Projeto Romances e Canções chega ao fim com muita música e participações especiais no Pelô

08/11/2010
Lui Muritiba encerrou a segunda edição do projeto ao lado de Danilo Caymmi e Walter Queiroz no Largo Quincas Berro D’Água A noite de sábado no Pelourinho reservou mais do que boa música aos que aguardavam ansiosos pela entrada de Lui Muritiba no palco do Largo Quincas Berro D’Água. Enquanto o cantor, compositor e instrumentista se preparava para apresentar o último show do seu projeto Romances e Canções, que fez parte da agenda Tô no Pelô e foi promovido pelo Governo do Estado da Bahia, através do Programa Pelourinho Cultural, ligado à Secretaria de Cultura e ao IPAC, um público eclético já começava a encher o local, ocupando as mesas e espaços disponíveis. Antes de subir ao palco, Lui conversou com o convidado especial da noite, Danilo Caymmi, e fez questão de deixá-lo à vontade. Para ele, a participação do filho de Dorival completou a temática das apresentações que juntaram de forma harmônica a riqueza da literatura brasileira com o vasto repertório musical produzido a partir dessas obras. O projeto começou no dia 16 de outubro e esteve presente todos os sábados do mês, 23 e 30, no Pelourinho, encerrando no dia 06 de novembro. A ideia de unir a literatura e a música surgiu através de uma convocação artística. "Tudo começou com um convite, feito pela Universidade Federal de Viçosa, direcionado à criação de músicas para o teatro e dança. A primeira música foi para uma peça teatral, sendo que depois vieram mais quatro peças, incluindo Capitães de Areia. Foi lá que nós tivemos essa introdução, e começamos a unir a música aos livros", disse Lui Muritiba. O músico ainda revelou que o sucesso da proposta acabou repercutindo na gravação de um álbum em 2007. “Veio então a ideia de juntar, com outros compositores, essas músicas num só CD. A partir disso surgiu esse projeto, esse casamento”. O álbum foi finalizado com 14 composições do próprio Lui e de alguns parceiros. A música encarregada de abrir o show foi O Bem Amado. A composição de Toquinho e Vinícius de Moraes revelou à plateia o lado multi talentoso de Lui Muritiba, que cantou e tocou guitarra. A música, baseada na história do prefeito da cidade de Sucupira, Odorico Paraguaçu, que sonha em inaugurar o cemitério municipal, tem fortes influências da obra literária. Após a apresentação de O Bem Amado, Lui cumprimentou as pessoas que já lotavam o Largo e explicou o objetivo do projeto. “O trabalho está voltado para a literatura, porque nós precisamos instruir as crianças e os adultos. E através da música, eles podem absorver essa instrução”, disse Lui. Algumas das músicas que seguiram foram Alegre Menina, de Dori Caymmi e Jorge Amado, baseada na obra Gabriela Cravo e Canela do próprio Jorge Amado, que trazia um ritmo litorâneo e leve com predominância da flauta transversal e do triângulo; Capitães de Areia, composta pelo próprio Lui Muritiba e de Edmundo Carôso, inspirada no livro que leva o mesmo nome e escrito por Jorge Amado; e Gota D’Água, de Chico Buarque, baseada no livro de mesmo título e escrito por Chico Buarque e Paulo Pontes. A banda que acompanhou Lui era composta por Jelber Oliveira (teclado), André Becker (saxofone e flauta), Ricardo Marques (guitarra e bandolim), Giba Conceição (percussão), Dinho Filho (bateria) e Moisés Gabrielli (baixo). Lui interagiu com a plateia durante todas as músicas, fazendo o público dançar, acompanhar, e vibrar com cada escolha musical. O ápice do show foi quando Danilo Caymmi se juntou a Lui no palco. A música que expressou a qualidade máxima do dueto foi É Doce Morrer no Mar, composta por Dorival Caymmi e Jorge Amado, baseada na obra Mar Morto de Jorge Amado. Outros destaques da colaboração musical de Danilo à Lui foram as composições de sua autorias O Bem e o Mal, trilha da minissérie Riacho Doce, Casaco Marrom, da minissérie Labirinto, Andança e uma homenagem especial ao pai Dorival Caymmi com a música Maracangalha. Segundo Danilo, o show reflete o talento e iniciativa musical de Lui. "A ideia é muito boa e original. O conceito do projeto tem tudo a ver comigo. Minha família participou de trilhas de novelas, séries e filmes e foi inspirada nas histórias como a da Tereza Batista, Gabriela, Riacho Doce, Quincas Berro D’Água e Tenda dos Milagres". Danilo completou que o trabalho do pai continua sendo fundamental para a cultura. “As músicas de papai fazem parte da memória, e temos que manter a chama acesa. Vir à Bahia e não cantar Dorival Caymmi não faz o mínimo sentido”. O público que assistiu e participou da apresentação revelou que o show além de promover a cultura, deu às pessoas uma opção de entretenimento de qualidade. Para a cantora Marilda Santana, a interação entre a literatura e a música foi uma ação admirável. “É sempre positivo exaltar os autores brasileiros, e é importante trazer isso para a música. Existe a necessidade de deixar vir à tona o que os autores têm e são”. Já para Roberto Pedra, que assistiu ao show com sua esposa, Lui adicionou de forma magistral o seu talento a cena cultural. “Nós vimos por causa da presença de Lui e da participação de Danilo. Eu já conhecia o trabalho de Lui de outros carnavais. É necessário que exista esse incentivo à cultura, à música”. A última apresentação da noite foi a participação surpresa do cantor e compositor Walter Queiroz. Ao lado de Lui, ele cantou a música Viva o Povo Brasileiro, de sua autoria, baseada na obra homônima de João Ubaldo Ribeiro. Walter, que também foi convidado de Lui no dia 30 de outubro, revelou que a finalidade do projeto Romances e Canções foi alcançada. “O show foi surpreendente, de uma qualidade e de uma história bonita. Hoje Lui teve um resultado à altura do esforço que ele empreendeu. Eu estou orgulhoso e feliz por ter participado deste projeto”, revelou Walter. O Pelô não pára – Ainda ontem no Pelourinho, o festival Darktronic – Live levou ao público que lotou o Largo Tereza Batista o melhor da cena alternativa musical de Salvador. O evento é uma continuação do projeto que está em sua 12ª edição e que começou este ano em outubro. A palestra Gótico na Música e também a amostra de Cinema Alemão, com a exibição de Nosferatus, iniciaram o festival às 14h. O show com as bandas Aborym, Modus Operandi e Days Are Nights (São Paulo) começou às 18h, logo depois da apresentação poética do grupo As Flores Mortas do Palhaço. O festival Darktronic – Live ainda acontece no dia 13 de novembro, a partir das 14h. Já no Largo Pedro Archanjo, o som da sanfona agitou a plateia que dançava animada com o Encontro de Sanfoneiros de 8 Baixos. O show contou com a participação dos músicos Landinho Pé de Bode, Deusdete Esiquiel, Luizinho e Zé Calixto. O instrumento, de difícil execução e mais conhecido na região nordeste, consegue reproduzir não só o forro, mas também a bossa nova, o chorinho, e a valsa. O Encontro de Sanfoneiros de 8 Baixos terá mais uma apresentação, hoje, 07, a partir das 20h. Ambos os projetos fazem parte da agenda Tô no Pelô, do Pelourinho Cultural, programa ligado à Secretaria de Cultura e ao IPAC.