a presença do Ministro de Estado da Cultura, Juca Ferreira, e do governador Jaques Wagner.
Em Salvador especialmente para o evento, o ministro Juca Ferreira destacou a diversidade cultural da Bahia e a importância de ancorar o desenvolvimento do país nas raízes culturais do povo brasileiro. “Esta diversidade toda, retratada neste encontro, precisa ser cuidada para, assim, permitir que esta memória plural faça parte, efetivamente, da construção da Bahia”, defendeu o ministro.
Esta diversidade era constatada no palco durante a assinatura do decreto que criou a CESPCT, com a presença de representantes dos indígenas, quilombolas e entidades voltadas para a cultura afrodescendente. A secretaria da Promoção da Igualdade do Estado da Bahia, Luiza Barrios, explicou que marisqueiras, pescadores, ciganos, e comunidades de fundo e fecho de pasto também fazem parte do público alvo da Comissão de Sustentatibilidade.
A comissão estadual é composta por 15 representantes da sociedade civil e 15 representantes do poder público e tem como função coordenar a elaboração e implementação da Política e do Plano Estadual de Sustentabilidade dos Povos e Comunidades Tradicionais da Bahia. A iniciativa tem suporte no Decreto Federal 6.040, que institui a política de mesma natureza em nível nacional.
O governador Jaques Wagner destacou que o objetivo da comissão é ser parceira destes povos e comunidades, não assumindo postura paternalista ou de imposição de caminhos. Jaques Wagner considera que a meta, tanto do decreto quando dos Encontros com as Culturas Populares e Identitárias, é “resgatar, pôr no palco, aquilo que temos de mais importante, que são as nossas raízes culturais”.
A análise é reforçada pelo secretário da Cultura do Estado da Bahia, Márcio Meirelles, ao afirmar que “o evento também servirá para definir as formas de desenvolvimento de políticas públicas que auxiliem esses grupos vivos da cultura popular”.
Múltiplas linguagens
Um dos momentos mais emocionantes da noite foi a execução do Hino Nacional em três diferentes línguas: português, um dialeto senegalês e na língua kiriri (kipeá). O hino foi cantado pela cantora Margareth Menezes, o mestre griô Doudou Rose (com seu tambor) e o índio Wakay.
A abertura do evento contou com as apresentações das manifestações culturais Burrinha de Irará, Paparutas da Ilha do Paty e Mamulengo da Bahia, além do mestre griô Doudou Rose e do espetáculo de dança Embaixada Africana, montado pela Coleção Emília Biancardi e a Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado (Funceb).
Veja programação completa no site www.cultura.ba.gov.br